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07/11/2010 16:55

Em São Paulo, candidatos se dividem sobre possível cancelamento do Enem

Alex Rodrigues, Agência Brasil

São Paulo - Pouco antes do início hoje (7) do segundo do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), candidatos que estão fazendo a prova na cidade de São Paulo tinham opiniões diferentes sobre a possibilidade de cancelamento do teste. Uns concordam com a medida por conta do erro de impressão na folha de respostas. Outros acham a proposta um exagero. Com exceção de um estudante ouvido pela Agência Brasil, os demais contaram que foram avisados do erro pelos fiscais, além de terem sido orientados como proceder. Ainda assim, a maioria entende que algumas pessoas possam ter se atrapalhado na hora de passar as respostas do caderno de provas para o gabarito.

“Não sei se esse erro ainda vai me acarretar algum problema, mas ontem não me atrapalhou em nada. A anulação da prova seria uma frustração. Seria decepcionante ter estudado e vindo até aqui, gastado tempo, para a prova não valer nada”, comentou Alessandra Matos Gomes, de 21 anos. Segundo a jovem – que classificou como fácil o primeiro dia de provas e, hoje (7), espera algo semelhante – os fiscais de sua sala alertaram os candidatos do erro e os orientaram a aguardar para passar as respostas para o gabarito até que eles tivessem a confirmação do procedimento correto. “Depois eles nos disseram que [os cabeçalhos] da folha de resposta haviam sido trocados, mas que podíamos responder normalmente”.

Outra a esperar uma prova “fácil como a de ontem” era Aline Coimbra, de 18 anos. Com planos de prestar vestibular para a Universidade de São Paulo (USP), Aline não escondia a desmotivação com a prova, cujo resultado não servirá mais para o vestibular da instituição, bem como para o da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ainda assim, Aline julga que a anulação da prova prejudicaria muitos estudantes.

“Espero que isso não aconteça. Na minha opinião, [a instituição responsável pelo] Enem está muito traumatizada com o que aconteceu no ano passado e está exagerando. Até mesmo nas exigências para a entrada nas salas”, comentou a jovem, referindo-se à última edição do Enem. Em 2009, a descoberta, no dia do exame, de que as provas haviam vazado obrigou o Ministério da Educação (MEC) a cancelar e refazer a avaliação. Em função disso, USP, Unicamp e a Pontifícia Universidade Católica (PUC) desistiram de usar a nota do Enem em seus vestibulares.

Já Arlindo Pereira dos Santos, de 26 anos, garante ter recebido uma informação equivocada do fiscal de sala. “Não fomos avisados [da inversão] do cabeçalho. O que eu fiquei sabendo é que havia apenas duas questões invertidas. Se não me engano, disseram que eram as 45 e 46. E eles disseram que também no gabarito a ordem já estava invertida e que, por isso, podíamos passar a resposta na mesma ordem. Esta foi a orientação do fiscal”. Ontem (6), em São Paulo, a Agência Brasil presenciou pessoas sendo contratadas para trabalhar como fiscais poucas horas antes do início do exame.

Arlindo considera que o cancelamento da prova seria triste, mas defende que os candidatos que se sentiram prejudicados pelo erro devem cobrar providências. “Os organizadores têm um ano inteiro para elaborar um teste benfeito e é uma injustiça que alguém seja prejudicado por um erro desses. Se for constatado que isso atrapalhou alguém, acho que devem fazer uma outra prova. Se tiver acontecido algo assim comigo, eu mesmo vou entrar com um recurso”, garantiu Arlindo.

Os amigos André Coelho Oliveira, de 19 anos, e Carla Coelho Oliveira, de 17, também concordam com a anulação da prova. Os dois disseram ter sido avisados do problema no gabarito e que deveriam ignorar os cabeçalhos da folha e responder às perguntas segundo a ordem do caderno de provas. Mesmo assim, ambos acreditam que alguns candidatos podem ter sido prejudicados.

“A prova está perdendo a credibilidade por causa de todos esses problemas. O cancelamento deixaria os estudantes ainda mais com o pé atrás em relação à prova, mas se o erro dos organizadores atrapalhar alguém, isso é suficiente para invalidar a prova”, disse André. “As pessoas ficaram muito tensas, esperando para saber o que fazer”, completou Carla.

Edição: Talita Cavalcante

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