Cassilândia, Quarta-feira, 12 de Agosto de 2020

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24/07/2020 17:00

Coronavírus pode se espalhar por mais de 8 metros em frigoríficos, aponta estudo

Frigoríficos estão entre os principais focos de coronavírus em MS; frio, baixa umidade e proximidade de trabalhadores favorecem espalhamento

Midiamax
Coronavírus pode se espalhar por mais de 8 metros em frigoríficos, aponta estudo

Pesquisas sobre a contaminação de trabalhadores de frigoríficos pelo novo coronavírus (Covid-19) sugerem o porquê de essa indústria se consolidar entre os principais focos da doença pelo mundo –inclusive em Mato Grosso do Sul, onde cidades vivenciaram surtos a partir de funcionários contaminados em indústrias frigoríficas. Ambientes fechados e refrigerados seriam capazes de permitir que partículas de vírus se desloquem por mais de 8 metros.

É o que indica estudo realizado por um grupo de pesquisas do Heinrich Pette Institute, que integra o Leibniz Institute for Experimental Virology (Instituto Leibniz para Virologia Experimental, em tradução livre), localizado na Universidade de Hamburgo (Alemanha). O ensaio foi baseado no surto ocorrido em um frigorífico da cidade de Rheda-Wiedenbrueck, onde 1,5 mil trabalhadores foram contaminados pela Covid-19.

Conforme o MSN.com, os pesquisadores reconstruíram o surto no frigorífico Toennis Group, integrante de uma cadeia produtiva que, em geral, manteve-se ativa durante a quarentena em vários países (incluindo o Brasil, como forma de evitar desabastecimento). As indústrias de carnes acabaram registrando rápida contaminação de seus trabalhadores das linhas de produção, que trabalham próximos uns dos outros e em locais apertados.

Os especialistas destacaram que os ambientes são propícios à disseminação da Covid-19 por serem fechados e com baixa renovação de ar. Além disso, as baixas temperatura e umidade e o distanciamento insuficiente entre os trabalhadores favorecem a transmissão. No Toennis, todo o surto começou com apenas um trabalhador –depois de um mês, a unidade reabriu na semana passada de forma gradual, prometendo testagens duas vezes por semana nos funcionários.

“Com temperatura média de 10°C e pouca circulação de ar, o ambiente ajudou que as partículas pudessem se mover por grandes distâncias”, explicou o coordenador do grupo de pesquisas, Adam Grundhoff. “Em condições como essas, de 1,5 a 3 metros de distância entre os trabalhadores não são suficientes para prevenir a transmissão”, prosseguiu.

Fatores como a moradia dos funcionários, que chegou a ser apontada como um desencadeador de surtos, não foram relevantes na disseminação da doença, conforme o estudo. Agora, com tais dados, os pesquisadores buscarão entender em que condições, mesmo a longas distâncias, é possível ocorrer a transmissão do coronavírus.

Alguns dos principais focos de coronavírus no Estado se deram a partir de frigoríficos. Foi o caso do surto em São Gabriel do Oeste, que colocou o município entre aqueles com maior taxa de incidência de Covid-19 no Brasil. Situação semelhante foi registrada em Bonito, Juti, São Gabriel do Oeste e, também, em Dourados –onde trabalhadores da indústria da carne que vivem nas aldeias Jaguapiru e Bororó foram infectados.

Na semana passada, o Ministério Público do Trabalho solicitou à Vigilância Sanitária de Juti e São Gabriel que inspecionasse unidades frigoríficas da cidade para constatar se as medidas sanitárias para evitar a contaminação pela Covid-19 foram tomadas. Em Juti, a unidade do Frizelo suspendeu os abates por 7 dias após a confirmação de infectados.

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