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21/08/2015 12:00

Entenda tudo sobre DIU: chances de engravidar, ter trombose, tipos e mais

Bolsa de Mulher

Nas décadas de 80 e 90 era comum conhecer casos de mulheres que engravidaram usando o DIU. Isso fez com que o dispositivo intra-uterino levasse má fama e caísse em desuso. Atualmente, ele está recuperando forças, afinal, é um método contraceptivo livre do risco de trombose que acompanha pílulas, adesivos e anéis anticoncepcionais. Para quem pensa em colocar o implante, é bom saber dos prós e contras e desvendar todas polêmicas. Nós te ajudamos. Entenda tudo sobre o DIU a seguir.

Tipos de DIU

Antes de qualquer coisa, é preciso entender que existem dois tipos principais de DIU: o DIU de cobre e o DIU de hormônio.

DIU de cobre

Esse tipo de DIU não possui hormônio nenhum. Ele é feito de cobre, um metal que não é tóxico, não causa alergia e não oferece riscos para a saúde.

A ginecologista e obstetra Daniela Gouveia, da clínica Vivid, explica que ele causa uma inflamação no endométrio, o tecido que reveste internamente o útero. As células e substâncias inflamatórias que passam a ocupar o tecido tornam a cavidade uterina um lugar desagradável para o espermatozoide, impedindo que ele suba por esse espaço e fecunde o óvulo.

“Quando a mulher deixa de usar o DIU, o endométrio volta ao normal e as chances de engravidar também”, explica a médica.

DIU em formato de T ou de ferradura

O DIU de cobre pode ser usado durante 10 anos - caso em que é usado o dispositivo em formato de T - ou 5 anos – situação que é usado o implante em formato de ferradura.

A ginecologista explica que o dispositivo em formato de ferradura ocupa melhor o espaço dentro do útero, o que diminui o risco dele sair do lugar e o torna mais eficaz. O contrário acontece com o DIU em formato de T, que tem mais chances de se deslocar.

Diu de Mirena (com hormônio)

O Diu de hormônio dura 5 anos e tem formato de Y, mas quando implantado ele adota o formato de T. Nesse caso, o dispositivo libera o hormônio progesterona, que age de duas formas: ele espessa o muco cervical, a secreção produzida no colo do útero que facilita o deslocamento do espermatozoide para dentro do útero, e afina o endométrio, dificultando a implantação do óvulo.

Eficácia do DIU

Segundo a OMS, o DIU de cobre ParaGard tem 0,8% de chances de gravidez. O DIU mirena, que libera hormônios, expõe a mulher a 0,2% de chances de engravidar.

Quem pode colocar DIU?

Daniela explica que antes de colocar o DIU, a ginecologista fará um ultrassom para saber se a mulher tem pólipos e miomas uterinos. Nesses casos, o implante pode não ficar bem-adaptado. Isso também pode acontecer caso o útero seja muito grande.

Quem não teve filhos pode usar?

De acordo com a ginecologista Daniela, não é preciso que a mulher já tenha engravidado uma vez para usar o DIU. “O que acontece nesse caso é que, como o útero já recebeu um 'corpo' e sofreu grandes alterações, ele possivelmente terá chances menores de expulsar o dispositivo, mas não ter filhos não é uma contraindicação”.

Como é colocado

Daniela Gouveia explica que o DIU pode ser colocado no consultório, não há necessidade de hospitalização. Com o uso de um espéculo, aparelho usado para afastar as paredes do canal vaginal, o médico introduz o dispositivo através do canal vaginal. O fio do DIU fica no canal vaginal.

Colocar DIU na hora do parto é uma opção?

Principalmente nos Estados Unidos, alguns médicos colocam o DIU logo depois do parto. A ginecologista explica que isso não é recomendado. “O ideal é esperar 6 semanas para que o útero volte ao seu tamanho normal para então colocar o dispositivo, diminuindo as chances de expulsão do DIU”.

Acompanhamento médico

A mulher que usa o DIU deve fazer acompanhamento uma vez por ano para saber se o DIU está no lugar certo. Também é indicado voltar ao ginecologista um mês após a colocação do dispositivo para verificar sua localização.

Como o DIU é retirado

Esse procedimento também acontece no consultório e se resume a puxar o fio acoplado ao dispositivo. Em casos em que o DIU se desloca dentro da cavidade uterina, o ginecologista usará uma pinça ou escova ginecológicas para encontrá-lo e retirá-lo. Caso o DIU perfure o miométrio, o músculo do útero, é necessário fazer um procedimento cirúrgico para removê-lo.

Efeitos colaterais

Pode haver dor e pequeno sangramento depois da colocação do DIU. Mulheres que colocam o DIU de hormônio podem ter retenção de líquido, acne e um pouco de dor nos três primeiros meses. Também é possível que haja uma baixa na líbido.

Como fica a menstruação?

Mulheres que usam o DIU de cobre continuam menstruando normalmente e, por isso, esse pode não ser o melhor método para mulheres que têm fluxo menstrual muito intenso ou sofrem com cólicas, por exemplo. É possível que o dispositivo aumente o fluxo menstrual.

Já as mulheres que usam o DIU hormonal podem parar de menstruar – o que ocorre com cerca de 20% delas - ou ter períodos menstruais mais curtos, menos intensos e irregulares, afinal a descarga hormonal não tem uma pausa, como ocorre no uso de pílulas, por exemplo.

Riscos do DIU

Perfuração do útero

A ginecologista explica que essa rara complicação pode ocorrer no momento em que o DIU for implantado. “É possível que no momento da colocação do DIU o músculo se contraia e ele acabe entrando no miométrio”, explica.

Em alguns casos o DIU pode migrar para a cavidade abdominal e a pior consequência possível é a perfuração do intestino. Além disso, a mulher fica mais suscetível a uma gravidez.

Queda do DIU

Em alguns casos o útero pode expulsar o DIU, pois o reconhece como um corpo estranho. Por isso, alguns especialistas recomendam que a localização do implante seja verificada depois de um mês da colocação.

Gravidez ectópica

Em mulheres que usam DIU é possível que a mobilidade das trompas esteja diminuída. Nesse caso, o óvulo acaba não se prendendo a parede do útero e pode se fixar nas trompas - o que é mais comum -, no colo do útero ou mesmo na cavidade abdominal.

Cistos

Em alguns casos pode haver o aparecimento de cistos uterinos em consequência da colocação do DIU, causando retenção hídrica e um pouco de dor. A ginecologista Daniela explica que eles costumam diminuir e desaparecer sem precisar de tratamentos.

Engravidar usando o DIU

Nesse caso o recomendado é fazer um ultrassom, se o dispositivo estiver abaixo do feto, ele pode ser retirado e a extração do DIU é guiada pelo exame de imagem. Mas, se o DIU estiver por cima, o ideal é deixá-lo na cavidade uterina. O DIU pode aumentar muito discretamente as chances de aborto.

DIU causa trombose?

Um dos fatores que têm feito mais mulheres optarem pelo DIU recentemente é a ausência do risco de trombose associado a pílulas anticoncepcionais. A ginecologista explica que isso acontece porque o DIU só libera o hormônio progesterona e o hormônio relacionado à trombose é o estrogênio.

Por que o DIU era menos eficaz antigamente?

A ginecologista explica que os DIUs mais antigos são diferentes dos atuais. Hoje em dia o tipo e a quantidade de cobre mudaram, o que garante a maior eficácia do método. Segundo a especialista, os dispositivos que carregam o número 375 em seu nome têm boas quantidades do mineral, números menores que esse podem ser menos eficientes.

Preço do DIU

O DIU pode ser colocado gratuitamente pelo SUS – nesse caso o de cobre - ou pelo plano de saúde. O preço para quem for pagar diretamente pela colocação do implante varia muito, pois inclui os honorários médicos. Em média, desembolsa-se de R$ 100 a R$ 700 para comprar o DIU - sendo que os valores mais baratos são do DIU de cobre e os mais caros do DIU hormonal – e de R$ 200 a R$ 600 para colocá-lo em um procedimento particular.*

* Valores pesquisados em julho de 2015, sujeitos à alteração.

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