Cassilândia, Terça-feira, 06 de Dezembro de 2016

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06/05/2005 14:13

Falta armazém para alimentos para índios em Dourados

Helio de Freitas, de Dourados / Campo Grande News

Em Dourados, segunda cidade de Mato Grosso do Sul e onde está localizada a mais populosa área indígena do Brasil, falta estrutura para armazenar os alimentos enviados ao município pelo programa Fome Zero, do governo federal. O problema chegou a ameaçar uma remessa de comida em abril. As carretas que levaram 27 toneladas de alimentos para Dourados quase voltaram sem descarregar os produtos por falta de local de armazenamento. A afirmação é do chefe do Núcleo da Funai (Fundação Nacional do Índio) em Dourados, Israel Bernardo da Silva.
Na manhã desta sexta-feira, Bernardo disse ao Campo Grande News que “se viu obrigado” a providenciar uma sala na sede do núcleo para estocar os alimentos. Esta semana, o fato de grande quantidade de comida permanecer estocada enquanto índios passam fome reacendeu o escândalo nacional em que se transformou a miséria dos índios guaranis-caiuás de Mato Grosso do Sul. Como conseqüência, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou uma espécie de intervenção nas aldeias douradenses com a nomeação de uma comissão interministerial que terá a missão de solucionar os problemas das aldeias Bororó e Jaguapiru.
Israel Bernardo afirma que teve de guardar os alimentos na sede do núcleo porque a Prefeitura de Dourados e o Exército se recusaram a armazenar a comida destinada aos índios e a Funasa (Fundação Nacional de Saúde) alegou não ter estrutura para armazenamento. Ele afirmou que a Funai não tem nenhuma obrigação de distribuir a comida aos índios. “A responsabilidade pela distribuição é da Funasa, que tem o mapeamento daquelas famílias que precisam receber as cestas. Nós só guardamos os alimentos. Eu sabia que ia dar problema (sic), mas não podia permitir que os alimentos voltassem por falta de um lugar para guardar”, disse o chefe da Funai.
Bernardo declarou que essa é a terceira grande remessa de alimentos feita pelo governo federal a Dourados após o escândalo sobre a morte de crianças índias por desnutrição em Mato Grosso do Sul. A primeira remessa, segundo ele, foi armazenada pela prefeitura e a segunda pelo Exército. “Quando chegou a segunda remessa, a prefeitura não quis mais guardar por causa de problemas sobre a quantidade dos alimentos [houve contagem errada sobre o número de cestas produzidas no período em que os alimentos estavam com a prefeitura]. Aí o Exército guardou, mas dessa vez eles não quiseram mais armazenar os alimentos. Como a Funasa não tinha espaço físico (...), nós desocupamos uma sala e guardamos a comida. Os funcionários do núcleo ficaram trabalhando até de madrugada. Pedimos ajuda da prefeitura e do Exército, mas ninguém ajudou”, conta Israel Bernardo.
A história narrada por Israel Bernardo contradiz a versão do coordenador regional da Fundação Nacional de Saúde, Gaspar Hickmann, que disse não ser da Funasa a responsabilidade pela distribuição dos alimentos. “Desde quando os alimentos começaram a chegar, o compromisso de distribuição é da Funasa e do Segurança Alimentar”, afirmou Bernardo.
A falta de local para armazenamento da comida enviada aos índios pode piorar a partir de agora. O chefe do Núcleo da Funai disse que o órgão não vai mais guardar a comida. “Isso [o armazenamento dos alimentos] está nos causando um transtorno muito grande. Nossa estrutura é limitada e vou precisar da sala para receber um pessoal de Brasília que está vindo para resolver questões técnicas, sobre documentos dos índios”, afirmou Bernardo.
A secretária de Assistência Social de Dourados, Ledi Ferla, disse que a prefeitura nunca negou ajuda aos órgãos federais, mas afirmou que a responsabilidade pela questão indígena é da Funai. “Existe um órgão federal responsável pela questão indígena que é a Funai. É a Funai que tem a obrigação de receber esses alimentos. Toda a documentação vem em nome da Funai”, disse ela ao ser indagada se a prefeitura não teria estrutura para armazenar os alimentos enviados aos índios.
Israel Bernardo afirmou que vai sugerir à Funasa que os alimentos fiquem estocados na reserva indígena, “perto do controle dos índios”.
O coordenador de ações de saúde da Funasa de Dourados, Antônio Costa, admitiu esta manhã que os alimentos são atribuição do órgão e argumentou que os alimentos não estão encalhados, mas sendo distribuídos gradativamente.

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