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06/11/2018 20:05

Durante ação, um alerta: hábito do tereré amplia risco de câncer de boca

A relação se dá ao aumento de número de casos de HPV, infecção que causa feridas na boca

Campo Grande News

O número de casos de câncer de boca aumenta assim que a incidência de HPV (Papilomavírus Humano) cresce. Em Mato Grosso do Sul, o índices da doença são altos se comparado à média nacional. Costumes regionais como o aparentemente inofensivo tereré, além do fumo, são fatores de risco importantes para a região.

Essa semana é celebrada a “Semana de Prevenção ao Câncer de Boca” e nesta terça-feira (06), pela manhã, aconteceu o “Dia D”, com ações de prevenção e diagnóstico do câncer de boca na Praça Ary Coelho das 8h às 14h ou enquanto houver paciente. No local, o paciente passa por uma triagem e caso identificado alguma lesão, é encaminhado à unidade móvel de odontologia, ainda na Praça. Caso a especialista suspeite de câncer, o paciente é agendado para realizar biópsia em um centro especializado.

“Nunca tinha feito nenhum exame assim, quando passei pela triagem eles identificaram uma ferida e me trouxeram aqui na unidade”, falou o aposentado Francisco de Castro, 74, enquanto esperava atendimento na unidade móvel.

O mesmo aconteceu com o auxiliar administrativo, Lucas Queiroz, de 37 aos, ele contou que estava passando pela Praça e resolveu parar. “Como também nunca tinha feito esse exame, resolvi parar e eles acharam uma lesão na minha boca que eu nunca tinha visto”.

Já o estudante Matheus Silva, de 23 anos, disse que costuma olhar sua boca, principalmente quando vai sair, mas já que estava na praça, resolveu parar. “Nunca se sabe né, como eu estava aqui do lado e o atendimento é de graça, parei”.

Durante o atendimento na Praça, até às 10h, 23 pessoas haviam sido encaminhadas para unidade móvel de odontologia e três para a biópsia.

O diretor do CRO (Conselho Regional de Odontologia de MS), Robson Ajala ressaltou que a boca é a porta de entrada para o corpo e é preciso ficar atento a cada detalhe. “Nós temos vários fatores de risco presentes na nossa cultura como mascar fumo, beber, levar as coisas na boca e até o tereré. O índice de HPV está alto e a contaminação pela saliva é direta, a boca é nossa porta de entrada, devemos estar atentos ao que levamos a ela”.

Perigoso - No Estado, o câncer de boca é o 5° de maior incidência nos homens e o 10° nas mulheres. De acordo com a patologista bucal, especialista em câncer de boca, Márcia Gorisch, a proporção é uma questão social. “Geralmente os fatores de risco acometem mais aos homens socialmente, como o tabagismo ou alcoolismo, mas as mulheres também devem ficar atentas”, disse.

Márcia detalha que quem tem o costume de mascar fumo, tem maior probabilidade de desenvolver câncer de bochecha e em parte da gengiva. Quem fica muito exposto ao sol, por exemplo, pode desenvolver a patologia nos lábios, já quem fuma, bebe, troca saliva e não tem uma boa higienização bucal, deve ficar atento as bordas laterais da língua. “No caso do sol, o paciente deve ficar atento à descamação da boca, como se estivesse no frio e no geral as feridas na boca. 90% dos cânceres aparecem nas laterais da língua, ele parece de pele e é o mais agressivo”, explicou.

Feridas e aftas que não saram em 15 dias, devem ser encaminhadas a um especialista. “As lesões podem ser avermelhadas, esbranquiçadas ou até marrons, se não sarou em 15 dias, corre para um especialista porque quanto mais cedo o diagnóstico, mais chance de cura e de qualidade de vida”, disse Márcia.

“O primeiro tratamento é tirar o câncer, às vezes vai uma parte da língua ou da bochecha, então esse paciente perde a qualidade de vida. É preciso procurar um diagnóstico o mais rápido possível”, pontuou Robson. “As pessoas ainda tem muita resistência com a palavra câncer, fica naquela não vou procurar por que vai que eu acho, mas tem que achar para tratar. Temos pacientes que evoluem a óbito com dois, três meses de diagnóstico, isso não pode acontecer”, completou a especialista.

Depois do diagnóstico e retirada da lesão, o paciente ainda passa por acompanhamento durante cinco anos, para que o câncer não volte.

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