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25/05/2005 09:36

Ex-peixeiro fatura hoje US$ 1 milhão por mes no Japão

Spensy Pimentel/ABr

Iwata (Japão) – Ele tinha 13 anos quando se tornou arrimo de família, responsável pela mãe, a avó e duas irmãs. Herdou do pai o comércio itinerante de pescados nas feiras da zona leste de São Paulo e, aos 17 anos, o pacote econômico lançado pelo então presidente Fernando Collor de Mello gerou mais uma mudança radical na vida do jovem Edson Massatoshi Tamada.

O dinheiro que Tamada utilizava como capital de giro e mantinha na poupança foi confiscado, e as dividas da família junto a agiotas se acumularam. A sorte foi que a passagem já estava comprada. Seguindo o exemplo dos vários amigos e conhecidos da comunidade de origem japonesa que começaram a seguir em massa para o Japão em 1990, Tamada resolveu se aventurar no país de origem dos avós. "Vim com o intuito de ficar seis meses. Na época, fiquei com muita raiva mesmo, mas hoje eu agradeço ao nosso presidente Collor".

Por três anos, Tamada trabalhou duro na indústria automobilística de Hamamatsu (na província de Shizuoka, a sudeste de Tóquio). Em 1993, voltou ao comércio. Vendia e comprava carne, depois passou a passou a importar cuecas e meias brasileiras. Num tempo em que os brasileiros no Japão ainda sofriam com saudade dos produtos da nossa culinária, apesar de terem salários superiores a US$ 2 mil, em média, Tamada passou a importar e comercializar alimentos nas cidades com maior concentração da comunidade dekassegui.

Hoje, Tamada e um dos principais empresários brasileiros no Japão. Emprega cerca de 250 pessoas, quase todas brasileiras. Fatura mais de US$ 1 milhão por mês com a distribuição de alimentos em mais de 1.000 pontos pelo Japão. E não só importa, mas fabrica itens como pão francês, salsicha, lingüiça e até mortadela Ceratti – sua empresa tem a licença da marca em toda a Ásia. Os negócios de Tamada crescem a um ritmo que chega a 40% ao ano.

O empresário também esta iniciando a montagem de redes de padarias, açougues, churrascarias e academias esportivas pelas várias cidades com maior concentração de brasileiros. Tamada conta que já é procurado pelos próprios bancos japoneses propondo-lhe financiamento, inclusive para a abertura de negócios no Brasil. Aqui, ele já abriu uma academia de ginástica e prepara novos investimentos.

A expansão das importações para o Japão esbarram em velhos problemas. A fábrica de frios foi montada porque a carne brasileira não pode ser vendida para o país. "O Brasil ainda não tem forca política para abrir o mercado japonês. O que deveria ser feito é desenvolver o mercado interno no Brasil, em vez de gastar tempo com disputas comerciais em que, nós sabemos, os americanos e outros países ricos têm interesse". A mortadela Ceratti no Japão tem que ser feita com carnes da Austrália, onde Tamada já planeja comprar uma fazenda, apenas para abastecer seus pontos de venda.

Tamada também mantém desde 2003 um orfanato no Brasil. "Infelizmente, muitos vêm aqui para o Japão e sucumbem diante da força do dinheiro. Esquecem a família, os amigos". O empresário diz que já recusou propostas para conseguir a nacionalidade japonesa. "Quero vencer como brasileiro, para provar que somos um povo capaz", conta Tamada, enquanto segura a pequena imagem de Nossa Senhora Aparecida. Para a santa, conta ele, tinha feito em Aparecida do Norte, antes de sair do Brasil, a promessa de vencer na vida e honrar a memória do pai, Lauro.

Do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que visita esta semana o Japão, Tamada diz o que espera: "Ele tem que mostrar que o Brasil hoje e outro. E tem que fazer o empresário brasileiro olhar mais para o Japão, não só para os Estados Unidos e a União Européia. Depois, pode deixar com a gente, aí não e mais política, e comércio".

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