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16/12/2004 15:30

Filho único: nem melhor, nem pior

Agência Notisa

“Você tem que entender que eu sou filho único, que os filhos únicos são seres infelizes”, declamou o saudoso Cazuza , narrando o cotidiano de quem não tem irmão, nos versos da música “Filho Único”. Uma pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul resolveu pesquisar como é a vida do filho único, se de fato é diferente da realidade de pessoas que têm irmãos e se ele é um ser infeliz.

O estudo, publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria (Volume 26, nº1), avaliou o relacionamento do filho único com seus pais, amigos, além de investigar seu desempenho escolar e comportamentos social e sexual. Para a análise, os pesquisadores abordaram 360 estudantes da terceira série do ensino médio, de uma escola privada de Porto Alegre. Os jovens, entre 15 e 19 anos de idade, preencheram um questionário, que abordava pontos como escolaridade dos pais, ordem de nascimento — se o jovem era filho único, primogênito ou não primogênito — tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas e uso de drogas ilícitas. Questões que avaliavam o desempenho escolar, comportamento social e sexual desses jovens também faziam parte do questionário.

Entre os jovens, 8% eram filhos únicos, 35% primogênitos e 57% não primogênitos. A maioria dos filhos únicos eram homens, com idades entre 15 e 16 anos, segundo o estudo. “A prevalência 8,1% de filhos únicos está de acordo com a redução do tamanho médio das famílias, detectado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, particularmente entre famílias de maior nível socioeconômico”, explicam os pesquisadores.

Filhos únicos obtiveram melhor desempenho escolar do que os filhos com irmãos, de acordo com os resultados da pesquisa. Entre os filhos únicos, 17,2% tiveram média de notas entre 9 e 10, enquanto, entre os primogênitos, 5,6% tiveram essas notas e apenas 2,9% entre não primogênitos. Sobre as preocupações com o futuro profissional, os jovens não apresentaram diferenças significativas: “a descrição de que os filhos únicos convivem predominantemente com adultos durante a infância sugere que eles sejam mais maduros e assumam comportamentos adultos mais precocemente do que os demais. Neste estudo, as preocupações com o vestibular e a profissão foram semelhantes entre os filhos primogênitos, não primogênitos e únicos”, diz o estudo.

Sobre o relacionamento com os pais, o estudo revelou que a maioria dos escolares respondeu manter um relacionamento bom ou excelente com os pais (87%). Quando perguntados sobre como os adolescentes gostariam que os pais fossem, as respostas foram diferentes entre filhos primogênitos e únicos. Entre os filhos sem irmãos, 76% gostariam que os pais fossem assim como são, resposta dada por 69% dos filhos primogênitos. Mas quanto à flexibilidade, 30% dos filhos únicos queriam pais mais flexíveis, opção escolhida por 17% dos primogênitos.

“Contrariamente à impressão de que os filhos primogênitos tendem a ser diferentes dos demais, neste estudo não se detectaram diferenças entre filhos únicos, primogênitos e não primogênitos quanto ao relacionamento com os pais, presença de namorada e prática de esportes”, garantem os pesquisadores. De acordo com o estudo, algumas diferenças surgiram apenas na prática de algumas atividades, como o acesso à internet, por exemplo, — atividade individual e sem interação pessoal — rotina mais adotada pelos filhos únicos.

O estudo também identificou que filhos únicos abusam menos das bebidas alcoólicas. Entre eles, 39% relataram a ocorrência de algum evento dessa natureza, enquanto 72,3% dos adolescentes com irmãos afirmaram que já beberam além da conta alguma vez na vida. “Talvez uma maior supervisão parental direta, em função do menor número de filhos em casa, possa explicar esse menor número de episódios de intoxicação alcoólica nos filhos únicos”, justificam os pesquisadores.

Mas, quando o assunto é comportamento sexual a situação muda completamente. Filhos únicos, segundo o estudo, iniciam a atividade sexual mais cedo do que os filhos que têm irmãos. E outro dado chamou atenção dos pesquisadores: entre os filhos únicos foi encontrada menor taxa de auto-identificados como heterossexuais. “A bissexualidade ainda não resolvida ou a identidade sugerida como homossexual não parece ser resultado do confundimento por idade e gênero”, aponta o estudo.

Esses resultados contradizem o que foi revelado por pesquisas anteriores, que sugeriam que a identidade homossexual parecia estar associada a um maior número de irmãos. “É possível que nossos achados reflitam mais uma associação entre ser filho único e um maior tempo para amadurecimento da identidade heterossexual do que propriamente uma associação com identidade homossexual estabelecida”, afirma o texto.

Os pesquisadores concluíram que filhos únicos apresentaram algumas características diferentes dos filhos que têm irmãos, como a questão da iniciação sexual precoce e da identificação de sua própria sexualidade. Contudo, “por outro lado, não se confirmaram as diferenças de comportamentos maduros, prática de esportes, interação com amigos e atividades de lazer com a ordem de nascimento”, esclarece o texto. Dessa forma, o estudo sugere que ser filho único não parece estar associado a uma pior evolução em várias áreas do desenvolvimento avaliadas.

Parece que o Cazuza estava errado...


Agência Notisa (jornalismo científico - science journalism)

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