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07/05/2014 09:15

Desconhecidos, eles viraram sócios no Facebook e hoje ganham clientela com lábia

Campo Grande News
Wellington e José trabalham na rua, de segunda a sábado, das 8h às 17h30. (Foto: Marcelo Victor)Wellington e José trabalham na rua, de segunda a sábado, das 8h às 17h30. (Foto: Marcelo Victor)

Foi pelo Facebook, depois de um post, que Wellington Pegorari, 27 anos, conseguiu achar um sócio para vender biscoitos de nata pelo centro de Campo Grande. Na época, José Carlos Borro de Oliveira Júnior, 19, o parceiro em questão, trabalhava como açogueiro em um mercado na região das Moreninhas, mas diz que estava de "saco cheio" de ser empregado e, por isso, resolveu pedir demissão para se arriscar no empreendedorismo com o outro rapaz, até então, um desconhecido.

Welligton também queria ser o próprio patrão e foi por isso que deixou o emprego de motorista, em uma empresa de alimentos frigoríficos, para se dedicar à nova função. Três meses depois, a dupla mantém firme a sociedade e já colhe os frutos do trabalho que, garantem, tem compensando, e muito. “Deixei de ganhar um salário comercial, de R$ 700,00 R$ 800,00 para faturar de R$ 3 a 4 mil por mês”, garante José. “Eu já tirava uns R$ 2,5 mil, mas agora também ganho mais”, conta Welligton.

No centro da Capital, de segunda a sábado, das 8h às 17h30, eles vendem biscoitinhos de nata pura, com chocolate, goibada, coco e doce de leite. O pote com cerca de 700 gramas custa R$ 10,00.

O produto não é novidade, mas a forma de vender chama a atenção e, talvez, venha daí o sucesso. Os sócios “chegam junto” nos clientes, conversam, esbanjam simpatia, oferecem provas e, em pouco tempo, concretizam uma venda.

Welligton, com jeito mais descolado, de boné de aba reta, calça vermelha e corrente grossa no pescoço, às vezes chama as mulheres de patroa, os homens de patrão e, vira e mexe, brinca dizendo que os biscoitos vieram de Juazeiro do Norte.

“O sucesso é o argumento, a abordagem, porque a venda é psicológica. Se eu falar que trouxe isso do Recife, e souber te convencer, você compra. Não pode dar muito tempo para a pessoa pensar”, ensina.

A lábia impressiona, mas a experiência tem endereço certo. Foi adquirida em um dos mais movimentados centros de compras da América Latina, a 25 de Março, em São Paulo. “Eu vendia limão lá quando tinha uns 16 anos”, lembra.

José Carlos não teve o mesmo “treinamento”, mas, na arte da conversa – e do improviso –, não fica para trás. De longe, o rapaz, que costuma andar de bota e camisa listrada, parece mais tímido, mas é só observá-lo em ação para acabar com a primeira impressão.

“No meu primeiro dia eu vendi 40 potes. [...] Fui criado em fazenda, mas já trabalhei em loja e aprendi a me relacionar com o público”, disse.

A comercialização começou com os dois, mas, agora, outras 6 pessoas revendem os produtos na região central da cidade. Os bolinhos são feitos por uma mulher, que conta com a ajuda de outras 4 pessoas na linha de produção.

Wellington e Zé Carlos já pensam em mexer com a papelada para formalizar uma empresa, mas, enquanto isso não acontece, continuam na rua, conquistando os campo-grandenses mais arredios, que nem sempre respondem ao “bom dia”, e “batendo de frente” com a fiscalização.

Melhor aguentar isso, dizem, do que voltar a ser empregado. “Eu trabalhava aos sábados, domingos e feriados. Era quase um serviço escravo. Não quero mais isso”, afirmou José. “Porque você tem que tirar férias aqui, no Águas do Pantanal, enquanto seu chefe vai para Fernando de Noronha gastar 10 mil em uma noite”?, questiona, comparando os dois extremos.

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