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22/02/2016 11:00

Exercícios e síndrome da dor femoropatelar

Educação Física.org

 

A síndrome da dor femoropatelar (SDFP) é muito comum entre adolescentes e adultos jovens. Sua prevalência é alta porque pode ocorrer em pacientes com diferentes níveis de atividades físicas. O sintoma mais comum é a dor em torno da patela quando o indivíduo se senta com os joelhos flexionados ou quando realiza exercícios como subir escadas ou agachamentos.

A etiologia da SDFP é bastante discutida na literatura, porém um consenso ainda não foi definido. Sabe-se que alterações físicas e biomecânicas na articulação patelofemoral e desequilíbrios musculares resultam em dores o que se agrava durante as atividades funcionais. Existem diversos fatores relacionados com o equilíbrio estático e dinâmico que contribuem para o surgimento da SDFP. De etiologia multifatorial considera-se atualmente o mau alinhamento do membro inferior, o desequilíbrio da musculatura extensora, a insuficiência do vasto medial, fraqueza da musculatura do quadril, atividade excessiva, a diferença entre o início da contração muscular do vasto medial e o vasto lateral e a incongruência entre a patela e o sulco troclear como fatores contribuintes para a origem da dor anterior do joelho.

Diferentes tratamentos que incluem drogas ou massagens são utilizados na tentativa de reduzir a dor e as dificuldades funcionais durante as atividades diárias.

Programas de exercícios físicos para fortalecer os músculos que rodeiam e apoiam o joelho é outra opção. Existem evidências de que as terapias que utilizam exercícios físicos são capazes de ajudar a reduzir a dor da SDFP. Exercícios para fortalecer o quadríceps são muitas vezes prescritos, embora ainda haja controvérsias em sua eficácia.

Heintjes et all (2003) selecionou entre 750 publicações 12 estudos que analisaram a aplicação de exercícios para fortalecimento do quadríceps.

Dentre estes estudos, três utilizaram grupos controles que não receberam terapia de exercícios. A redução da dor significativamente maior nos grupos de exercício foi encontrada em dois destes estudos, embora em pontos de tempos diferentes. Apenas um estudo relatou significativa melhoria da capacidade funcional com o exercício.

Cinco estudos compararam diferenças entre exercício em cadeia cinética fechada (pés apoiados em uma superfície) versus exercício em cadeia cinética aberta (pés não estão apoiados em uma superfície). Dois destes estudos foram de alta qualidade, mas não houve diferenças significativas na melhoria da função ou na redução da dor entre os diferentes tipos de exercícios. Os quatro estudos restantes, focaram a eficácia do exercício em comparação a outros tratamentos.

Um estudo liderado por Cabral et all (2008) teve como objetivo comparar a eficácia do fortalecimento muscular na recuperação funcional da SDFP utilizando exercícios de cadeia cinética aberta e fechada. Foram selecionadas 20 mulheres com SDFP divididas em dois grupos: o Grupo 1 realizou fortalecimento do músculo quadríceps femoral em cadeia cinética aberta e o Grupo 2 em cadeia cinética fechada, durante oito semanas com frequência de duas vezes semanais. Foi avaliada a dor, capacidade funcional, flexibilidade, encurtamento dos músculos isquiotibiais, ângulo Q e eletromiografia dos músculos vasto medial. Os resultados encontrados sugeriram que os tratamentos baseados no fortalecimento do músculo quadríceps femoral possibilitaram melhoras importantes nos principais sinais e sintomas apresentados pelas pacientes, não havendo diferenças evidentes entre os realizados em cadeia cinética aberta e cadeia cinética fechada.

Heintjes et all (2003) concluiu em suas revisões que as evidências da redução da dor foi limitada quando se compara o exercício com outros métodos de tratamentos e também encontrou alguns conflitos com respeito a melhoria da capacidade funcional.

Houve uma forte evidência de que os exercícios de cadeia cinética aberta e fechada são igualmente eficazes. Mais pesquisas que utilizam grupos controles são necessárias para concluir a eficácia dos exercícios físicos. Além disso, Heintjes et all (2003) afirma que estudos mais aprofundados com procedimentos metodológicos mais eficazes são necessários.

Cabral (2006) comparou a eficácia de exercícios de fortalecimento do músculo quadríceps femoral e alongamento dos músculos da cadeia posterior na recuperação funcional de pacientes com SDFP. Os resultados mostraram que a intensidade da dor apresentou melhora significativa. Os dados sugerem que os exercícios de alongamento muscular, em especial o global, também devem ser indicados no tratamento de pacientes com SDFP, principalmente nas fases iniciais, onde se objetiva uma redução efetiva da intensidade da dor. Além disso, também possibilita um maior realinhamento do joelho (redução do ângulo Q) e aumento da flexibilidade, o que pode facilitar o fortalecimento muscular.

Um estudo de revisão (SONTAG, 2012), afirma que dentre os protocolos de tratamento, em geral os exercícios em cadeia cinética fechada são melhores, pois diminuem as forças de cisalhamento e enfatizam as co-contrações, quando comparados aos de cadeia cinética aberta. No entanto, ambos os exercícios reduzem a dor e melhoram o desempenho nas atividades funcionais em indivíduos com SDFP, pois tanto os exercícios de cadeia cinética fechada, quanto os de cadeia cinética aberta devem ser realizados em ângulos seguros, determinados pelos sinais e sintomas do paciente.

Outro estudo (FEHR et all, 2006) percebeu diferenças entre os exercícios de cadeia cinética aberta e fechada. Este estudo analisou os efeitos terapêuticos dos exercícios em cadeia cinética aberta e cadeia cinética fechada no tratamento da síndrome da dor femoropatelar. Neste estudo, 24 sujeitos portadores de SDFP foram aleatoriamente divididos em dois grupos: grupo I (n = 12): realizou exercícios em cadeia cinética aberta; grupo II (n = 12): realizou exercícios em cadeia cinética fechada.

Os grupos foram submetidos a oito semanas consecutivas de tratamento, que consistiu de três sessões semanais realizadas em dias alternados. Os resultados deste estudo sugeriram que os exercícios em cadeia cinética aberta e cadeia cinética fechada não provocaram mudanças nos padrões de ativação dos sinais eletromiográficos dos músculos vasto medial e vasto lateral; entretanto, promoveram melhoria da funcionalidade e redução da dor após oito semanas de intervenção, sendo que os exercícios em cadeia cinética fechada foram superiores aos em cadeia cinética aberta.

Em uma revisão de literatura, Nobre (2011) comparou a eficácia dos exercícios em cadeia cinética aberta com os em cadeia cinética fechada, para a recuperação funcional dos portadores da disfunção femoropatelar. Concluiu-se que os benefícios para a aplicação desses protocolos não são bem documentados, faltando evidências científicas para comprovar a real eficácia desses exercícios na melhora do desempenho do músculo quadríceps femoral ou auxiliar no equilíbrio muscular dos estabilizadores dinâmicos da patela.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Embora ainda se tenha algumas controvérsias quanto à eficácia dos tratamentos que envolvem exercícios, muitos estudos evidenciam a redução da dor e a melhoria da capacidade funcional de pacientes com SDPF. Quanto ao tipo de exercício empregado, a maioria dos estudos não encontraram diferenças significativas entre as eficácias dos exercícios de cadeia cinética fechada e cadeia cinética aberta.

Autor: Luciano Carlos Fernandes - Professor de Educação Física – CREF 6 / MG – 4812 G - Especialista em Treinamento Desportivo – UFV - Editor do www.educacaofisica.org

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