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04/08/2018 10:40

Ele era uma criança boa até passar por lavagem cerebral, diz mãe de Bin Laden

Correio do Estado

 

Pela primeira vez desde que o filho se tornou o terrorista mais conhecido do planeta, a mãe de Osama bin Laden deu uma entrevista, na qual falou sobre a juventude do fundador da Al Qaeda, revelou que o viu pela última vez em 1999 e detalhou o sentimento da família após o ataque de 11 de setembro de 2001.

Alia Ghanem conversou com o jornal britânico The Guardian em sua casa em Jiddah, segunda maior cidade da Arábia Saudita e sede do clã Bin Laden.

Ela estava acompanhada do padrasto de Bin Laden, Mohammed al-Attas, e de dois de seus filhos, Ahmad e Hassan, ambos meio-irmãos do terrorista.

O pai de Osama, o bilionário Mohammed bin Awad bin Laden, se separou de Ghanem pouco após o nascimento do filho, que foi criado pela mãe e pelo padrasto, que era empregado da empresa da família.

Para ela, o filho mais velho era um bom aluno, que começou a se radicalizar quando entrou na faculdade (ele estudou economia na Universidade Rei Abdulaziz, em Jiddah). "Ele foi uma criança muito boa até conhecer algumas pessoas que fizeram quase uma lavagem cerebral nele quando tinha seus 20 e poucos anos. Você pode chamar isso de culto", disse ela. "Eu sempre dizia a ele para ficar longe deles, e ele nunca iria admitir para mim o que ele estava fazendo, porque ele me amava tanto".

Com isso, Osama foi para o Afeganistão lutar contra a invasão e começou a perder o contato com a família. "No início, estávamos muito orgulhosos dele. Até mesmo o governo saudita o tratava de maneira muito nobre e respeitosa. E então veio Osama, o mujahidin ('guerreiro santo')" disse Hassan, um dos irmãos.

A última fez que mãe e filho se encontraram foi em 1999, em uma base do Taleban em Kandahar, no Afeganistão. "Ele ficou muito feliz em nos receber. Ele nos exibia todo o tempo que estávamos lá. Ele matou um animal, fizemos um grande banquete e ele convidou a todos", afirmou a mãe, Ghanem. Osama foi morto em 2011 no Paquistão, em uma ação feita por militares americanos.

Dois anos depois do encontro, aconteceu o atentado de 2001 nos EUA, que colocou Osama de vez no noticiário internacional.

"Foi uma sensação muito estranha. Nós sabíamos desde o começo [que Osama foi o responsável], dentro das primeiras 48 horas. Do mais novo ao mais velho, todos nos sentimos envergonhados por ele. Sabíamos que todos iríamos enfrentar consequências terríveis" disse o outro irmão, Ahmad.

Após o ataque toda a família foi questionada pelas autoridades e proibida de sair do país , mas atualmente já tem liberdade para viajar.

Os dois meio-irmãos do terrorista afirmaram que a mãe nunca entendeu exatamente o que aconteceu com o filho mais velho. "Já faz 17 anos [desde o 11 de setembro] e ela continua negando a culpa de Osama", disse Ahmad. "Ela o amava muito e se recusa a culpá-lo. Em vez disso, ela culpa os que o rodeiam. Ela só conhece o lado do bom garoto, o lado que todos nós vimos. Ela nunca chegou a conhecer o lado jihadista".

Eles também criticam o sobrinho Hamza, filho mais novo de Osama, que vive no Afeganistão e teria se juntado a Al Qaeda.

 "Nós achávamos que todo mundo tinha superado isso", disse Hassam. "Se Hamza estivesse na minha frente agora, eu diria a ele: 'Deus te guie. Pense duas vezes no que você está fazendo. Não refaça os passos do seu pai".

Segundo a publicação britânica, a entrada de Hamza na rede terrorista pode dificultar os esforços do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, de afastar da imagem do país a figura de Osama Bin Laden e dos grupos radicais islâmicos -foi o governo que autorizou a entrevista.

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