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07/09/2005 15:54

Delúbio ligou 37 vezes para gabinete de Dirceu

O primeiro relatório parcial sobre sigilos quebrados na CPI dos Correios, em poder do Ministério Público e da Polícia Federal, atribui ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares 121 ligações para órgãos da Presidência entre 2003 e 2004 --sendo 37 para o gabinete do ex-ministro José Dirceu e pelo menos uma para o principal ramal do gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ramais da Presidência também foram acionados 126 vezes pelas empresas do publicitário mineiro Marcos Valério de Souza no período em que a DNA e a SMPB disputavam a renovação e um novo contrato com estatais, entre agosto e dezembro de 2003.

A CPI rastreia 1,5 milhão de chamadas dos principais citados no escândalo do "mensalão" em apenas seis das 40 operadoras de telefonia. Por ora, só cruzou dados dos telefones fixos do Planalto e outros órgãos públicos, e não os celulares de autoridades e personagens investigados.

O telefone celular era um meio importante de contato para os pagamentos de políticos. Em depoimento anteontem à Polícia Federal, em Brasília, Valério disse que tinha o costume de trocar o número de seu celular. "Delúbio Soares também trocava muito o número de seu telefone", disse. O hábito dificulta as investigações.

Ramais da Casa Civil

A ligação telefônica do ex-tesoureiro para o ramal do presidente ocorreu em 19 de outubro de 2004, diz o relatório. Os contatos mais freqüentes eram com a Casa Civil, órgão que recebeu a maioria dos 121 telefonemas. Além das 37 chamadas para o ramal de Dirceu, há ligações para o ramal do ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz menos de dois meses antes do seu afastamento do cargo por envolvimento em pagamento de propina.

As chamadas de Delúbio são mais freqüentes no período que antecedeu as eleições municipais de 2004.

O primeiro relatório identificou 292 ligações de Valério para órgãos da Presidência entre 2000 e 2005. A maior parte das chamadas (268) ocorreu na gestão de Lula e foi para a Secom (à época, Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica).

A assessoria de comunicação da DNA Propaganda informou que as chamadas devem-se a discussões sobre campanhas publicitárias que a empresa mantém com o Banco do Brasil, a Eletronorte e o Ministério do Trabalho.

A Secom, em notas divulgadas desde o início do escândalo dos Correios, e em cartas à Folha, sempre negou interferir nos contratos, alegando que a tarefa compete aos órgãos contratantes.

Empresas de Valério

A análise do período sob investigação (2000 a 2005) revela que as chamadas feitas pela DNA e pela SMPB não obedecem à lógica de um relacionamento regular comercial. Ao longo dos seis primeiros meses de 2005, por exemplo, não houve nenhuma ligação para a Presidência.

Em 2004, foram registradas 63 chamadas --e nenhuma no mês de dezembro. Em contrapartida, ocorreram 205 no ano anterior, sendo 129 no período de agosto a dezembro, quando a SMPB disputava um contrato nos Correios de R$ 23 milhões, e fechava um novo contrato com o Banco do Brasil de R$ 111 milhões (2004).

Os dois contratos foram usados posteriormente como garantias para empréstimos que Valério tomou nos bancos BMG e Rural e que supostamente teriam alimentado o caixa dois do PT.

O ritmo de ligações, que atingiu o auge no segundo semestre de 2003, caiu bastante em 2004. A partir de maio, as ligações se resumiram a uma média mensal de três telefonemas. Só em dezembro de 2003 haviam sido 30. Em agosto daquele ano, 33.


Folha Online

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