Cassilândia, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

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19/07/2016 09:02

Em caminhos diferentes, João Haroldo e Betinho têm super orgulho do passado

Campo Grande News

No verão de 1997, as estruturas do sertanejo seriam abaladas para sempre com a chegada da então dupla João Haroldo e Betinho. Considerados um dos primeiros a experimentar o gênero que se tornaria o universitário no futuro, os dois romperam barreiras e conseguiram vender seis mil cópias do disco de estreia em apenas um dia. Quase 20 anos depois, ambos seguem caminhos diferentes, mas sem deixar a música de lado.

“O Betinho começou um pouco antes, em 1996. Eu morava em Jardim na época, tocava com amigos em um grupo de pagode. Um dia o Betinho foi para lá e a gente conversou. Ele disse que tocava sertanejo e que se um dia eu aparecesse por Campo Grande poderia procurá-lo. Acabou que deu certo”, resume João Haroldo Fernandes, 38 anos.

A data de estreia João ainda lembra com precisão. Dia 14 de fevereiro. “Na verdade nós fomos a primeira dupla a tocar o sertanejo com esses novos arranjos. Essa coisa que o pessoal fala que é o sertanejo universitário. Nós fomos a primeira dupla no Brasil a vir com esse novo conceito do sertanejo universitário, começou aqui e começou com a gente”, aponta Betinho ou Alberto de Campos Widal Filho, 40 anos.

Orgulhoso, ele lembra que o primeiro disco “Coração Idiota” vendeu seis mil cópias em apenas um dia. “Nós achávamos que iríamos vender 3 mil cópias em um ano, mas não, foi seis mil em um dia. Isso com o CD original, na época não existia pirata e custava R$ 20,00. Isso foi em novembro de 2000”, relembra Betinho, acrescentando que o disco foi gravado ao vivo.

No caminho foram cinco discos até que em 2011 os dois se separaram e decidiram seguir outros rumos. João Haroldo confessa que a falta de retorno do mercado foi decisivo para o fim. “Eu tenho três filhos e a música não estava me dando muita segurança. Ficamos 12 anos juntos, começamos a ver nossos amigos fazendo sucesso e a gente ainda patinando. Resolvemos dar um tempo de comum acordo, uma segurada. É aquela coisa, o sucesso passava do nosso lado, mas não acontecia com a gente”, lamenta.

 

Betinho com o novo João Haroldo, músico da nova formação há cinco anos (Foto: Divulgação)Betinho com o novo João Haroldo, músico da nova formação há cinco anos (Foto: Divulgação)
João Haroldo e Betinho no show da despedida em 2011 (Foto: Arnaldo Muniz)João Haroldo e Betinho no show da despedida em 2011 (Foto: Arnaldo Muniz)

Com salário fixo e emprego em uma empresa, João Haroldo seguiu dois anos afastado da música. “Mas é daquele jeito, cantando em festas de amigos e família. Você nunca deixa a música de verdade”, brinca. O tempo foi necessário para que começasse outro projeto, dessa vez com o nome de Robson e João Haroldo.

“É como voltar a estaca zero, começando tudo de novo. Dessa vez sabemos do que gostamos, gravamos um disco ano passado que vamos divulgar esse ano e tem a participação de Marco Aurélio, Munhoz e Mariano, Marlon Maciel. Eu e o Betinho ainda somos amigos, ontem ainda cantamos juntos em uma festa”, frisa.

Betinho também seguiu em frente, mais rápido que o amigo. “Não fiquei mais de um ano longe da música, não tem jeito. É outra formação do João Haroldo e Betinho, estamos juntos há cinco anos. O Valdec que me acompanha agora”, conta.

Com também disco pronto, “Novos Caminhos”, eles cantam em festas, rodeios, feiras agropecuárias e em cidades do interior. “Agora investimos mais em modas de viola, que é uma coisa que sempre gostamos. Nosso maior sonho agora é ser reconhecido como uma dupla que contribuiu para a criação de um estilo musical e que até hoje defende a bandeira. Só isso que queremos, reconhecimento no Brasil. O resto está bom”, almeja Betinho.

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