Cassilândia, Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017

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20/10/2017 10:04

CPI-JBS – E agora, qual é a saída?

Manoel Afonso

A VISÃO que se tem hoje da Comissão Parlamentar de Inquérito da Assembleia Legislativa contra a JBS é que os efeitos podem ser muito mais danosos do que os eventuais benefícios. Já se compara o episódio ao caçador que na ânsia natural de matar o passarinho inadvertidamente destruiu toda a floresta. Futuras medidas judiciais podem não ser eficazes a curto prazo.

PREOCUPANTE o quadro: a matança paralisada nos frigoríficos, empregados desesperados com medo de perder o emprego, queda na arrecadação estadual e lá na ponta o pecuarista temendo ficar sem comprador para o único produto que tem para oferecer. “Time is money”. Seria o caso de se perguntar: “E agora José?”


A QUESTÃO da JBS no Estado precisa sim ser questionada pelos deputados da CPI também quanto às administrações estaduais de Zeca do PT e de André Puccinelli (PMDB). Até agora não houve esse direcionamento. Seria pela presença na CPI de parlamentares ligados aos ex-dois governadores ? Ficamos no aguardo.


DE LEVE... Como diz Galvão Bueno: “pode isso Arnaldo?” Em termos credibilidade junto a população os políticos (só com 11%) perdem de goleada até para os jogadores de futebol (44%). Os bombeiros (98%), carteiros (92%), os professores e médicos (87%) e as Forças Armadas (84%) desfrutam do melhor conceito.


A PROPÓSITO Os resultados das pesquisas divulgados nesta semana tem sim algo em comum com a relação tormentosa da opinião pública com os políticos. Diferentes argumentos desqualificam os números para tentar minimizar seus efeitos. Concordo com tudo e todos, mas insisto: o eleitor está amadurecendo - mas afia a faca!


DIFERENÇA Contra os discursos milagrosos, o novo eleitor até pode não decidir, mas influenciará na família e grupo social. Embora não seja rico, tem acesso ao ensino, ao consumo e navega na internet com o smartphone pago a prestações. Decide com maior reflexão, pouco espera dos políticos, sente-se responsável pelo que realiza independente das benesses do Estado.


CENÁRIO No descanso das obras, dos garis da limpeza, nos pátios dos colégios e faculdades, nos ônibus, metrôs e nas ruas, há milhares conectados. Notícias, vídeos indignação, risos sobre fatos e personagens do dia a dia. Influenciam na formação da consciência e postura política, criando asas e se libertando da família e patrão.


BOA AVALIAÇÃO Sem surpresa os números recentes da ‘Ranking Pesquisas’ sobre a atuação da Câmara Municipal de Campo Grande. Nada menos que 35,83% avaliaram como ótima e boa – enquanto 41% dos entrevistados a classificaram como regular, só 14,03% como ruim/péssimo – enquanto 8,24% não souberam e não responderam.


MS 40 ANOS No saguão da Assembleia Legislativa falei com o ex-senador Ruben Figueiró (PSDB) sobre a divisão de Mato Grosso. Admite: a classe política falhou em vários pontos e nos estudos preliminares da comissão da divisão estava previsto que Rondonópolis ficaria conosco (área de 33 mil hectares). Figueiró admite: a soberba das lideranças, a nomeação de Harry Amorim e a guerra pelos espaços nos prejudicou .


EMBORA cauteloso nas declarações Figueiró admitiu que o governador Wilson Martins errou ao asfaltar dois trechos da BR 262 ( Aquidauana-Corumbá, Água Clara – Três Lagoas) com dinheiro emprestado. Dívida impagável até hoje. Para amenizar a conversa com o senador, um assessor legislativo ironizou: “perdemos muito, mas para compensar ficamos com o Almir Sater, Michel Teló e o Luan Santana”.


COMPARE: Mato Grosso tinha 93 municípios quando da divisão. O Sul com 55 deles e população de 900 mil habitantes; o Norte com 36 e 600 mil habitantes. Hoje temos 79 cidades com 2.630 mil habitantes e os matogrossenses chegaram a 141 municípios com 3.350 mil habitantes. Se o Estado fosse uno teríamos 220 cidades e 6 milhões de habitantes, uma potência econômica invejável. Já ouvi: “Ah! Se os nossos políticos tivessem a sabedoria dos cuiabanos”.


CAFÉ AMIGO Momentos agradáveis com o ex-senador Levy Dias. Falamos de fatos, personagens e tiramos boas lembranças do baú. Saudável, disposto ele mantém na iniciativa privada o estilo dinâmico adotado na vida pública. Sua empresa voltada para a suinocultura é modelo - fornece mil porcos gordos ao abate por semana. O plantel passa de 30 mil cabeças. Aliás, seus olhos brilham ao falar do empreendimento.


O EX-SENADOR é outro remanescente da divisão do Mato Grosso. Entende que a disputa política na fase inicial do Estado era natural. Falou de suas boas relações que tinha como prefeito de Campo Grande com Harry Amorin, então diretor do DNOS e com o engenheiro Carlos Voges, com os quais também conviveu enquanto eles aqui estiveram. Não fez críticas ou restrições a ninguém.


SEM MÁGOAS , Levy admite que teria sido governador se tivesse vencido Zé Elias na convenção do PDS para o pleito de 1982. Ele perdeu pelos votos dos deputados Daladier Agi e Valdomiro Gonçalves, fieis a Pedrossian. Reconhece a liderança do ex-governador Pedrossian, a quem é grato pela sua trajetória. Levy gostou da sugestão de escrever um livro de memórias. Conteúdo não faltará, com certeza.


LEVY DIAS Em 1982 ele poderia ter sido o adversário de Wilson B. Martins (PMDB) – no lugar de José Elias Moreira (PDS) . Apesar do discurso fraco, falta de carisma e da discriminação por ser de Dourados, Zé perdeu só por 21.040 votos. Wilson Fadul (PDT) pontuou 5.414 votos e Antonio Carlos de Oliveira (PT) 4.541 votos.


1-LAVA JATO Não pode passar despercebida a parte da entrevista do Juiz Sergio Moro na Globonews onde aborda a prisão após decisão em Segunda Instância. Lembrou os recursos só visam empurrar de barriga os processos até alcançar a prescrição inclusive. E mais: Nos Estados Unidos e França – incomparáveis ao Brasil – o réu começa a cumprir pena já na decisão de Primeira Instância.


2-LAVA JATO Moro ainda rebateu suposta exclusividade para tratar da Lava Jato. Lembrou que ela se espalhou por São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Campo Grande. Aliás, na 3ª. Vara Federal da capital estão os autos de apimentado conteúdo do Aquário, Lama Asfaltica e das propinas da JBS. O cemitério dos sonhos de políticos envolvidos?


VERDADE? Fala-se em eventual delação premiada de Ivanildo da Cunha Mirada – operador de propinas, ( 7 anos) segundo documentos na denúncia da Procuradoria Geral da República na Lava Jato. Ele antecedeu ao operador João Baird e foi sucedido por André Luiz Cance, ex-secretário adjunto do Governo Estadual – gestão de André Puccinelli. Pelas delações de Joesley Batista e Wesley Batista as propinas chegaram as 110 milhões de reais.


METEÓRO Quem conheceu Ivanildo da Cunha Miranda antes de se tornar figura importante nos bastidores do poder, não titubeia em dizer que ele mudou muito. Seu padrão de vida foi lá em cima, com hábitos antes impensáveis. O que se perguntava nesta quarta feira no saguão da Assembleia Legislativa – é se ele teria estrutura psicológica para segurar a bronca sozinho. Pessoas próximas lembram: “ele sumiu”.


‘INTERESSANTE’ Vários políticos ligados ao ex-governador André Puccinelli ( PMDB) sustentam as condições legais dele competir no pleito de 2018. Lembram as leis e brechas permitindo recursos, como tantos senadores, ministros e deputados - beneficiários do foro especial que deságua na prescrição (pela metade) deles políticos no STF.


“PAROLAS” Não cola mais o marketing de austeridade do STF. Lá atrás a ministra Carmem Lúcia, empolgada disse: “Quero avisar que o crime não vencerá a justiça.” Lembrei na hora da frase do ex-ministro Zé Dirceu (PT): “ O PT acabou com a corrupção no Governo.” O voto dela que prendeu o deputado federal Natan Donadon (RO) serviu de base ao ministro Teori Zavascky para decretar a prisão preventiva do senador Delcídio do Amaral (ex-PT). Já no caso de seu conterrâneo senador Aécio Neves (PSDB) ela decidiu contra sua própria decisão. Sujou a toga.


“Espelho, espelho meu, pode me dizer o que é meu e o que é teu?” ( Oberdan Rossetin)

 

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