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04/10/2009 04:26

Confira 10 dicas para usar melhor o cartão de crédito

Fabiano Klostermann - Invertia

As operações com cartão de crédito atingiram R$ 25,538 bilhões em agosto, o que representa um crescimento de 22,7% na comparação com o mesmo mês de 2008. No entanto, pelos dados mais recentes do Banco Central (BC), a inadimplência (faturas em atraso há mais de 90 dias) da modalidade é de 28,26% - mais que o dobro da verificada no cheque especial, que é de 11,7%. O dado mostra como é fácil perder o controle dos gastos no "dinheiro de plástico".

Segundo especialistas ouvidos pelo Terra, a chave para não perder o controle do cartão de crédito é usar a modalidade apenas para centralizar gastos e aproveitar a facilidade na hora de parcelar compras.

Em caso de necessidade por crédito, a recomendação é procurar modalidades mais baratas, como o empréstimo pessoal, que no mês passado teve juros médios de 44,3% ao ano (3,1% ao mês), de acordo com o BC. O cartão de crédito teve taxa média de 237,93% ao ano (10,68% ao mês), bem acima da cobrada no crédito pessoal, segundo dados de julho da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

"Esse é o tamanho do rombo a que você vai estar sujeito. Confira a taxa de juros na base anual. Dá uma melhor base do efeito da taxa no longo prazo", diz Andreas Belck, professor e chefe do departamento de finanças da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

Segundo ele, tomando por base a taxa média da modalidade, quem tomar R$ 1 mil no cartão de crédito - e não fizer nenhum pagamento intermediário - vai dever R$ 3.379,30 ao final de um ano - ou seja, 3,3 vezes mais do que emprestou inicialmente.

Para vice-presidente da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, a regra básica para uso do cartão de crédito tem que ser gastar apenas o se pode pagar na própria fatura, evitando dessa forma os pagamentos mínimos e parcelamento de faturas.

"O ideal é que a pessoa determine limites que ela pode gastar por mês. E comum ter limite (do cartão) superior ao seu salário, o que pode ser um perigo", afirma ele.

Confira dicas para usar melhor o cartão de crédito:
1) Para solicitar um cartão, dirija-se a seu banco. Normalmente ele é fornecido sem restrições. Mas lembre-se: por se tratar de um produto de crédito, você só pode solicitá-lo se tiver o nome "limpo" com SPC, Serasa etc;

2) Negocie a anuidade. Normalmente os bancos liberam a cobrança da primeira. Mas, negociando, você pode obter descontos - ou até isenção - nas próximas;

3) Tenha apenas um cartão de crédito. Desta forma você diminui a possibilidade de perder o controle dos gastos. Antigamente, as bandeiras eram aceitas de forma diversa pelos lojistas (muitos só aceitavam uma). Agora, pelo menos as duas principais, são aceitas na maioria dos estabelecimentos;

4) Preste atenção aos benefícios dos programas de vantagens. Muitas vezes, um cartão que dá mais pontos cobra também uma anuidade maior. Verifique quais os prêmios oferecidos, o sistema de pontuação e seus gastos (para ver se vai conseguir trocar os pontos antes deles expirarem);

5) Preste atenção à data de vencimento do seu cartão. Ela deve ser escolhida levando em conta quando você recebe o seu salário. Estabeleça uma margem de segurança para algum imprevisto. Por exemplo, se você recebe até o quinto dia útil do mês, some mais alguns dias para escolher o vencimento do cartão para eventuais fins de semana e feriados, que podem fazer com que seu pagamento saia em um dia diferente;

6) Saiba quanto você pode gastar no cartão. Estabeleça um valor máximo por mês, baseado em seu salário. Acompanhe a fatura pelos meios disponibilizados pelo seu banco (telefone, e-mail, internet etc) para não perder o controle. Não deixe para ver seus gastos apenas quando a fatura chegar.

7) Tome cuidado com as compras parceladas. O valor pode ser pequeno, mas ele vai estar na sua fatura todos os meses pela duração do financiamento. E tenha em mente que parcelamento sem juros, quando há opção com desconto para o pagamento à vista, não é sem juros.

8) Caso perca o controle dos gastos e não consiga mais pagar as faturas, pare imediatamente de usar o cartão. Se tiver alguma aplicação financeira disponível (poupança, fundo de investimento etc) se desfaça dela para quitar a dívida. Atualmente, não existe no mercado aplicação de renda fixa que tenha rendimento superior aos juros cobrados no cartão de crédito. Caso não disponha de reserva para quitar a dívida do cartão, procure o banco para tentar tomar um empréstimo pessoal (ou, caso possível, um com desconto em folha, que tem juros mais baixos). Com ele, pague a dívida do cartão.

9) Se seu nome esteja inscrito em serviços de restrição ao crédito e não é possível tomar o empréstimo, se desfaça de algum bem, como um carro, por exemplo. Quite a dívida do cartão e, com o que sobrar, dê entrada em um novo veículo. O financiamento de automóveis tem um dos juros mais baixos do mercado (26,2% ao ano, ou 1,96% ao mês, em média, segundo o BC).

10) Em casos extremíssimos, quando não há patrimônio para vender e quitar a dívida, procure o banco para negociar o pagamento de seu débito. Normalmente os bancos oferecem prazos mais longos (24 meses), mas a primeira condição oferecida pode não ser a mais atrativa. Caso possa ficar com nome inscrito nos serviços de restrição ao crédito, deixe a situação evoluir. As instituições financeiras costumam oferecer condições melhores para dívidas mais antigas.

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