Cassilândia, Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2017

Últimas Notícias

27/02/2013 07:52

Embaixador brasileiro concede entrevista sobre Bento XVI

Renata Giraldi, Agência Brasil

Brasília - A renúncia do papa Bento XVI deve ficar em segundo plano no legado deixado por ele, se considerado o que fez em oito anos de pontificado, como a coragem demonstrada no enfrentamento às denúncias de pedofilia dentro da Igreja Católica Apostólica Romana e às intrigas, assim como a defesa da tolerância religiosa. A conclusão é do embaixador do Brasil na Santa Sé, Almir Franco de Sá Barbuda, que esteve com Bento XVI numerosas vezes desde outubro de 2011, quando foi nomeado para o posto.

Em entrevista à Agência Brasil, Sá Barbuda disse que sua impressão sobre o papa é a “melhor possível”. “É um homem muito corajoso, ele saiu de peito aberto em defesa do que acredita. Ele brigou para vencer as intrigas e combater os casos de pedofilia dentro da Igreja, esteve com algumas das vítimas e chorou com elas. Fez muito em defesa do ecumenismo e da tolerância religiosa, ao visitar sinagogas e mesquitas”, disse o diplomata.

A seguir estão os principais trechos da entrevista do embaixador.

Agência Brasil - Quais são as impressões do senhor sobre o papa Bento XVI?
Almir Franco de Sá Barbuda - Minha impressão é a melhor possível. É um homem muito corajoso, ele saiu de peito aberto em defesa do que acredita. Ele brigou para vencer as intrigas e combater os casos de pedofilia dentro da Igreja, esteve com algumas das vítimas [dos casos de pedofilia] e chorou com elas. Fez muito em defesa do ecumenismo e da tolerância religiosa, ao visitar sinagogas e mesquitas. Foi a Cuba e falou o que pensava. Nunca deixou de dizer o que pensava. Definitivamente é um homem de coragem.

ABr - O senhor avalia que resumir o legado de Bento XVI à renúncia é reduzir o que ele deixará para a posteridade?
Sá Barbuda - Sem dúvida, ele deixará muito para a história, além do que mencionei. Devem ser considerados os esforços feitos por ele para rejuvenescer a Igreja, nomeando cardeais mais jovens do que o habitual, como no caso das Filipinas [dom Luis Tagle que foi nomeado aos 55 anos], e por ser o papa da palavra, por sua cultura e conhecimento. Ele também tentou resolver questões deixadas pelo papa João Paulo II, que no final do seu pontificado estava muito enfermo [cujo pontificado foi de 31 anos e terminou em 2005].

ABr - O senhor destaca a cultura de Bento XVI, nas suas conversas ele demonstrou conhecer o Brasil?
Sá Barbuda - Sim, sempre. Ele sempre destacava o fato de o Brasil ser o maior país católico [a estimativa é que 63% da parcela da população que se declara religiosa sejam católicos]. Também costumava comentar sobre sua preocupação com as comunidades ribeirinhas do Amazonas. Como em 2008, foi assinado um acordo jurídico entre a Santa Sé e o Brasil, garantindo a preservação do patrimônio da Igreja, ele também demonstrava apreço por isso.

ABr - Para o senhor, a escolha de um novo papa pode mudar as relações entre a Santa Sé e o Brasil?
Sá Barbuda - Não acredito. Nada vai mudar nem vejo possibilidade de isso ocorrer. As relações entre a Santa Sé e o Brasil existem desde a primeira missa realizada em solo brasileiro [celebrada em 1.500 pelo padre Henrique de Coimbra e imortalizada em um quadro de Victor Meireles denominado A Primeira Missa no Brasil]. Ano passado, o ministro [das Relações Exteriores] Antonio Patriota esteve aqui [na Santa Sé] com o chanceler Dominique Mamberti [que representa a Santa Sé]. Há muita coisa em comum entre a política externa da Santa Sé e do Brasil.

ABr - Como católico e diplomata com mais de 40 anos de experiência é diferente representar o Brasil na Santa Sé?
Sá Barbuda - É muito diferente. É uma atividade bastante diferente da exercida por embaixadores em outros locais do mundo, pois, em geral, há muitas celebrações religiosas e é necessário observar que existe uma intensa atividade política também. Não é à toa que países não católicos também têm representantes na Santa Sé. Há ainda situações curiosas, pois quando um embaixador se reúne com o papa ele deve se apresentar de casaca [traje de cerimônia que não permite variações e exige, inclusive, que os sapatos sejam de verniz preto] e com todas suas condecorações.

Edição: Talita Cavalcante

Envie seu Comentário
Os comentários feitos no Cassilândia News são moderados. Antes de escrever, observe as regras e seja criterioso ao expressar sua opinião. Não serão publicados comentários nas seguintes situações:

1. Sem o remetente identificado com nome, sobrenome e e-mail válido. Codinomes não serão aceitos.
2. Que não tenham relação clara com o conteúdo noticiado.
3. Que tenham teor calunioso, difamatório, injurioso, racista, de incitação à violência ou a qualquer ilegalidade.
4. Que tenham conteúdo que possa ser interpretado como de caráter preconceituoso ou discriminatório a pessoa ou grupo de pessoas.
5. Que contenham linguagem grosseira, obscena e/ou pornográfica.
6. Que transpareçam cunho comercial ou ainda que sejam pertencentes a correntes de qualquer espécie.
7. Que tenham característica de prática de spam.

O Cassilândia News não se responsabiliza pelos comentários dos internautas e se reserva o direito de, a qualquer tempo, e a seu exclusivo critério, retirar qualquer comentário que possa ser considerado contrário às regras definidas acima.
Restamcaracteres.
 
Últimas notícias
Scroller Top
Segunda, 20 de Fevereiro de 2017
Domingo, 19 de Fevereiro de 2017
10:00
Receita do dia
Sábado, 18 de Fevereiro de 2017
Scroller Bottom

  • Idalus Internet Solutions
  • TOP DataCenter e Internet
  • Disponível na AppStore
  • Disponível no Google Play
Rua Sebastião Leal, 845, CEP: 79.540-000, Cassilândia (MS)