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14/12/2009 08:42

Fantástico mostra como funciona o jogo do bicho em MS

Tv Morena

Com uma microcâmera o Fantástico entrou na sede do jogo do bicho e desvendou como é o esquema em Mato Grosso do Sul. Havia cerca de 30 pessoas no local flagrado pelos repórteres, que também constataram um absurdo. As apostas eram aceitas até na Assembléia Legislativa do Estado.

Em Campo Grande, no local do sorteio, a movimentação de cambistas e motoentregadores é intensa. Uns acompanhando tudo com atenção, outros aguardando o resultado final enquanto jogavam sinuca. Em um canto da casa está instalado o cofre do grupo. Os sorteios ocorrem diariamente e o resultado vale para todo o Estado.

Durante duas semanas, o Fantástico investigou o jogo clandestino mais famoso do país. Em São Paulo, por exemplo, a reportagem constatou que as apostas ocorrem livremente em vários lugares. As bancas funcionam em pontos sem nenhuma identificação e também em comércios regularizados, como uma casa lotérica flagrada pelo Fantástico.

Em muitas bancas do jogo do bicho, o bloco de papel foi substituído pelo computador. Questionado se tudo está informatizado agora, o comandante de um dos pontos do jogo de bicho respondeu: “é, boa parte dos lugares. Um ou outro que ainda é papelzinho.”

“Historicamente, [o jogo do bicho] é visto como uma infração inofensiva. Quando na verdade é exatamente o contrário. Atrás do jogo do bicho vem muita e muita infração penal muito séria”, disse o promotor de Justiça Wellington Santos Veloso.


Assembleia Legislativa

A equipe do Fantástico foi ao prédio da Assembleia Legislativa, onde onde se discutem projetos e são criadas leis para os milhares de habitantes de Mato Grosso do Sul. No Poder Legislativo, os produtores do Fantástico identificaram um homem chamado Gumercindo, apontado como cambista do Jogo do Bicho da Assembleia. O apelido dele é Gugu.

Ele foi localizado no gabinete de um deputado. Ao encontrá-lo, o produtor deixa claro o que quer. “Vamos fazer um joguinho?”, perguntou. Ele então o levou a uma pequena sala, onde fica o escritório do jogo do bicho dentro da Assembleia, na companhia de um apostador.

O bicheiro fala tranquilamente sobre o que faz no local. “Trabalho aqui. [Sou] segurança. Mas faço jogo, já”, disse. Perguntado se fica sempre na Assembleia, ele confirma. “To. to direto. De manhã e à tarde.”

Segundo a assessoria da Assembléia, o bicheiro não é funcionário da Casa. Quando sabia que estava sendo gravado, ele negou tudo. Gugu responde que não faz jogo dentro da Assembleia. “Eu vendo loteria esportiva. Faço bolão da Mega-Sena.”

O cambista usa um crachá de visitante, com o nome do presidente da Assembleia, deputado Jerson Domingos (PMDB). “Pra mim, isso é desconhecido. Além de ser um absurdo e eu não ter conhecimento disso, eu vou solicitar a nossa segurança da Assembleia Legislativa, a Presidência vai tomar medidas em relação a isso”, garantiu Jerson Domingos.


Sede do jogo do bicho

A casa onde todos os dias são sorteados os números do jogo do bicho no Estado de Mato Grosso do Sul fica em um bairro tradicional de Campo Grande. Não tem nenhum tipo de identificação. A única coisa que chama a atenção é o entra e sai de motoqueiros. São eles que levam o dinheiro das apostas e divulgam o resultado do sorteio, que acontece duas vezes ao dia. Em menos de quatro minutos, saem os números correspondentes do quinto ao primeiro prêmio.

O sorteio é semelhante em todo o Brasil. Para se chegar ao número premiado, é preciso inverter a ordem das bolinhas sorteadas. E para saber qual o bicho ganhador, valem os dois números finais. O número 30, por exemplo, é o camelo. Um grupo que acompanha o sorteio se encarrega de carimbar os resultados.

Na sequência, os motoqueiros levam os papéis com esses resultados às bancas do jogo ilegal. No dia seguinte, a reportagem voltou ao local. “A gente pode acompanhar o sorteio do jogo do bicho”, questiona a equipe. “Olha, não sei não. Tem que ver. Não, né? Eu não mando nada aqui”, diz um homem. A reportagem então pergunta se o sorteio do jogo do bicho funciona no local. “Não. Não é aqui não”, responde o homem.

Depois da saída da equipe do Fantástico, um homem vai embora com um malote e os motoqueiros deixam o local. Quem promove o jogo do bicho dificilmente vai parar na cadeia. O máximo que pode acontecer, segundo a polícia e o Ministério Público, é o pagamento de algumas cestas básicas. Mas em Sorocaba, interior paulista, uma investigação teve um resultado diferente.


Prisões

Em agosto, sete pessoas foram presas, acusadas de envolvimento com o jogo do bicho e também com lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. “Tudo isso com a conivência e a corrupção de agentes públicos e a proximidade de agentes políticos. Essas pessoas agiam de forma verdadeiramente empresarial. Era uma sociedade empresarial criminosa”, disse o promotor de Justiça Wellington Santos Veloso.

De acordo com o delegado Wilson Negrão, o jogo migrou não só para o caça níquel, mas também para cassinos clandestinos. Ele destaca que, por trás do jogo, existe uma quadrilha e um crime organizado.

A investigação apontou que Nitamar Bernardino da Silva era o bicheiro que chefiava o esquema em várias cidades de São Paulo. Ele é apontado como um homem violento, que anda armado. O bicheiro, de 59 anos, está foragido. Ele chegava a estudar cenas do filme o “Poderoso Chefão” para saber como age um mafioso.

Nitamar da Silva se diz um bicheiro das antigas: gosta de usar objetos de ouro. Em um telefonema rastreado, ele encomenda uma joia. Mesmo procurado pela polícia, Nitamar continua agindo. O Fantástico flagrou pessoas ligadas a ele fazendo apostas do jogo do bicho.

De acordo com a investigação, Nitamar da Silva movimenta quase R$ 1 milhão por mês. Se ele for preso e condenado, pode ficar seis anos na cadeia. “O jogo do bicho, há muito tempo, deveria ser tratado com mais rigor pela nossa legislação”, considera o promotor Wellington Veloso.

De acordo com o delegado da Polícia Federal Paulo Cassiano Júnior, aquele que pratica o jogo do bicho acaba por contribuir com diversas outras atividades criminosas que trazem um grande prejuízo para a sociedade. “A tolerância social ao jogo serve como combustível para que o jogo ainda sobreviva depois de tanto tempo”, afirmou o delegado.

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