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07/11/2018 10:40

Eleição de Caboclo na CBF corre risco de ser anulada pela Justiça

Correio do Estado

A eleição de Rogério Caboclo para presidente da CBF corre risco de ser anulada. Até o final do mês, uma ação proposta pelo Ministério Público que contesta mudança no colégio eleitoral da entidade poderá ser destravada no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e desencadear na anulação do pleito realizado em abril.

O Ministério Público argumenta que a confederação não respeitou os princípios de publicidade e transparência, previstos no Estatuto do Torcedor, já que os clubes da Série A não foram convocados para a assembleia que reduziu sua representatividade nas eleições da entidade.

A CBF, no entanto, entrou com recurso na Justiça alegando que o estatuto não se aplica a regras internas da entidade e, por isso, não pode ser usado para questionar a alteração no colégio eleitoral.

Na última quinta-feira (1º), o desembargador Juarez Fernandes Folhes determinou que a 19ª Câmara Cível julgue o recurso da CBF. O caso deverá ser apreciado no dia 27 de novembro.

Se os desembargadores entenderem que o estatuto se aplica às práticas da CBF, a questão será encaminhada para o Juizado do Torcedor. A ação que contesta a legalidade da eleição de Caboclo, então, deverá ser julgada em menos de uma semana.

O Ministério Público alega também que a inclusão de pesos diferentes no pleito foi uma forma do atual grupo político que comanda a CBF manter o poder das federações na eleição, em desacordo com o objetivo da legislação que obrigou a participação dos clubes da Série B na eleição: dar maior protagonismo aos clubes na entidade.

Em março do ano passado, a CBF incluiu os 20 clubes da Série B do Campeonato Brasileiro no colégio eleitoral, mas atribuiu pesos diferentes aos participantes. Numa reunião que contou apenas com representantes das 27 federações, os 20 times das Séries A tiveram sua participação no colégio eleitoral reduzida para a entrada dos times da Série B, sem alterar a participação das federações.

O voto das federações ganhou peso três. Já o dos times da Série A ficou com peso dois. O voto dos clubes da B vale apenas um. Com isso, as entidades estaduais contam com 81 votos. Já os 40 Clubes das Série A e B têm, somados, 60 votos.

Mensalmente, cada federação recebe R$ 75 mil dos cofres da entidade, que tem Caboclo como principal executivo atualmente.

Para formar a sua chapa, Caboclo colocou apenas cartolas ligados às federações. Ele deixou os clubes e personalidades do esporte fora da sua chapa.

A lista de vices conta até com dirigentes folclóricos, como o presidente da Federação de Futebol do Acre, Antônio Aquino Lopes, o Toniquim. Ele comanda o modesto futebol da sua região desde 1984.

Com o apoio de 25 das 27 federações ao homologar sua chapa, ele inviabilizou a oposição. Para registrar candidatura na CBF, o postulante ao cargo precisa ter o apoio de oito federações e cinco clubes.
Candidato único na eleição da CBF, o paulista venceu com facilidade. Apenas Corinthians, Flamengo e Atlético-PR não votaram em Caboclo.

O futuro presidente da CBF obteve a vitória após receber o apoio de Marco Polo Del Nero, afastado o comando da entidade desde dezembro. Sem chance de continuar no comando da CBF, Del Nero apressou o processo para fazer o seu substituto.

Acusado pelo FBI de receber propina na venda de direitos de torneios, o ex-presidente da entidade foi banido pela Fifa logo após a vitória de Caboclo. Ele nega as acusações.

Se o Ministério Público conseguir que os clubes sejam maioria no pleito, a CBF terá que realizar nova eleição. A entidade terá até abril, quando termina o atual mandato, para escolher o seu novo comandante.
Enquanto isso, a confederação é comandada pelo paraense Antonio Carlos Nunes, vice de Del Nero.

Em caso de nova eleição, Caboclo deverá enfrentar um adversário indicado pelos clubes.

O presidente da Federação Paulista de Futebol, Reinaldo Carneiro Bastos, tentou viabilizar sua candidatura no início do ano para concorrer com Caboclo, mas não teve sucesso na ocasião.

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