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26/01/2004 09:36

Espaço de Nilton Bustamante

Nilton Bustamante

O ANJO DAS OLIVEIRAS







Acordar-se vivo e não saber.



Encarnar-se em restrições.



Crescer e andar até a próxima esquina permitida e imaginar a próxima curva. Fazer eco para ouvi-lo até onde se poderia ir. Até onde vai o mundo. Assim eu girava planetário. Dentro desse limite absurdo estava eu preso, quase inconsciente. Alguns pássaros, alguns cavalos soltos provocavam toda minha falência, se desviavam das pedras lançadas pelo meu receio do diferente, ou por serem além da próxima esquina.



Nesse estado de calamidade uniam-se outras demências de difícil convívio. Os atos expostos, no fundo, eram de endoidar qualquer sentido de bom senso. A pobreza humana aflorava ainda mais a avareza, o egoísmo, os ciúmes, as inverdades... até o ponto de achar que o mundo acabava logo ali e o hospício cabia todo dentro, dentro de mim.



A sexualidade em seu desabrochar, foi-me prematura. Tornou-se um acessório de alívio, solo, monólogo da desinformação. De certa forma, isso me acompanha, ao sentir-me afogado no mar da vida peço respiração boca-a-boca, vem o beijo.



Cheguei a tal estágio que perguntava ao azul, porta do infinito: o Bem existe de fato? Deus está comigo?...



Nesse deserto do crescimento encontrei alguém que estava com as chaves; usei-as e entrei em mim. Consegui atravessar a rua e do outro lado olhar-me sem espelho. Notei que carregava todos os efeitos das pessoas relacionadas com os meus sentidos acústicos. Chegaram a ser personagens dos meus pesadelos e alguns encantos. O homem que me deu a possibilidade da clareza era um anjo, de asas tortas, uns 30 anos mais velho, chacoalhava-se em trem, trabalhava sem descanso, carregava seus traumas – infância difícil -, deu seus gritos, deu seus tapas, tomou seus pileques, mas foi o ser humano que mais se mostrou humanista; que melhor mostrou a delicadeza de ser; entendia a humanidade terrestre tal como ela é, dava-lhe o valor devido. Amava-a profundamente. Ensinou-me sobre a Santidade do Pai; apresentou-me a Divindade que habita em minha essência, a espiritualidade - nada sabia eu. Suas palavras poderiam ser duras ou dóceis, tudo dependia como meu íntimo as fariam ecoar. Sem dúvida, possuía o melhor método de ensinar poesias: ficávamos no interior dos interiores olhando calmamente os brilhos dos astros em noite amiga; nos centros das flores; nas poeiras das estradas; abraçávamos árvores; ríamos da felicidade em fazer xixi na mata em noite fria... Muitos professores poderão ensinar o que é poesia, muitos não saberão fazê-las.



Amava as pessoas como irmãos universais, orava por todos, esse anjo disfarçado de homem.



Seu tempo minguando, sua lembrança fugindo, nosso cordão se rompendo, e lá se vai o homem-anjo voltar para as estrelas que é seu lugar - uma semana após seu aniversário, vieram me dizer que mais uma estrela nasceu em vinte e oito de dezembro de dois mil e três. Na mesma noite, veio visitar-me – eu sabia que viria -, sem abraços, breve diálogo mental, diante dos meus olhos tornando-se cada vez mais novo até transformar-se em menino, criança, angelical, livre da necessidade descabida da rudeza dos adultos, terrestres, e sendo levado em companhia de um homem de vestes do tempo antigo, casaca e cartola, deixando para trás a mim, que agora sabe da existência de Deus, e da importância de todos os seres fazer poesias.



A oliveira deu seus frutos, dos frutos o azeite puríssimo que permitiu a chama de minha alma.





Homenagem ao meu mais amplo amigo, irmão, professor, anjo das oliveiras, e pai, Rubens de Oliveira.

Autor: Nilton Bustamante

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