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09/09/2017 17:00

Estímulos magnéticos combatem alucinações de esquizofrênicos

EPharma Notícias

RIO — Uma equipe de pesquisadores franceses identificou pela primeira vez a área exata do cérebro envolvida com a “audição de vozes” por esquizofrênicos. As alucinações auditivas, como também são conhecidas, afligem 70% dos pacientes da doença. No estudo, 26 esquizofrênicos foram expostos a um tratamento com estimulação magnética transcraniana (EMT), uma técnica que leva pulsos magnéticos ao cérebro e já é usada no tratamento de outras doenças psiquiátricas. Outros 33 pacientes integraram o grupo de controle e receberam placebo.

Os voluntários da pesquisa receberam pulsos magnéticos de alta frequência por dois dias, com duas sessões diárias. O estímulo foi direcionado para uma área cerebral específica no lobo temporal, que está associado à linguagem. Duas semanas depois, os pacientes foram reavaliados. Entre aqueles tratados com EMT, 34,6% mostraram uma “resposta significativa”. Apenas 9,1% dos pacientes do grupo de controle tiveram uma taxa de sucesso relevante.

— Estas alucinações são um sintoma perturbador da esquizofrenia, tanto para os pacientes quanto para as pessoas próximas a eles — descreve Sonia Dollfus, professora da Universidade de Caen (França) e autora principal do estudo, apresentado ontem no Colégio Europeu de Neuropsicofarmacologia, em Paris. — Com este ensaio, encontramos a área anatômica específica do cérebro associada às alucinações auditivas da doença. E também mostramos que o tratamento com EMT pode fazer diferença em pelo menos alguns casos, embora ainda tenhamos um longo caminho para percorrer.

VOZES DE OFENSAS E COMANDOS

Neuropsiquiatra do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino, Ricardo Oliveira sublinha o efeito danoso das alucinações.

— Os pacientes têm plena convicção de que elas correspondem à realidade. E geralmente essas vozes são depreciativas ou emitem comandos. Raramente têm um tom amigável — revela. — É um erro comum acreditar que estas vozes ocorrem dentro do cérebro. Na verdade, são externas, como se alguém falasse diretamente com o paciente em qualquer outro lugar, do pé do ouvido a outro planeta.

De acordo com Oliveira, o tratamento contra a esquizofrenia é atualmente baseado em medicamentos neurolépticos (calmantes) ou antipsicóticos (sedativos) , que provocam muitos efeitos colaterais. Daí a importância de ter a EMT como uma nova alternativa.

— Quando é usada contra a depressão, por exemplo, a estimulação magnética pode ter efeito por apenas um dia. E cada aplicação custa até R$ 1.200. Portanto, nunca é usada como um tratamento principal. Quando for usada contra a esquizofrenia, não acredito que será suficiente para que alguém fique totalmente curado de alucinações — diz Oliveira.

Avanço no tratamento

O professor da Pós-Graduação em Psiquiatra do Instituto de Pesquisa e Ensino Médico (Ipemed) Anderson Weiber, comemora a identificação da área atingida pela esquizofrenia:

— As descobertas se iniciaram com a eletroconvulsoterapia no final da década de 1930, mas, devido à dificuldade para a aplicação dos métodos, outros foram pesquisados. Agora, usando a estimulação magnética, entramos em uma nova era.

Como o estudo foi realizado com um grupo muito pequeno, Weiber avalia que a próxima medida será estender a aplicação da EMT a outras pesquisas, até ser possível testar seu efeito em toda a população. Outro problema é que a pesquisa não monitorou a reação dos pacientes por um período muito amplo.

— Ainda é cedo para dizer se este será um tratamento disponível e eficaz — pondera. — Estes estudos não acompanham o paciente por longos períodos. E teríamos que estender seus resultados a populações maiores.

Considerando o elevado custo da terapia com EMT e a falta de informações sobre sua duração, o maior legado do estudo francês pode ter sido flagrar em que região do cérebro atua a esquizofrenia.

— Agora que sabemos a área, podemos imaginar como chegar até ela. Podemos implantar um marcapasso cerebral — estima Oliveira. — Trata-se de um efeito prático mais eficaz do que recorrer constantemente a sessões de estimulação magnética.

— Há anos não vemos avanço nos medicamentos para esquizofrenia — acrescenta Weiber. — Estamos felizes porque, agora, há uma nova possibilidade.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a esquizofrenia afeta mais de 21 milhões de pessoas ao redor do mundo. O novo levantamento será publicado, em data ainda não determinada, na revista “Schizophrenia Bulletin: The Journal of Psychoses and Related Disorders”.

DÉFICIT DE MEMÓRIA

Em outro estudo feito em camundongos, um time de cientistas descobriu que as interrupções no deslocamento de células no centro do cérebro resultam em alguns dos graves déficits de memória observados na esquizofrenia e, até hoje, sem tratamento. Pela primeira vez os efeitos da esquizofrenia foram observados no comportamento de animais vivos e no nível de suas células cerebrais individuais. Os resultados deste estudo foram publicados na revista “Nature Neuroscience".

— A esquizofrenia é quase impossível de tratar completamente porque tem duas desordens em uma única doença: de um lado, há a paranoia, alucinações e delírios, e do outro, há déficits de memórias severos — afirma Joseph Gogos, principal pesquisador no Instituto de Comportamento do Cérebro e da Mente da Universidade de Columbia e coautor da pesquisa.

A equipe de cientistas observou ma região do cérebro chamada CA1, localizada no hipocampo e que desempenha um papel importante na navegação (como um GPS) e na memória episódica. Alterações físicas na CA1 foram relatadas anteriormente em pacientes com a doença e este é o local que as células, coletivamente, montam mapas internos no cérebro para identificar ambientes atuais e conhecidos. São estas células que codificam memórias episódicas, como por exemplo onde você estava quando viu seu melhor amigo ou onde seus pais guardam a decoração de Natal.

Os pesquisadores colocaram os dois grupos de animais em uma esteira sob um microscópio de fótons de alta resolução onde foram expostos a uma variedade de visões, sons e cheiros (incluindo uma recompensa de água colocada em locais na esteira). Essas experiências foram projetadas para testar a habilidade dos animais de andarem em um novo ambiente, lembrarem de como andar em um espaço familiar e se adaptarem rapidamente quando esse local for alterado.

Quando os camundongos saudáveis se aproximavam de algo familiar, como a água, as células dessa região disparavam com intensidade e depois diminuíam quando se afastavam. Quando mudavam a localização da água e davam a chance dos animais reaprenderem onde ela estava, a atividade das células repetia o mesmo comportamento. Já os cérebros dos ratos modificados tinham reações diferentes, sem apresentar o mesmo movimento de células quando a água era movida — o que demonstrou uma falta de adaptabilidade das células cerebrais e um não reconhecimento automático a este elemento.

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