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16/08/2007 05:34

Concluída instrução criminal sobre morte de bancária

TJGO

O juiz Silvio José Rabuske, da 1ª Vara Criminal de Aparecida de Goiânia, inquiriu ontem (15), 14 testemunhas arroladas pela acusação e 7 pela defesa na ação penal que apura o assassinato da bancária Michellyne Rocha Araújo Fernandes. Com isso, está encerrada a instrução criminal do caso, tendo o processo passado para a fase de alegações finais do Ministério Público (MP) e da defesa, ao final das quais o juiz proferirá sentença.
Estavam previstas 15 testemunhas de acusação mas uma não compareceu e foi dispensada pelo MP. De acordo com o promotor Maurício Gonçalves de Camargo, os depoimentos mais importantes foram os de Maria Selma Rocha Araújo, Pricila Pires Paixão, Flávia Melanie Martins e Lilia Pereira Santos, mãe e amigas da vítima. As quatro, segundo o representante do MP, foram coerentes em afirmar que o relacionamento de Michellyne com o ex-marido, Arlindo dos Santos Fernandes - denunciado como mandante do crime - era marcado pela possessividade e agressividade dele.
"A meu ver, os depoimentos delas derrubam a versão de Arlindo, de que o casamento acabou porque ele havia contraído uma dívida que gerou discussões infindáveis. O casamento acabou, segundo elas, porque a vítima não mais suportou a possessividade e a violência do marido", comentou Maurício Gonçalves. Também segundo ele, o depoimento do menor L.S.S. foi revelador, porque ele admitiu que estava na companhia de Erasmo Nascimento de Souza - acusado de ter executado a vítima juntamente com Alessandro Wesley Rodrigues dos Santos - quando Alessandro o procurou convidando-o a fazer "o serviço". Segundo o promotor, L.S.S. relatou detalhes do encontro que ele presenciou, dizendo inclusive ter ouvido Alessandro afirmar que o interessado no crime era marido da bancária e "não dormiria enquanto ela não estivesse morta".
Caso
Michellyne foi assassinada em 13 de junho, no Jardim dos Ipês. De acordo com o MP, ela foi casada com Arlindo por quatro anos e se separou dele no ano passado em razão do comportamento violento e possessivo do marido. Diante da resistência dele em aceitar o divórcio, a bancária decidiu propor uma ação de separação litigiosa, enquanto Arlindo insistia em reatar a relação. Constatando que não teria êxito, ele decidiu matá-la.
Depois de uma primeira tentativa frustrada, contratou Antônio José Pereira de Souza - que também foi denunciado e está foragido - para localizar dois executores. Após concordarem em assassinar a bancária, Erasmo e Alessandro foram informados do local onde ela morava e de seus hábitos. Passaram a monitorar Michellyne e, no dia do crime, a abordaram no momento em que a vítima estacionava o carro na garagem da casa dos pais. Sem esboçar reação, a vítima foi levada até um local isolado no Jardim dos Ipês, onde Erasmo a estuprou, enquanto Alessandro tomava as providências para atear fogo ao veículo.
Ainda segundo a promotoria, os dois denunciados se revezaram no enforcamento da vítima e quando as chamas começaram a se alastrar, a dupla fugiu do local, tendo o corpo da bancária sido encontrado, carbonizado, no dia seguinte. A identificação dos acusados do crime foi facilitada pelo fato de que, no dia em que a vítima foi levada, dois policiais militares notaram Erasmo e Alessandro próximos à casa dela e os abordaram, por considerar que estavam em atitude suspeita. Antes de liberá-los, os PMs anotaram seus dados, incluindo os endereços. (Patrícia Papini)

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