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12/10/2014 16:41

Especialistas dão dicas aos estudantes sobre a escolha do curso superior

Correio do Estado

“O que você vai ser quando crescer?” Essa pergunta, feita em tom de brincadeira para as crianças, torna-se séria quando se chega ao fim da adolescência. A resposta também fica mais difícil. E esse ponto de interrogação deve estar pesando sobre as cabeças dos estudantes que, em um mês, farão o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). “A indecisão é muito grande”, observa o professor Henrique Esquivel Júnior, coordenador do cursinho Morenão. A dificuldade é legítima. Afinal, trata-se de decisão fundamental para a construção de uma profissão.

Para facilitar o caminho para o curso certo (ou o mais próximo disso), o professor orienta que o aluno precisa pesquisar. “Há diversos boletins, livros com informações sobre profissões. Na internet, também há muitos sites nesse sentido, como as próprias páginas das universidades”, afirma. Esquivel Júnior sugere que os alunos verifiquem, além das atividades desenvolvidas nas profissões, o campo de trabalho e o salário.

Conhecer as particularidades das diferentes profissões corresponde apenas a uma parte do processo de escolha do curso superior. O aluno deve também conhecer – e muito – a si mesmo. “Precisa saber com o que se identifica”, afirma. Nesse sentido, o estudante não deve pesar tão somente o salário da profissão, mas, sobretudo, se é, de fato, o que gostaria de fazer. “Se a escolha for errada, a chance de desistência já no começo do curso é muito grande”, adverte o professor.

Ele ressalta, ainda, que é importante o apoio da família. “O aluno tem de conversar com seus familiares sobre suas dúvidas. Os pais devem orientar, ajudar na escolha, mas não impor”, afirma.

A coordenadora da Agência do Futuro Acadêmico, da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Kelly Forest, acrescenta que é importante o jovem fazer uma sondagem vocacional. Ela observa que, na internet, há sites com testes que podem ajudar, mas o melhor é procurar auxílio de um psicólogo.

No processo de conhecimento de si mesmo e da profissão a ser escolhida, o estudante também pode conversar com pessoas que já estão no mercado e se inteirar da rotina da atividade pretendida. Na UCBD, a agência coordenada por Kelly realiza o chamado “Dia de Campo”. Nesse programa, alunos do 3º ano das escolas de Campo Grande têm a oportunidade de conhecer mais sobre a área desejada. “Eles ficam o dia inteiro na universidade, visitam os diversos cursos, conversam com profissionais”, conta Kelly. A própria UCBD disponibiliza transporte e almoço para os alunos.

“A escola que quiser participar deve se inscrever. Mas, para este ano, todas os dias de visitas já estão preenchidos. Em janeiro, abrem novas inscrições”, informa.

Não pelo status
Matheus de Jesus Bento, 18 anos, poderia muito bem ser considerado mais um entre os que escolhem um curso apenas pelo status e dinheiro. “Vou fazer Medicina. Já estou decidido”, disse, com segurança. Ele admite que a remuneração pesou na escolha do curso, mas acrescenta que esse fator foi o menos importante. “Sempre admirei o trabalho do médico, o cuidado com a saúde das pessoas”, afirmou, acrescentando que essa é a principal motivação da maioria dos que decidem, com bastante antecedência, pelo curso de Medicina.

No processo de amadurecimento de sua decisão, Matheus chegou a colocar em dúvida os seus motivos. “Chegou um momento em que perguntei a mim mesmo: ‘Será que estou querendo Medicina só pelo status?’ Se fosse só por isso, eu desistiria”. Nessa época, ele buscou conhecer melhor a si mesmo. “Conversando com um psicólogo, constatei que era, de fato, o trabalho com o qual eu me identifico”, disse.

Mas não basta escolher o curso. É preciso, ainda, muitas horas sobre livros e exercícios. “Eu faço cursinho de manhã e à tarde, e estudo em casa à noite”, disse. Nem o fim de semana fica de fora. “Sábado e domingo, eu também estudo”, acrescenta.

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