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23/08/2015 14:00

Crianças acima do peso vão viver menos que os pais

Portal Educação Física

A pesquisa é de 2009 e, em comparação com os números de 1974, o registro do excesso de peso na infância triplicou, passando de 9,7% para 33,5%. No Brasil, uma em cada três crianças está acima do peso.

No café da manhã, suco de caixinha. No almoço, lasanha congelada. De lanche, um salgadinho e, para o jantar, macarrão instantâneo. O que era para ser apenas uma alternativa conveniente e esporádica acabou se tornando rotina nas mesas de famílias pelo mundo todo — e a praticidade agora cobra seu preço. Enquanto a expectativa de vida aumentou entre as últimas gerações, as crianças de hoje em dia provavelmente viverão menos do que seus pais. E muito da culpa será, justamente, das comidas industrializadas e fast-foods.

O alerta é da coordenadora do departamento de obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, doutora Zuleika Halpern, que classifica como epidemia os atuais números da obesidade no Brasil. De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em parceria com o Ministério da Saúde, uma em cada três crianças de cinco a nove anos está acima do peso recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

A pesquisa é de 2009 e, em comparação com os números de 1974, o registro do excesso de peso na infância triplicou, passando de 9,7% para 33,5%. A projeção para 2025 é de que a quantidade de crianças obesas chegue a 75 milhões, caso nenhuma providência seja tomada.”Essa obesidade nas crianças não só faz com que elas fiquem doentes, mas também que tenham chance de morrer prematuramente de infarto, câncer e diabetes. Elas estão ficando hipertensas, com aumento de colesterol e triglicérides, fatores que, de acordo com estudos muito bem estabelecidos, contribuem para o aumento de morte dessas crianças no futuro.”

Além dos problemas físicos, que incluem também alterações hormonais e, posteriormente, sexuais, a obesidade infantil é responsável por distúrbios alimentares e depressão, podendo levar, inclusive, ao suicídio na adolescência.”As crianças ficam absolutamente isoladas socialmente, são discriminadas. Ninguém as chama para a turma, para jogar bola, para brincar, e ainda viram motivo de chacota, recebendo apelidos horrorosos. Há crianças obesas que chegam ao ponto de não querer mais nem ir para a escola.”

A culpa é dos pais

Embora os pequenos tenham um certo poder de decisão sobre o que consomem ou não, quem acaba dando a palavra final são os pais — e é aqui que mora o perigo. Se não houver firmeza e a família toda se deixar levar pelos desejos das crianças, com certeza a despensa vai ter muito mais guloseimas do que alimentos saudáveis.

Para Zuleika, os pais são totalmente responsáveis pela saúde dos filhos, especialmente no que diz respeito ao peso e controle da obesidade.

Sem o envolvimento deles, a criança não conseguirá modificar seus hábitos sozinha, ainda mais quando há tamanha oferta de doces e salgadinhos em locais como farmácias, padarias e bancas de jornal, sempre em prateleiras estrategicamente dispostas na altura das crianças.”A criança consome o que os adultos oferecem, ela se senta à mesa e vai comer o que tem. Vivemos em uma época em que as pessoas trabalham mais, e ninguém tem tempo de cozinhar. A pessoa entra no mercado, compra vários pacotes, põe a criança na frente da TV, dá um pacote e vai fazer outra coisa. A crise da obesidade tem vários componentes, mas, sem dúvida nenhuma, se houvesse uma oferta de alimentos prontos mais saudáveis, seria uma boa ajuda para os pais.”

32 kg de açúcar

Todos os anos, um americano médio come 15 kg de queijo, 32 kg de açúcar, e, por dia, 8,5 gramas de sal, o dobro do recomendado pela Organização Mundial da Saúde. E, ao contrário do que se possa pensar, estas cifras não vêm de escolhas voluntárias, como, por exemplo, chacoalhar o saleiro em cima do prato, mas, vêm, sim, dos alimentos industrializados.

Para mostrar de que maneira chegamos à epidemia da obesidade e a hábitos alimentares tão prejudiciais à saúde, o jornalista vencedor do prêmio Pulitzer, Michael Moss, escreveu o livro Sal, Açúcar, Gordura, lançado no Brasil em 2014 pela editora Intrínseca.

A publicação se baseia em uma extensa pesquisa envolvendo as grandes companhias de alimentos multinacionais, laboratórios e cientistas, e aponta que, na guerra pela conquista dos consumidores, vale tudo, até mesmo apelar para o abuso dos três ingredientes que dão título ao livro, e para estratégias comerciais tão agressivas quanto eram as da indústria do tabaco, antes deste tipo de propaganda ter sua veiculação proibida.

Em entrevista exclusiva ao R7, Moss conta que o que mais o surpreendeu ao escrever Sal, Açúcar, Gordura foi perceber o quanto o marketing tem seu papel em deixar as crianças dependentes das comidas processadas, moldando seus hábitos alimentares de uma maneira nociva à saúde.

“Alguns especialistas estão convencidos de que, para a maioria das pessoas, alimentos muito doces e muito gordurosos acabam causando a perda de controle, assim como acontece com o álcool, o tabaco e talvez até alguns narcóticos. Mas, mais que isso, eles mostram que é mais difícil parar de comer em excesso do que abandonar o vício em drogas, já que o marketing dos alimentos é tão dominante.”

Na pesquisa, Moss constatou que o “paladar infantil” existe de fato: crianças preferem comidas duas vezes mais doces que os adultos, que, no geral, vão diminuindo seu gosto por açúcar ao longo da vida. O jornalista acrescenta, ainda, que a gordura tem seu ápice de adesão durante a adolescência, e que, em relação ao sal, suas descobertas foram ainda mais surpreendentes. “Até os seis meses de idade, nós não toleramos o sal. Além disso, há um estudo que comprova que nosso gosto pelo sal na fase adulta é intimamente ligado à quantidade de exposição que tivemos a alimentos processados enquanto crianças.”

“Lavagem saudável”

Ao perceber que, com a divulgação da epidemia de obesidade que se alastra pelo mundo uma parcela dos consumidores se tornou mais consciente e passou a buscar alimentos processados com reduzidos teores de sal, açúcar e gordura, os fabricantes deram, então, início à produção de itens dentro desta nova necessidade.

Moss, no entanto, acredita que a iniciativa não passa de uma tentativa de dar uma nova roupagem a produtos praticamente iguais aos que já existiam, em um processo que ele chama de “lavagem saudável”. “Eles fingem oferecer produtos mais saudáveis ao mudar um único elemento na receita, de modo que não se trata de uma mudança significativa. Acontece que as empresas dependem do abuso de sal, açúcar e gordura para tornar seus produtos mais convenientes, irresistíveis e baratos, então não vão desistir desta fórmula.”

Como explica a endocrinologista Zuleika Halpern, crianças que têm dietas baseadas em alimentos industrializados vivem mal alimentadas e, por consequência, estarão sempre com fome. “São produtos nada nutritivos e que causam um efeito que chamamos de fome rebote. Ela come um pacote de bolachas inteiro e, depois de duas horas, já está com uma fome violenta. Isso acontece porque há um pico de insulina com a ingestão de tanto açúcar. É diferente de uma criança que come um prato de comida, e que vai ficar sem fome por, no mínimo, quatro horas.”

A médica alerta, ainda, para o fato de que, mesmo quando os pequenos fazem atividade física, os efeitos nocivos deste tipo de alimentação não são anulados. Mesma coisa com os pais que contam com a genética a favor dos filhos. De acordo com Zuleika, há diversos casos de crianças com sobrepeso que têm genitores magros. “Vivemos em um mundo em que tudo é feito para nos engordar e destruir. É preciso se cuidar para ter uma boa alimentação, praticar atividades físicas e nunca ficar inativo. Fico revoltada, porque a expectativa de vida vinha aumentando, conquistamos bons medicamentos para isso, e, agora, vamos acabar revertendo este quadro, porque nada mais vai adiantar. As pessoas vão começar a morrer mais cedo de novo por conta deste ambiente horroroso que desenharam para nós.”

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