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21/07/2005 08:16

Explicações sobre contas eleitorais não convencem CPMI

Agência Câmara

Durante as perguntas na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, o tesoureiro licenciado do PT, Delúbio Soares, informou que o PT arrecadou R$ 48 milhões em 2004, mas gastou R$ 68 milhões, gerando um déficit de R$ 20 milhões. Ele disse também que débitos de 2002 e a preparação para a campanha de 2004 causaram o déficit de R$ 39 milhões, para o qual ele pediu os empréstimos de Valério. Segundo Delúbio, o PT recebe aproximadamente R$ 1,7 milhão por mês do fundo partidário e R$ 800 mil de contribuições dos filiados que detêm mandatos ou cargos. Os R$ 18 milhões restantes arrecadados em 2004 viriam de contribuições de empresas.
Na opinião do deputado Onyx Lorenzoni (PFL-RS), a versão de Delúbio para os empréstimos - que cobririam dívidas do PT - é mentirosa. Lorenzoni lembrou que o déficit de campanha assumido pelo PT nos estados em 2002 foi de R$ 27 mil, enquanto em 2004, o valor subiu para R$ 4 milhões. Para o deputado, a dívida de apenas R$ 27 mil não justificaria o empréstimo feito em 2003. Para Lorenzoni, a informação de que os empréstimos tomados pelo PT seriam de R$ 39 milhões também é falsa. Ele citou dados do depoimento de Marcos Valério à Procuradoria-Geral da República para argumentar que os recursos eram de R$ 69,2 milhões.

Garantia de empréstimos
Em resposta ao deputado Asdrúbal Bentes (PMDB-PA), Delúbio afirmou que não assinou nenhum documento como garantia dos empréstimos e disse ainda que, na época, em 2003, o então presidente do PT, José Genoino, não sabia dos negócios, nem conhecia Marcos Valério. Denise Frossard duvidou da informação de que os empréstimos bancários e não-contabilizados destinados a partidos não tivessem garantia. "As informações já obtidas com a análise de documentos desenham uma organização criminosa com intenção de mexicanizar a política brasileira", avaliou, citando frase dita anteriormente pelo senador Jefferson Peres (PDT-AM) para se referir a quem participa do suposto esquema de "mensalão".
A deputada perguntou a Delúbio Soares qual era o papel dele na viagem à África feita com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em novembro de 2003. Delúbio disse que apenas representou o PT na comitiva e explicou, sobre os empréstimos não-contabilizados, que Marcos Valério apenas pediu ampliação da participação de suas agências nas campanhas de marketing político.

Repasse ao PTB
O tesoureiro licenciado admitiu ter repassado dinheiro para o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), mas não informou os valores nem as condições da operação. O deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) questionou Delúbio sobre o pagamento de R$ 20 milhões ao PTB nas eleições municipais de 2004, mas ficou sem resposta. O depoente afirmou apenas que as investigações comprovarão o quanto o PTB recebeu e declarou que não houve acordo com o PTB nas cidades do Recife e em Belém, onde o PT tinha candidatura própria.

Assumindo a responsabilidade
O senador Roberto Saturnino (PT-RJ) concordou com a tese da deputada Juíza Denise Frossard (PPS-RJ) de que a estratégia de defesa adotada por Delúbio não é adequada e até prejudica a sustentabilidade do Governo Lula. Para o senador, Delúbio está tomando para si toda a responsabilidade da existência de caixa dois no PT.
A deputada Juíza Denise Frossard (PPS-RJ) criticou a estratégia de defesa adotada pelos advogados contratados pelo PT para Delúbio Soares e para o secretário-geral licenciado, Silvio Pereira. Na opinião dela, a defesa está jogando os depoentes na fogueira e livrando o partido de qualquer responsabilidade.
O tesoureiro licenciado do PT disse ainda que foi à CPMI com humildade, assumindo a responsabilidade por um empréstimo não contabilizado. Ele reforçou que as investigações vão dizer se é somente o PT mantém um caixa dois para as campanha eleitorais, mas ressaltou que "a CPI dos Correios não pode ser transformada na CPI do PT". Delúbio informou ainda que esteve com Marcos Valério nesta semana para tranquilizá-lo sobre o pagamento dos empréstimos e que vai negociar com a nova Executiva do PT o pagamento da dívida.
Para Onyx Lorenzoni, a entrevista concedida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a uma jornalista free-lancer, transmitida pela TV Globo no domingo, segue a mesma linha de argumentação de Delúbio Soares e do secretário-geral licenciado do PT, Silvio Pereira. O deputado gaúcho acredita que ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, está por trás da defesa petista.
Lorenzoni questionou ainda o salário do depoente. Delúbio, porém, não deu a informação e afirmou que os dados constam de sua declaração de imposto de renda, encaminhada à comissão. Pouco depois, entretanto, o depoente informou os valores para o deputado Jorge Bittar (PT-RJ). Segundo ele, com uma renda familiar mensal de R$ 13 mil, os seus bens são constituídos por um veículo de R$ 71 mil, pago em prestações, e R$ 163 mil em contas bancárias.
O deputado Carlos Abicalil (PT-MT), por sua vez, considerou que o debate na CPMI precisa ir além da análise das denúncias que originaram as investigações e a CPMI. Segundo Abicalil, a denúncia da existência de caixa dois nas campanhas eleitorais de 2002 também não é novidade. Ao contrário, a infração, de acordo com o parlamentar, é recorrente na história política brasileira.



Reportagem - Cristiane Bernardes e Ana Raquel Macedo
Edição - Regina Céli Assumpção

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