Cassilândia, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

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07/11/2014 19:10

Entidade carioca põe duas cidades de MS entre as 100 piores para se viver

Caroline Maldonado, Campo Grande News

 

Os municípios de Paranhos e Tacuru estão entre os 100 piores para se viver, na avaliação do IFDM (Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal), que monitora os níveis de desenvolvimento socioeconômico de todos as cidades brasileiras, observando as condições de emprego, renda, educação e saúde.

Mas na opinião de tacuruenses e paranhense não é bem assim. Moradores afirmam que os locais são tão bons de se viver que muitas pessoas se mudam, mas acabam voltando aos munícipios da região de fornteira, que têm cerca de 10 mil habitantes cada.

Cidade do Cupim - O prefeito de Tacuru, a 427 quilômetros de Campo Grande, Paulo Pedro Rodrigues (DEM), é natural de Naviraí, mas há cerca de 30 anos está na cidade e diz que o resultado da pesquisa não reflete a realidade. Ele admite que o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da cidade é abaixo do desejável, mas rebate a acusação de que não é um lugar bom para se viver.

Os índios deram nome a cidade. Tacuru, vem da Língua Guarani e siginifica cupim. Não se sabe ao certo de o termo foi empregado pelo fato de haver muitos insetos na região ou por conta do cupim do boi, porque o município já foi tido como Capital do Boi Gordo. Tacuru virou município em 1980 com o desmembramento de Amambai, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

“Essa avaliação não é real, tanto que todas as pessoas que saem daqui tem vontade de voltar, pois é o melhor local de se viver. Aqui, 90% das pessoas se conhecem e se ajudam. Existe um ambiente familiar na cidade. Acontece que temos duas aldeias e quatro assentamentos e isso dificulta, porque essas pesquisas observam o IDH”, argumenta.

O prefeito, que já vendeu picolé nas ruas de Tacuru, diz ser apaixonado pela cidade e assume que poderia haver mais empregos no local, mas acredita que a tranquilidade dos moradores compensa qualquer coisa. “A prefeitura vem trabalhando para atrair emprego e renda, mas isso é uma coisa que se fala em quase todo lugar. O importante é que é raro crimes violentos aqui, a criminalidade é baixa e as pessoas podem dormir com a porta aberta até”, conta Paulo.

Na opinião do prefeito, os benefícios de morar em Tacuru não param por aí. “É importante destacar que não tem mendigos aqui e ainda a rede de esgoto já alcança 80% da cidade”. Segundo o prefeito, a explicação para a cidade ficar em 5.396º lugar na lista nacional do índice de desenvolvimento e em 78º no ranking estadual é que a população não foi questionada se gosta da cidade. “As pesquisas são feitas somente com dados, mas se perguntassem aos moradores o resultado seria diferente”, diz.

Cidade do Barão - Em 1940, o local que atraia migrantes para exploração da erva-mate, ganhou o nome de Paranhos, em homenagem ao diplomata de fronteiras José Maria da Silva Paranhos, o Barão do Rio Branco. O município ficou em 5.352º na lista nacional do índíce de desenvolvimento da Firjan e em 77° do Estado.

Fabíola Moraga, 19 anos, trabalha em um comércio do Centro e conta que é uma dessas pessoas que se aventurou em outro lugar, mas não conseguiu se adaptar e hoje dá valor em dobro ao município do interior. “Há dois anos fui morar em Dourados para estudar Direito, mas voltei e isso acontece muito aqui. Tenho vários amigos que foram para cidade grande a acabaram voltando”, conta.

A vantagem que a prende na cidade, segundo Fabíola, é que o local é pequeno, dá para morar perto de todos os familiares e todo mundo se conhece. Quanto a educação, um dos quesitos avaliados pelo índice de desenvolvimento, a moça não reclama. De acordo com ela, as escolas estão melhorando, pois agora têm bastante recursos e estão sendo ampliadas. Sobre a saúde, ela conta que também melhorou. “O Hospital Nossa Senhora está com atendimento mais rápido. Os casos de violência ocorrem mais na região de fronteira com o Paraguai, mas nós aqui não temos medo de sair à noite, nada disso”.

A única queixa da moradora é com relação aos empregos. “Os empregos que tem aqui são mais na prefeitura, no comércio e nas fazendas. Isso precisa melhorar. Poderia ter uma empresa maior aqui, mas o resto é tudo muito bom”, comenta.

O prefeito da cidade, Júlio César de Souza (PDT), confirma a dificuldade em relação a geração de empregos, mas comemora avanços que estão mudando o cenário da cidade.

“No ano que vem haverá a reabertura de uma fecularia de mandioca, que está em reforma. Além disso, com os cursos do Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) melhorou muito, pois acaba aumentando o número de empresários que se interessam em abrir lojas e outros empreendimentos aqui. Em dezembro, 380 alunos vão receber certificados”, destaca o prefeito, que também atribui o baixo índide de desenvolvimento às aldeias indígenas.

São cinco aldeias e um acampamento dos índios Guarani Kaiowá. Na avaliação de Júlio César, o que mais prejudica o município é a fronteira. “São vários contextos que acabam deixando a cidade frágil por ser fronteira seca, em aspectos como saúde e segurança, por exemplo. No hospital, nós atendemos brasileiros que moram no Paraguai e não geram receita aqui, mas dão despesa na saúde”, explica.

Ainda assim, diz o prefeito, já se pode comemorar melhorias na saúde para o próximo ano, pois com a última avaliação do Conselho Estadual de Saúde, ficou determinado que o município receberá 100% de recurso, como não vinha ocorrendo nos anos anteriores, poque o conselho constatava deficiências nos serviços. “Também temos uma boa expectativa com relação a lavoura que está espandindo, por meio dos arrendamentos que estão com bom preço e ainda a chegada de quatro cursos a distância da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados)”, complementa Júlio César

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