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08/07/2013 07:04

Danos causados à soja pela lagarta da maçã (Heliothis virescens)

José Luis da Silva Nunes*

Desde a sua instalação, a cultura da soja está sujeita ao ataque de diversos insetos-pragas, incluindo uma gama de lepidópteros de diversos gêneros. Estes insetos-pragas são categorizados como principais e secundários, em função de sua frequência, abrangência e danos provocados na cultura.

No Brasil, a mariposa Heliothis virescens (Fabricius, 1781), conhecida como lagarta da maçã, é considerada uma praga principal para o algodoeiro, provocando danos severos e irreversíveis à cultura. Para a cultura da soja, porém, esta espécie era considerada, até 2008, desconhecida ou de pouca importância, passando então a representar uma ameaça à oleaginosa. A partir daí, os agricultores se virão forçados a reforçar a aplicação de inseticidas para controlar a praga.

Esta espécie apresenta distribuição em toda a América Tropical, desde o norte da Argentina até o sul dos Estados Unidos. Por ser uma espécie de hábito polífago, pode alimentar-se tanto de plantas cultivadas como silvestres. Desta forma, no ambiente, a praga tem se adaptado e encontrado hospedeiros durante o ano todo. Dentro deste contexto, inicialmente, o problema surgiu no sistema de rotação entre soja e algodão, nos estados do centro-oeste, onde a lagarta da maçã se adaptou a cultura da soja. Ainda não se sabe ao certo quais os fatores preponderantes para esta adaptação da praga a cultura da soja. Uma das prováveis causas seria a aplicação frequente de inseticidas químicos de amplo espectro na cultura da soja, para controle de outras pragas, que abriu espaço para pragas secundárias ao eliminar os inimigos naturais que mantinham sua população em equilíbrio.

Associado a isto, as condições ambientais dos últimos anos favoreceram a multiplicação dos insetos, como altas temperaturas no verão e invernos amenos. Isto facilitou a dispersão da praga para outros estados, como Bahia, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e, por último, foram constatados focos da praga no Rio Grande do Sul nas duas últimas safras.

O adulto da lagarta da maçã é uma mariposa de coloração castanha e faixas transversais de cor escura e franja externa na ponta das asas anteriores, sendo as asas posteriores claras, com uma faixa escura ao longo da franja. As lagartas apresentam coloração variada, do amarelo ao verde escuro. As fêmeas realizam a postura isolada dos ovos nos ponteiros ou gemas apicais das plantas. Os adultos são detectáveis no final da tarde (são insetos crepusculares), quando saem para se alimentar. Este momento é considerado crucial para o monitoramento de adultos, como informação de prevenção a possíveis infestações da praga.

As lagartinhas recém-emergidas tendem a atacar desde o início, preferencialmente as folhas novas do ápice das plantas podendo, também, ficar escondidas nas flores, o que pode dificultar seu monitoramento. Cabe salientar que a desfolha promovida por esta espécie não é tão significativa quanto a de outras lagartas. Porém, a sua atuação nas fases posteriores ao início do florescimento promove redução significativa da produtividade da cultura, pois a praga ataca flores, vagens e grãos, principalmente quando o ataque se dá a partir do aparecimento dos “canivetes”. Isto porque as lagartas tem grande potencial destrutivo, atacando várias vagens. Além disto, as vagens perfuradas podem sofrer o ataque de patógenos e acabar caindo.

É preciso estar atento ao aparecimento desta praga. O controle químico, apesar de ser prático, rápido e em alguns casos apresentar baixo custo, não deve ser utilizado de forma única. Isto porque esta espécie já apresentou problemas de resistência a inseticidas na cultura do algodão. O ideal é que seja estabelecido um programa de manejo integrado de pragas (MIP), como alternativa ao controle químico. O controle biológico com inimigos naturais da praga pode ser utilizado, com resultados bem satisfatórios. Espécies de parasitóides como Trichogramma spp. e Braconídeos são muito eficientes para o controle da praga. Associado a isto, o controle químico deve ser preferencialmente com produtos seletivos aos inimigos naturais da lagarta da maçã.

Chama a atenção, também, que o controle químico das lagartas grandes (maiores do que 1,5 cm) em plantas bem desenvolvidas (com maior enfolhamento) torna-se mais difícil, pois as folhas da planta acabam protegendo as lagartas dos inseticidas, principalmente quando não há uma boa tecnologia de aplicação, ou quando se usa o produto de forma incorreta. O recomendável é que o produtor realize o controle enquanto as lagartas estão no ponteiro das plantas. Cabe salientar que os inseticidas utilizados na cultura da soja não são registrados junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para o controle desta praga. Entretanto, alguns inseticidas com registro na cultura da soja para outras pragas, como Pseudoplusia includens, tem apresentado bons resultados no controle da lagarta da maçã. A possibilidade da introdução, na cultura da soja, da tecnologia Bt utilizada na cultura do algodão também se mostra como alternativa viável, em face dos resultados eficazes no controle desta praga.

Para os produtores, o aumento dos ataques desta praga passa a ser a maior preocupação para a safra de 2013/2014, já que ainda não existe tecnologia e tampouco inseticidas eficientes registrados para seu controle. Sob este ponto de vista, a praga tende a torna-se muito prejudicial para a cultura da soja. O importante é ajustar um manejo integrado da praga, com monitoramento eficiente, visando minimizar o impacto desta sobre a colheita.

*Engenheiro Agrônomo, Dr. em Fitotecnia, grupo técnico da BADESUL, Agência de fomento do Estado do Rio Grande do Sul.

Publicado por Agrolink

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