Cassilândia, Segunda-feira, 25 de Setembro de 2017

Últimas Notícias

22/08/2017 07:40

Evandro Pelarin: Fazendeiro não é bandido!

Magistrado Evandro Pelarin
Evandro Pelarin: Fazendeiro não é bandido!

 

 

 

Setores da burocracia estatal e da grande imprensa, influenciados, em grande parte, por agências de governos e ONGs internacionais, tratam os produtores rurais brasileiros como criminosos. Para eles, fazendeiros, sitiantes e arrendatários usam as terras para praticar o mal, destruindo o meio ambiente ou usurpando florestas que seriam patrimônio do mundo, não do Brasil.

Anos atrás, diga-se de passagem, um Ministro do Meio Ambiente chegou a se referir aos produtores rurais brasileiros como “vigaristas”. Ao mesmo tempo, afagava invasores de terras. Eu não tenho qualquer porção de terra. Porém, é difícil ver uma injustiça, desse tamanho, e não se manifestar.

Nenhum país do mundo tem regras tão rígidas para preservação do meio ambiente como o Brasil. Aqui, matar uma capivara ou arrancar uma árvore dá cadeia. Todavia, essa mesma lei ambiental parece que não vale, em rigidez, aos invasores de terras, quando eles devastam as propriedades invadidas, queimam pastos e matam criações.

Se essa discriminação aos produtores rurais não bastasse, volta e meia, insistem na alteração dos índices de produtividade no campo. Em outras palavras, o Ministério do Desenvolvimento Agrário acha que fazendeiros e sitiantes estão produzindo pouco e, se continuarem assim, suas terras serão desapropriadas.

Nos últimos 25 anos, a produção agrícola e pecuária brasileira se multiplicou, utilizando, para isso, míseros dez por cento a mais de terra virgem. Ou seja, o setor agrícola foi o que mais avançou em produtividade e tecnologia, com pouco avanço sobre novas áreas rurais. Todavia, quanto mais o empresário rural investe em tecnologia e produtividade, mais põe a sua propriedade em risco, já que aumentam as exigências. Torna-se, assim, uma categoria vítima de sua própria eficiência.

Interessante notar que ninguém define o dano ao meio ambiente causado pelas cidades, ou qual deve ser a produtividade de uma planta industrial urbana. Mas o proprietário rural é tratado, a princípio, como réu na questão do meio ambiente e como inepto na produtividade agrícola. Só para lembrar: os economistas apontam o agronegócio como o maior responsável pela elevação da riqueza nacional nos últimos anos e esteio permanente da balança comercial.

Recentemente, estive na Califórnia e observei que, lá, eles acabaram com rios, nascentes, etc. Sobrou pouca coisa. Vi que usam qualquer pedaço mínimo de terra para plantar, com extrema voracidade. Mas o que eles são bons mesmos, pude notar melhor, é criminalizar os outros na questão ambiental. E esse discurso é absorvido aqui, no Brasil, como uma espécie de cultura chique, superior. No fundo, o Brasil vem entregando sua soberania a partir de uma pregação protecionista de quem nunca fez e não faz a sua parte.

Conversando, lá nos EUA, com um fazendeiro australiano, dele ouvi que o Brasil é “um perigo”, no sentido de que, sozinho, tem potencial para alimentar o mundo e ditar o preço mundial de várias “commodities”, mercadorias agrícolas. Mas, esse controle econômico está nas mãos de quem cria e difunde o discurso de que, aqui, fazendeiro é um fora-da-lei.

Evandro Pelarin é cassilandense. Graduado e Mestre em Direito pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Graduado em História pela Fundação Educacional de Fernandópolis (FEF). Juiz de Direito da Vara da Infância e Juventude de São José do Rio Preto. Foi Advogado e Professor de Direito na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul. Palestrante na área do Direito da Infância e Juventude.

 

 

 

Envie seu Comentário
Os comentários feitos no Cassilândia News são moderados. Antes de escrever, observe as regras e seja criterioso ao expressar sua opinião. Não serão publicados comentários nas seguintes situações:

1. Sem o remetente identificado com nome, sobrenome e e-mail válido. Codinomes não serão aceitos.
2. Que não tenham relação clara com o conteúdo noticiado.
3. Que tenham teor calunioso, difamatório, injurioso, racista, de incitação à violência ou a qualquer ilegalidade.
4. Que tenham conteúdo que possa ser interpretado como de caráter preconceituoso ou discriminatório a pessoa ou grupo de pessoas.
5. Que contenham linguagem grosseira, obscena e/ou pornográfica.
6. Que transpareçam cunho comercial ou ainda que sejam pertencentes a correntes de qualquer espécie.
7. Que tenham característica de prática de spam.

O Cassilândia News não se responsabiliza pelos comentários dos internautas e se reserva o direito de, a qualquer tempo, e a seu exclusivo critério, retirar qualquer comentário que possa ser considerado contrário às regras definidas acima.
Restamcaracteres.
 
imagem transparente
Últimas notícias
Scroller Top
Domingo, 24 de Setembro de 2017
18:01
Município suspende aulas
11:00
Mundo fitness
10:00
Receita do dia
Sábado, 23 de Setembro de 2017
Scroller Bottom

  • Idalus Internet Solutions
  • TOP DataCenter e Internet
  • Disponível na AppStore
  • Disponível no Google Play
Rua Sebastião Leal, 845, CEP: 79.540-000, Cassilândia (MS)