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27/10/2005 17:43

Federação nega envolvimento com 'máfia do apito'

Agência Câmara

O presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Marco Polo Del Nero, negou hoje, em audiência pública na Comissão de Turismo e Desporto da Câmara Federal, que a entidade pressionasse árbitros para manipular resultados de jogos e beneficiar apostadores. A denúncia contra a federação foi feita pelo ex-árbitro Edilson Pereira de Carvalho, um dos principais acusados no escândalo de manipulação de resultados de jogos do Campeonato Brasileiro.
O ex-árbitro também acusa o vice-presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos, de ter pedido a ele que interferisse em alguns resultados do Campeonato Paulista de 2005. Segundo Marco Polo Del Nero, as acusações de Edilson não passam de retaliação.
O presidente da FPF acrescentou que, em princípio, o ex-árbitro teria dito que a federação não tinha participação na chamada "máfia do apito". A partir do momento em que a entidade teria avisado que entraria na Justiça com ações de danos materiais e morais contra o ex-árbitro, a situação mudou, de acordo com Del Nero, e Edilson Carvalho passou à acusação. "Eu sou advogado e sei. A pessoa procura se defender, envolver outra pessoa. É um homem (Edilson) que está dando tiro para todo lado", afirmou.

Indenização
Marco Polo Del Nero informou que a federação pode indenizar clubes de futebol se a Justiça entender que algum time foi prejudicado no campeonato estadual em razão de arbitragem manipulada. Nesse caso, ele disse que usará o dinheiro que pode vir a conseguir com as ações de danos morais e materiais.
Na audiência pública de hoje, o convidado afirmou ainda que a federação está criando uma corregedoria e uma ouvidoria e instituindo uma espécie de teste psicotécnico para aumentar a transparência na arbitragem. Porém, na opinião do deputado Silvio Torres (PSDB-SP), autor do pedido de audiência, essas providências não podem ser as únicas.
"Temos que trabalhar a criminalização dos árbitros que hoje cometem crimes como esses cometeram", disse. O deputado acredita que a pena a se aplicar, nesse caso, deva ser a de estelionato: de um cinco anos de reclusão e multa.

Agenda
A reunião de hoje faz parte de uma série de audiências que a comissão realizará sobre o assunto. A primeira foi promovida na semana passada, quando foi ouvido o promotor do Ministério Público de São Paulo José Reinaldo Carneiro de Bastos, que cuida do caso. Ele defendeu a anulação de 11 partidas da série A do Campeonato Brasileiro apitadas por Edilson Pereira de Carvalho.
As próximas reuniões, segundo o deputado Silvio Torres, serão realizadas a partir de 8 de novembro. Os parlamentares deverão ouvir, nos próximos encontros, o empresário Nagib Fayad, acusado de ser um dos mentores do esquema; o vice-presidente da Federação Paulista de Futebol, Reinaldo Carneiro Bastos; e o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira.
O deputado adiantou ainda que a comissão planeja realizar audiência pública para debater outro assunto: a proibição de jogadores associados à Nossa Liga de Basquete (NLB) participarem da Seleção Brasileira, pois a liga está em litígio com a Confederação Brasileira de Basquete.




Reportagem - Ana Raquel Macedo
Edição - Noéli Nobre


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