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12/09/2016 11:00

Especialistas alertam para riscos de aplicativos fitness sem orientação

Saúde Plena

Estar em forma, com a saúde e corpo em dia, é uma obsessão cada vez mais comum. Homens e mulheres de todas as idades se valem dos mais diversos recursos para atingir o objetivo. E a tecnologia, assim como em quase todas as esferas da vida moderna, passa a ser mais uma mão na busca pelo condicionamento e satisfação com a estética pessoal. Aplicativos, vídeos, blogs e sites especializados pipocam na internet, estimulando a prática de exercícios físicos em casa e orientando sobre dietas, comportamento e estilo de vida.

Não que isso seja uma novidade. Quem cresceu nos anos 1980 se lembra das famosas fitas com videoaulas de aeróbica da atriz estadunidense Jane Fonda, duas vezes ganhadora do Oscar. As clássicas aulas, com Fonda de collant e polainas puxando uma turma que a imitava ao fundo, venderam mais de 17 milhões de cópias em pouco mais de duas décadas, levando várias mulheres dos EUA a deixar a ociosidade de lado e se engajar na prática de exercícios físicos. Hoje, a cada dia, mais um aplicativo fitness é lançado, musas e webcelebridades compartilham seus treinos na rede mundial de computadores, milhões de vídeos, dicas, dietas, receitas...

Mas, neste mundo virtual supostamente sem limites, em que qualquer um pode produzir e disponibilizar conteúdo na rede, muitos cuidados devem ser levados em conta antes de partir em busca da forma perfeita por conta própria.

A lista de apps com orientação e fichas de exercícios físicos é imensa. Alguns ajudam a controlar a corrida, outros organizam a rotina de atividades. Quer fazer agachamento, abdominal, pilates, musculação, ciclismo, caminhada ou yoga? Sem problemas. Uma rápida pesquisa na loja de aplicativos do seu sistema operacional apresentará uma diversidade de opções. Mas, ao mesmo tempo em que o estímulo ao movimento é louvável, os riscos envolvidos em se exercitar sem orientação profissional são grandes, levando, inclusive, a lesões. “Um dos princípios mais importantes de um treinamento equilibrado é a individualidade biológica de cada pessoa. E o grande problema dos aplicativos e vídeos na internet é justamente nesse ponto: eles tratam todo mundo como todo mundo. Para muitas pessoas, até serve, pois eles trabalham com uma média de desempenho. O risco está na execução errada dos movimentos”, avalia Júlia Sanna, mestre em ciências do esporte pela Faculdade de Educação Física da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Com mais de 10 anos de experiência como personal trainer em Belo Horizonte, ela considera que os apps podem até ser úteis, mas com o devido acompanhamento profissional, funcionando apenas como um complemento do treino. Para Júlia, detalhes na execução de movimentos influenciam não só no resultado do exercício, mas também no aumento do risco de lesões em quem pratica. Até a tradicional e leve caminhada, sem a devida orientação, pode ser problemática. Por isso, ela alerta: quer se exercitar?. Procure a ajuda de um profissional qualificado, mesmo que somente no início da prática. Com o tempo, a pessoa vai assimilando posições, movimentação correta e respeito aos próprios limites, ganhando, assim, mais autonomia. “Sozinho, nem pensar”, orienta.

“Um bom exemplo é o treinamento com peso. Qualquer padrão de movimento realizado repetidas vezes com sobrecarga aumenta as chances de lesão. E lesões em diferentes articulações, como ombro, punho, pé, tornozelo, joelho, quadril... O treinamento com peso ou exercícios livres é muito sério para ser feito sem acompanhamento. São detalhes. Um simples deslocamento, que muitas vezes passa despercebido, em um agachamento, passa a exigir muito mais do joelho, aumentando, consequentemente, o risco de machucar esse joelho. Um supino, mesmo com peso leve, repetidas vezes na posição errada, machuca o ombro. Abdominal ou flexão feitos de maneira errada podem gerar hérnia de disco. Dependendo do nível do treinamento, a pessoa pode iniciar um processo degenerativo antecipado, como desgaste ósseo ou problema de coluna”, explica.

Exercício de baixo impacto e acessível, a caminhada é uma das modalidades que, segundo Júlia Sanna, os aplicativos podem ajudar muito. Claro que, antes de partir para as pistas ou esteira, uma avaliação médica é imprescindível. Respeito aos limites pessoais, começo mais lento, buscando, com lucidez, alcançar um nível mais alto também. “Mas para outras modalidades, como treinamento com peso, pranchas e abdominais, os aplicativos jamais, nem em nível inicial, vão suprir a necessidade de um professor”, enfatiza.

AJUDA, MAS TAMBÉM ATRAPALHA

Confira alguns dos pontos fracos e problemas dos aplicativos fitness

» GENERICISMO BIOLÓGICO
É, talvez, o principal problema dos aplicativos fitness. Sem uma avaliação detalhada da pessoa, o resultado físico esperado pode se transformar
num problema. Mesmo que os apps ajudem com a escolha dos exercícios, são incapazes de identificar padrões alterados de movimento e muito menos corrigi-los.

» PROGRESSÃO DE CARGA
O aplicativo é feito para um grande público. Entre os usuários, existem pessoas com mais e menos força, resistência, potência e flexibilidade. Mesmo que pesquisas sejam utilizadas para o desenvolvimento do app, é muito difícil que ele leve em conta todos os fatores que influenciam e
afetam um exercício. Com isso, os treinos acabam se tornando ineficazes dentro de pouco tempo, pois não há a progressão das cargas.

» POR ALTO
Imagine que você tenha uma pequena atrofia nos músculos da região lombar. Como um treino composto por exercícios genéricos pode ajudá-lo? Com isso, desequilíbrios musculares aumentam e o usuário terá um resultado pior do que com a ajuda profissional.

» SEM PLANEJAMENTO
Mesmo com uma sequência de cargas e exercícios bem pensados, o planejamento não é personificado, ponto essencial para os resultados. Uma pessoa de 20 anos, saudável e com a saúde em dia, não vai ter o mesmo desenvolvimento de uma pessoa sedentária, de 45 anos e problemas de saúde. Cada caso é um caso. Exercício é coisa séria, envolve riscos e precisa de personalização e qualidade.

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