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06/10/2015 09:00

Diferenças entre depressão pós parto e tristeza materna

Cuidado Materno

Observo que há muitos esclarecimentos a serem feitos em relação à depressão pós-parto. Entretanto preciso elucidar o que é a depressão pós-parto, bem como diferenciá-la da tristeza materna, também conhecida como baby blues ou blues puerperal.

O nascimento de um bebê mobiliza muitas coisas não só no físico da mulher, mas também no emocional e no ambiente em que vive. Durante a gestação, a mãe provavelmente se preparou para receber o bebê. Isso inclui mudanças que envolvem o corpo, como hábitos físicos e alimentares, preparação do seio para o aleitamento materno, além de mudanças no ambiente para receber o bebê e do preparo interno (psicológico) da mãe para a chegada da criança.

O período que se sucede ao parto é propício para que a mulher vivencie várias questões. Em primeiro lugar, ocorre uma queda drástica nos hormônios progesterona e estrógeno, que podem interferir no físico e também no emocional da mulher. Inevitavelmente acontece uma mudança no seu dia a dia que pode ser causadora de estresse e interferir no seu estilo de vida e até no seu ritmo de sono, pois seu universo está completamente voltado para recém-nascido, que necessita de cuidados exclusivos dia e noite. Ao mesmo tempo, a experiência da maternidade, poderá mobilizar questões psíquicas muito primitivas e até inconscientes, que talvez fujam à sua compreensão. Essa fase pode ser vivenciada em muitos casos, como uma turbulência de sentimentos, emoções e expectativas que podem provocar uma instabilidade emocional.

A tristeza materna, também conhecida como baby blues ou blues puerperal, pode atingir até 80% das parturientes e, diferentemente da depressão pós-parto, não é considerada doença. É considerada benigna, pois não incapacita a mãe de prestar os cuidados ao bebê, e em geral não provoca prejuízos na rotina diária. É como se fosse um momento de transição e preparo para uma nova fase, que necessita de adaptação. Pode apresentar sintomas como, por exemplo, desânimo, angústia, impaciência, Irritabilidade, mudanças de humor, cansaço, choro e tristeza sem motivo aparente. Entretanto, tais sintomas costumam aparecer logo nos primeiros dias após o nascimento do bebê e podem durar por volta de uma ou até duas semanas, devendo desaparecer espontaneamente.

Já depressão pós-parto é uma condição diferente da descrita acima. Deve ser olhada com especial atenção e necessita ser tratada, justamente por ser classificada como doença. Atinge cerca de 10 a 20% das mães e tem-se tornado cada vez mais motivo de discussão e preocupação nas diversas áreas da saúde.

Na depressão pós-parto, o humor deprimido da paciente deve estar presente na maior parte do dia, quase todos os dias, por um período mínimo de 2 semanas. Ela pode apresentar muito desânimo e sofrimento intenso que persiste, com muita tristeza e angústia e esses sentimentos não desaparecem espontaneamente, como no caso da tristeza materna. Outros sintomas como: ansiedade, alterações do sono, apetite e da libido e, oscilações de humor, sensação de incapacidade, culpa e pensamentos suicidas também podem aparecer. Tentativas de suicídio, delírios e alucinações, assim como situações de risco para o bebê podem estar presentes em casos mais graves. Nesses casos, o diagnóstico pode ser outro, como o de psicose puerperal, doença que felizmente acomete um número muito menor de pacientes.

É importante a paciente ou seus familiares estarem sempre atentos aos sintomas que se manifestam no período pós-parto (a literatura mostra que podem ocorrer até por volta um ano após o parto) e procurar ajuda para obter um diagnóstico diferencial. Esse diagnóstico poderá ser feito por um psicólogo, que terá condições de avaliar inclusive a necessidade de encaminhamento para um psiquiatra, a fim de incluir medicamentos no tratamento.

Ressalto aqui a importância da psicoterapia para o tratamento da depressão pós-parto. Isso, no entanto, não significa que nos casos em que ocorre a tristeza materna essa intervenção não seja necessária. A tristeza faz parte da vida e precisa ser integrada a ela, mas as mães não precisam fazer isso sozinhas. Contar com ajuda profissional, nesse período de vida tão sublime e, ao mesmo tempo, tão delicado e complexo, pode fazer toda a diferença para a saúde emocional das mães e certamente para seus bebês também.

Por Cynthia Boscovich

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