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12/03/2020 11:00

Correr causa desgaste da cartilagem do joelho e artrose? O que diz a ciência?

Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte

Sintomas no joelho são comuns em pessoas que praticam corrida, principalmente quando começam a aumentar o ritmo, intensidade e frequência dos treinamentos. Uma pergunta muito frequente é se existe associação entre a prática de corrida e o desgaste da cartilagem do joelho e artrose. Muitas pesquisas científicas foram feitas para investigar esta questão. Para se ter uma ideia, a maior revisão sistemática sobre o tema analisou 1387 artigos científicos!

Um estudo muito interessante foi realizado por Mosher et al, em 2010, que avaliou a espessura da cartilagem do joelho por ressonância magnética em corredores. A espessura da cartilagem do joelho foi significativamente maior em maratonistas do que em não corredores, evidenciando um fenômeno adaptativo relacionado à sobrecarga repetitiva, da mesma maneira que ocorre com o osso, aumentando a densidade óssea com o exercício rotineiro. Portanto, os atletas que apresentam cargas elevadas de treino por longos períodos apresentam cartilagem mais espessa, como adaptação a esta sobrecarga.

Isto protege estes indivíduos contra lesões agudas por sobrecarga, como confirmado por Hohmann et al, em 2005. Neste estudo, foi realizada uma ressonância magnética antes e depois de uma maratona, comparando maratonistas profissionais e amadores iniciantes. Foi avaliada a presença de edema ósseo subcondral, um claro sinal de sobrecarga articular. Entre os maratonistas profissionais, não houve aparecimento de edema ósseo após a maratona, enquanto mais de 70% dos maratonistas iniciantes apresentaram edema ósseo ao final da maratona.

Com relação a incidência de osteoartrite, os dois principais estudos publicados encontraram resultados diferentes. Felson et al, em 2007, avaliaram a incidência de osteoartrite (artrose) do joelho em corredores amadores e não encontraram nenhuma diferença na incidência de artrose comparado com não corredores. Por outro lado, Kujala et al, em 1999, avaliando corredores de elite, observou uma incidência de artrose 79% maior (odds ratio = 1,79) em corredores profissionais comparados aos não corredores.

Portanto, parece haver uma correlação entre a intensidade e frequência da corrida e a possibilidade de desenvolvimento de artrose. Corredores amadores não apresentam aumento da incidência, enquanto corredores profissionais, com carga de treino muito elevada, apresentam aumento significativo da incidência de artrose. Por outro lado, corredores amadores tem maior chance de desenvolverem sintomas em quadros agudos, por exemplo, ao aumentar a carga de treino muito rapidamente ou participarem de provas exaustivas.

Apesar da possibilidade do aumento de incidência de artrose relacionada a corrida, principalmente com muita intensidade, uma metanálise publicada em 2016 no American Journal of Sports Medicine por Timmins et al encontrou um dado interessante: a probabilidade de um praticante de corrida necessitar de cirurgia por causa de artrose foi 54% menor (odds ratio = 0,46), comparado aos não corredores!

Concluindo, não é possível afirmar a relação entre corrida e artrose, exceto em poucos estudos que avaliam corredores de elite. Corredores recreacionais não apresentam aumento de incidência de artrose relacionada a corrida, e apenas vão apresentar problemas se a carga de esforço for aumentada repentinamente e sem preparo adequado. A principal metanálise sobre o assunto conclui que a chance de necessitar de cirurgia para artrose foi significativamente menor em corredores do que em não corredores.

PS: Esta conclusão não significa que indivíduos com artrose se beneficiam da corrida. Estes estudos foram feitos em corredores para avaliar se a corrida poderia causar artrose. Para pessoas que já apresentam artrose, o desgaste de cartilagem já ocorreu e a prescrição de exercícios deve ser individualizada!

Referência: 1.Timmins KA, Leech RD, Batt ME, Edwards KL. Running and Knee Osteoarthritis: A Systematic Review and Meta-analysis. The American Journal of Sports Medicine. 2017 May;45(6):1447–57.

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