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17/10/2020 07:40

Evandro Pelarin: Respeito ao professor

Para o país sair desse atoleiro, de maneira consistente e duradoura, só há um caminho: a educação, o que passa, necessariamente, pelo resgate do professor como autoridade fundamental e principal na sociedade.

Redação
Evandro Pelarin: Respeito ao professor

Na quermesse, diante da Igreja, em Cassilândia, MS, onde fui criado. Moleque, lembro-me da cena. Meu pai, em tom reverencial: "Vejam, chegou o professor Gilberto!". Era uma autoridade, publicamente reconhecida. Isso ficou em minha mente. Quase quatro décadas depois, de uma professora, numa escola na zona norte, aqui em Rio Preto: "Doutor, sinto-me uma mulher invisível; tanto faz se estou ou não em sala de aula". Em seguida, ouço relatos de indisciplinas, desacatos, agressões, etc.

Essa mudança de tratamento coincide com alguns descalabros. O Brasil de hoje é um dos últimos colocados no Programa Internacional de Avaliação de Alunos. É o maior consumidor de crack do mundo. O segundo, em cocaína e maconha. Ostenta o terrível índice de 50 mil homicídios por ano, aproximadamente. Tem uma das maiores populações carcerárias do planeta, em números absolutos, com o crime organizado não apenas dentro dos presídios, mas também a corromper a política e a debilitar o Estado.

Como mostra a nossa própria história, portanto, para o país sair desse atoleiro, de maneira consistente e duradoura, só há um caminho: a educação, o que passa, necessariamente, pelo resgate do professor como autoridade fundamental e principal na sociedade. Aliás, a Coreia do Sul, pobre e atrasada, 40 anos atrás, transformou-se numa potência global, precisamente, ao elevar a posição social do professor, que é a figura central também na China, cujo gigantismo econômico baseia-se num sistema de ensino meritório aos docentes.

Um grande plano educacional, sustentado na valorização do professor, evidentemente, depende de longo prazo, com planos de carreira, garantias e proventos especiais, entre outros. Ocorre que, além de cuidar para que esse imperativo projeto não se torne mais um truísmo apropriado para politicagens, devemos nos atentar para a emergência que nos remete a outro campo de atuação, preliminar, pra já, que é a aplicação da lei para a proteção do professor. 

Diante de um país inteiramente violento, a escola não seria o oásis da segurança, o que parece evidente. Porém, se queremos iniciar a ambiciosa mudança educacional, é pela escola, que agrega grande parte da população em desenvolvimento e em regime de aprendizado, que devemos ensinar, primeiramente palestrando, que é inadmissível qualquer tipo de agressão ao professor. Depois, punir os infratores e os pais que os acobertam. Diga-se de passagem, se há uma alteração urgente a ser feita na lei penal, o que vale para a adolescência, é a de considerar a agressão ao professor como um atentado à coletividade, com penas mais agudas e a certeza de que serão impostas. Em suma, se houver consenso quanto à centralidade da educação como a primeira de nossas prioridades, a discussão em torno da forma e do modo de como esse processo fluirá não prejudica a necessidade urgente de demonstrar, com toda a força, a importância do professor para toda a sociedade, quer pela insistência no tema, como aqui se faz, quer pela sua persistente proteção. Para nós, da justiça da infância e da juventude, o professor é a nossa autoridade maior, a quem enviamos o nosso respeito, a nossa distinta consideração e um forte abraço, com um singelo: "estamos juntos".

DR. EVANDRO PELARIN, cassilandense, é Juiz de Direito da Vara da Infância e Juventude de São José do Rio Preto, Estado de São Paulo.

Quando criança sempre dizia que queria ser professora, pois tinha respeito e admiração pelas professoras. Trilhando esse caminho, na universidade, desisti da ideia ao fazer estágio. A indisciplina e a falta de respeito da grande maioria dos alunos (e pais que não estão nem aí) para o com professor é uma coisa horripilante.
 
MARLENE LISARDO DA SILVA em 19/10/2020 09:28:20
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