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18/05/2005 15:31

Exploração sexual faz vítimas em 31 cidades de MS

Fernanda Mathias e Jacqueline Lopes / Campo Grande News

As fronteiras de Mato Grosso do Sul com o Paraguai e a Bolívia estão entre os pontos mais críticos em relação à exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil. Segundo estudo da UNB (Universidade de Brasília) que está sendo divulgado hoje, no Estado 31 municípios têm comprovação de exploração sexual comercial de crianças e adolescente.

De acordo com a pesquisadora Fátima Leal, uma das coordenadoras do estudo, já em 2002 pesquisas sobre as rotas da exploração sexual mostravam o problema nas fronteiras, que não foi enfrentado. “O que nos preocupa na situação de Mato Grosso do Sul é o tráfico de drogas, que está diretamente relacionado”, observa.

Entre as cidades com comprovação de tráfico ou exploração sexual, pornografia, turismo sexual e prostituição estão: Água Clara, Amambai, Anastácio, Antônio João, Aparecida do Taboado, Aquidauana, Bandeirantes, Bonito, Caarapó, Campo Grande, Corumbá, Costa Rica, Coxim, Dourados, Eldorado, Jardim, Miranda, Mundo Novo, Naviraí, Nioaque, Nova Alvorada do Sul, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã, Porto Murtinho, Ribas do Rio Pardo, Rio Brilhante, Rio Verde de Mato Grosso, Rochedo, Sidrolândia e Três Lagoas.

Numa seleção ainda mais apurada, no País 104 municípios foram apontados com vulnerabilidade maior, por estarem em região de fronteira. As cidades de Mato Grosso do Sul representam 17% deste número. São 18: Amambai, Anastácio, Antônio João, Aquidauana, Bonito, Caarapó, Corumbá, Dourados, Eldorado, Jardim, Miranda, Mundo Novo, Naviraí, Nioaque, Ponta Porã, Porto Murtinho, Rio Brilhante e Sidrolândia. A atenção dispensada ao Estado é a mesma que ao Norte do País e Foz do Iguaçu, outras áreas consideradas problemáticas.

A proposta do estudo, que estará sendo divulgado hoje no Congresso Nacional, em Brasília, é respaldar políticas públicas que envolvam governo, ONGs (Organizações Não-Governamentais) e sociedade civil no combate à exploração sexual. “É preciso haver garantia de emprego e renda, políticas que dêem retaguarda”, afirma Fátima Leal. O estudo do Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes no Brasil (1996 a 2004), realizado pelo Grupo de Pesquisa sobre Violência e Exploração Sexual do Departamento de Serviço Social UnB. O trabalho recebeu financiamento de R$ 40 mil da organização não-governamental sueca Save the Children (Salve as Crianças).

Casos concretos – Porto Murtinho, uma das cidades destacadas, teve no final do ano passado uma situação que exemplifica bem o cenário da exploração sexual. Em outubro, às vésperas do início da piracema (quando o turismo de pesca tem movimento maior) foram retiradas duas adolescentes de 13 anos de um prostíbulo. Elas tinham sido trazidas do Paraná. Houve quatro prisões e a Justiça determinou o fechamento de todos os prostíbluos da cidade.

Outras situações de exploração foram constatadas em Campo Grande no começo do mês. Cinco adolescentes, entre 12 e 17 anos, duas crianças, de 8 e 6 anos, e um bebê de sete meses foram retirados de dois prostíbulos. As garotas estavam se prostituindo nos locais.

O dia - O dia 18 de maio nasceu na Bahia, em 1998, quando cerca de 80 entidades públicas e privadas, reuniram-se no I Encontro do Ecpat (End Child Prostitution, Child Pornography and Trafficking of Children for Sexual Purpose), organização internacional que luta pelo fim da exploração sexual e comercial de crianças. Foi nesse encontro que surgiu a idéia de criação de um Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual Infanto-Juvenil.

A data foi escolhida para que não seja esquecida a história de Araceli Cabrera Sanches. Aos oito anos de idade, ela foi seqüestrada, drogada, espancada, estuprada e morta por membros de uma tradicional família de Vitória (ES). Na época, o silêncio da sociedade capixaba acabaria por decretar a impunidade dos criminosos. Os acusados eram conhecidos na cidade pelas festas que promoviam em seus apartamentos e em um lugar , na praia de Canto, chamado Jardim dos Anjos.

A família da menina silenciou diante do crime. Sua mãe, viciada em cocaína, foi acusada de fornecer a droga para pessoas influentes da região, inclusive para os próprios assassinos.

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