Cassilândia, Segunda-feira, 21 de Agosto de 2017

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31/07/2017 18:00

Estudo questiona necessidade de tomar antibióticos até o fim

EPharma Notícias

Continuar tomando antibióticos mesmo após o desaparecimento dos sintomas da doença é uma prática amplamente difundida entre médicos e pacientes, mas um estudo publicado nesta quinta-feira no “British Medical Journal” propõe que ela está errada. Segundo Martin Llewelyn, pesquisador na Escola Médica Sussex e coautor da pesquisa, não existem evidências de que esticar o tratamento para além do necessário diminua os riscos do desenvolvimento de resistência das bactérias, pelo contrário, o risco aumenta.

“Antibióticos são vitais para a medicina moderna, e a resistência a antibióticos é uma ameaça global e urgente à saúde humana”, dizem os pesquisadores. “A relação entre exposição a antibióticos e a resistência é inequívoca, tanto em nível populacional como nos pacientes individuais. Por isso, a redução do uso desnecessário de antibióticos é essencial para mitigar o desenvolvimento de resistência”.

Tradicionalmente, os médicos receitam aos pacientes que terminem o ciclo completo dos antibióticos por uma questão lógica: se algum micróbio causador da infecção sobreviver, ele pode desenvolver resistência ao tratamento e se tornar mais difícil de ser combatido. Os pesquisadores concordam que em alguns casos, como o da tuberculose, isso é verdadeiro. Mas a maioria das doenças bacterianas são provocadas por micro-organismos presentes em todos os humanos, como Escherichia coli e Staphylococcus aureus, que só provocam doenças quando entram na corrente sanguínea ou no sistema digestivo. E quanto mais longa for a exposição às drogas, maiores as chances de desenvolverem resistência.

Os cientistas analisaram a literatura médica sobre a prática, e encontraram “poucas evidências” de aumento das chances de um tratamento falhar se os pacientes não cumprirem todo o ciclo. Historicamente, dizem os pesquisadores, os “ciclos de antibióticos foram ajustados por precedentes, guiados pelo temor do subtratamento, com menos preocupações sobre o uso em excesso”.

INEXISTÊNCIA DE DADOS CIENTÍFICOS

“Para a maioria das indicações, estudos para identificar a duração do tratamento mínima simplesmente não foram realizados”, apontam os pesquisadores.

Eles citam como exemplo a pielonefrite, a infecção bacteriana nos rins. Historicamente, o tratamento recomendado é de duas semanas, mas testes demonstram que ciclos mais curtos, de sete dias com ciprofloxacina e cinco, com levofloxacina, são suficientes. E não existem pesquisas com antibióticos β-lactâmicos, a principal classe de medicamentos, que inclui a penicilina e seus derivados.

E essa posição é apoiada por outros pesquisadores. Peter Openshaw, da Sociedade Britânica para Imunologia e professor da universidade Imperial College London, sugere que os antibióticos devem ser usados apenas para reduzir a população de bactérias a um nível que possa ser combatido pelo próprio sistema imunológico do paciente, mas ressalta que existem “circunstâncias claras” em que os antibióticos devem ser tomados por períodos maiores, como em casos de imunodeficiência e no combate a micro-organismos que se espalham devagar e podem se manter dormentes, como a tuberculose.

— Eu sempre pensei ser ilógico dizer que parar um tratamento com antibióticos antes do recomendado promove o surgimento de organismos resistentes aos medicamentos — afirma o pesquisador. — Essa breve, mas consistente revisão apoia a ideia de que os antibióticos podem ser usados com mais moderação, ressaltando que as evidências para a longa duração são, na melhor das hipóteses, tênues. Longe de ser irresponsável, reduzir a duração do ciclo de antibióticos pode tornar a resistência menos provável.

Alison Holmes, também da Imperial College London, classifica a prática de longos tratamentos como um “dogma persistente”.

— É surpreendente que, além de algumas infecções e condições específicas, ainda não saibamos sobre a duração ótima dos ciclos ou as doses em muitas condições — destaca Holmes. — Embora tenha havido um foco enorme no desenvolvimento de novos medicamentos para combater micro-organismos resistentes, não há dados e pesquisas para otimizar a prescrição dos antibióticos existentes em termos de dosagem e duração.

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