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24/05/2009 08:50

Discriminação contra casal homossexual motiva protesto

Alex Rodrigues , Agência Brasil

Brasília - Organizações do Movimento LGBTT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Travestis) do Distrito Federal promoveram ontem (23) um protesto contra a discriminação sofrida por um casal homossexual no último dia 14. A manifestação ocorreu no Parque Nacional de Brasília, também conhecido como Água Mineral.

As duas jovens vítimas de comentários sexistas feitos por uma usuária do parque não compareceram ao ato. Segundo a estudante universitária Tamara Barreto, que diz ter presenciado o episódio, elas sequer reagiram às agressões verbais.

De acordo com Tamara, ela e mais duas amigas ouviram quando uma mulher começou a criticar as garotas que, segundo ela, apenas caminhavam de mãos dadas próximo a uma das piscinas do local. Os comentários incomodaram Tamara, que repreendeu a mulher.

“Dissemos à ela que guardasse para si sua opinião. Ela nos disse que dizia o que quisesse e que não iria se calar”, conta a estudante. Segundo Tamara, um bate-boca teve início e outros frequentadores do parque acabaram se envolvendo. A estudante e suas amigas então decidiram acionar os administradores do parque e chamar a polícia.

“Infelizmente, a agressora fugiu. Só que nós conseguimos o nome dela e descobrimos que o marido dela presta serviço ao parque. Conversamos com ele, que não sabia o que tinha se passado e dissemos que se ela não comparecesse à manifestação, hoje, e pedisse desculpas, iríamos processá-la”, comentou Tamara, explicando que o protesto realizado hoje é uma forma de lutar pelos direitos de cada indivíduo. “Cada um pode ter e exercer sua opinião, mas sem atingir os direitos do próximo”.

Esclarecendo que nenhum funcionário presenciou ou se envolveu no episódio, a administração do parque manifestou o repúdio a qualquer forma de preconceito. Segundo a diretora do local, Maria Helena Reinhardt, o regulamento do Água Mineral não faz qualquer restrição a manifestações entre casais do mesmo sexo.

“A orientação que damos aos nossos funcionários é que não haja qualquer tipo de discriminação. Orientamos em relação ao cumprimento das normas e dos procedimentos internos. Já eventuais problemas relacionados à conduta, independentemente da orientação sexual do frequentador, passa a ser um problema de segurança pública”, declarou Maria Helena.

O “beijaço” realizado ontem surpreendeu alguns dos frequentadores do parque. “A sociedade acha feio, mas, para mim, cada um tem seu jeito de ser feliz e é livre para tomar suas atitudes. Eu não tenho nada contra”, afirmou a dona de casa Lilian Soares da Silva, na companhia de seus dois filhos.

O policial militar Wendell Marinho admitiu achar estranho duas pessoas do mesmo sexo se beijando, mas garantiu respeitá-las. “Eu, no meu mundo, acho meio estranho, mas também acho que o ser humano deve ser feliz a sua maneira. As críticas a estas pessoas que, certamente, têm ciência daquilo que querem são menos aceitáveis que vê-las se beijando. Quem está do outro lado deve pensar melhor ao discriminar alguém”.

Para o também policial Taniel Costa, a sociedade brasileira ainda não está preparada para ver duas pessoas do mesmo sexo trocando manifestações de carinho publicamente. Apontando a presença de várias crianças no parque, que pode receber até 3 mil pessoas diariamente, Costa sugeriu que cada um tem que saber o limite para seu comportamento. “Uma criança não só vai achar estranho como vai se confundir ao ver este tipo de coisa. Qualquer pessoa pode frequentar o parque, desde que se porte de forma a não agredir as pessoas que, às vistas da sociedade, são normais”.




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