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11/10/2012 07:17

Como foi criado o Mato Grosso do Sul

Gabriel Perboni, editor-chefe do Histórica

História 1


Em uma solenidade realizada na presença de cerca de 900 convidados, no Salão Leste do Palácio do Planalto, em Brasília, o presidente Ernesto Geisel sancionou a lei complementar que criou, por desmembramento, o Estado do Mato Grosso do Sul. Durante a cerimônia, o presidente afirmou estar convencido de que a medida atenderia em grande parte e em grande escala as aspirações psicológicas e humanas da população do local, algo que não poderia ser ignorado. Depois de informar que foi preocupação de seu governo “abrir o caminho”, no sentido de redividir o território brasileiro, o presidente Geisel reconheceu que o problema era complexo e “difícil de abordar, em conseqüência dos naturais sentimentos locais, dos sentimentos de regionalismo, e igualmente da tradição histórica, que não poderia ser absolutamente desprezada”.
Na cidade de Campo Grande, capital do então recém criado Estado de Mato Grosso do Sul, cerca de 50 mil pessoas saíram às ruas para festejar a criação do novo Estado, e realizaram uma passeata que durou três horas e da qual participaram dois mil automóveis, portando bandeiras e faixas de agradecimento ao presidente Geisel. Além disso, as escolas municipais, bandas, fanfarras e blocos carnavalescos regionais realizaram um desfile pela Rua 14 de julho. Já em Cuiabá, capital do Mato Grosso, a criação do novo Estado passou inteiramente desapercebida pela população. Algumas lojas da Rua 13 de junho, centro comercial da cidade, chegaram a colocar alto-falantes em suas portas, retransmitindo a cerimônia de Brasília, mas os poucos transeuntes que paravam iam logo embora ao perceber que a transmissão era sobre a divisão.

De acordo com a lei complementar que criou o Estado do Mato Grosso do Sul ficou determinado que seria eleita uma Assembléia Constituinte no dia 15 de novembro de 1978, a qual seria instalaria em 1º de janeiro de 1979, sob a presidência do presidente do Tribunal Regional Eleitoral. Após a promulgação da Constituição, a Assembléia passaria a exercer o Poder Legislativo no Estado.


História 2, ou a outra história


O estado de Mato Grosso do Sul, criado em 11 de outubro de 1977 através de Decreto-Lei assinado pelo Presidente Ernesto Geisel (de origem gaúcha), e implantado oficialmente em 1º de janeiro de 1979, possuía, à época da sua criação, 55 municípios e se constituía na porção mais rica e povoada do antigo estado de Mato Grosso.

Sua criação foi o ápice de um movimento surgido nos anos 30 do século XX e teve momentos críticos, como, por exemplo, a participação dos mato-grossenses da região nas lutas da Revolução Constitucionalista de 1932, em São Paulo, com o fito de obter deste estado, o apoio à causa divisionista.

O movimento divisionista foi conseqüência da influência político-econômica da empresa Companhia Mate Laranjeira, criada pelo gaúcho Thomaz Laranjeira para explorar os vastos ervais nativos existentes na região, documentados por ocasião da demarcação dos limites fronteiriços com o vizinho Paraguay, ao término da Guerra da Tríplice Aliança, também conhecida no Brasil como “Guerra do Paraguai”.

Contando com a anuência do Império que via na atuação da Cia Mate Laranjeira uma valiosa ferramenta de ocupação e afirmação de soberania brasileira na região, Thomaz Laranjeira praticamente constituiu um “Estado dentro de um Estado”. Sua empresa executava atribuições típicas de um Estado, como o policiamento, cobrança de taxas, emissão de autorizações, imposição de normas e regras de comportamento social, imposição da ordem pública e de proibições diversas.

O poder e a influência da Cia. Mate Laranjeira se estendia por praticamente todo o sul do estado de Mato Grosso, atingindo áreas do oeste de São Paulo e Paraná, além de áreas do Paraguay (em reconstrução após o final da guerra) e também grande poder e influência em setores econômicos de Buenos Aires, Argentina. Esse imenso poder incomodava os políticos e empresários regionais porque engessava qualquer iniciativa capitalista independente da anuência dos burocratas da Mate Laranjeira.

Muitos questionavam esse imenso poder, porém Thomaz Laranjeira possuía aliados no governo que impediam qualquer tentativa de prejudicá-lo.

Investidores que pretendiam adquirir ou ampliar terras, constituir empresas ou mesmo comercializar sua produção, esbarravam na burocracia, no pagamento de “taxas de passagem” (pedágio) e nos “capangas”, geralmente de origem paraguaia, que estavam à disposição da Cia. Mate Laranjeira.

Esse quadro, a distância da capital Cuiabá e o isolamento da região, despertou o sentimento divisionista na elite pensante que percebeu a situação de desvantagem diante do restante do estado e da capital; a renda gerada pela arrecadação de impostos e taxas era remetida à Cuiabá e não retornava na forma de investimentos na estrutura produtiva e no desenvolvimento sócio-econômico do sul.

Durante o período Vargas (1930-1945), os políticos e lideranças regionais tentaram junto ao governo central, por diversas vezes, a criação de um Estado, na área compreendida pela zona de influência da Cia. Mate Laranjeira, porém os seus esforços foram em vão, haja vista a intervenção política de Cuiabá. Por ocasião do movimento constitucionalista em São Paulo, os líderes regionais apoiaram os revolucionários paulistas com o intuito de conseguir o apoio destes à causa divisionista. Muitos jovens da região de Campo Grande, Ponta Porã e Dourados foram combater as tropas federalistas em território paulista, em apoio à Revolução Constitucionalista de 1932 (MMDC – Martins Miragaia, Dráusio e Camargo, estudantes paulistas mortos por efetivos federais e que serviu de estopim à revolução).

Neste período chegaram a criar o esboço de um estado, denominado “Estado de Maracajú”, tendo por capital a cidade de Campo Grande e como “governador”, o ex-prefeito de Campo Grande, o renomado médico Dr. Vespasiano Martins e instalando o palácio do governo no prédio da Maçonaria.

A capital, Cuiabá, rejeita a idéia de divisão, pois temia o esvaziamento econômico do Estado porque a região sul era a mais rica e povoada; os Estados vizinhos, temerosos de que ocorresse igual movimento divisionistas neles, apoiaram os políticos cuiabanos.

Com o término dos combates e a derrota dos revolucionários, os mato-grossenses retornaram para a sua terra e continuaram suas lides diárias; porém o ideal divisionista não tinha morrido e, vez por outra, renascia em inflamados discursos políticos locais. Para evitar o ressurgimento de embates políticos com possíveis combates, o governo federal criou o Território Federal de Ponta Porã, com governo militar.

O Estado de Maracajú concretizou, entre 11 de julho até fins de outubro de 1932, um anseio regional já manifestado desde o início do século XX: o Sul independente do Norte.

Com a redemocratização e com o passar dos anos e o crescimento econômico da região, os movimentos divisionistas se acalmaram.

Durante o governo de Ernesto Geisel surgiram novas vozes políticas que despertaram no Presidente da República o desejo de revisar os projetos de criação de um Estado federal ao sul de Mato Grosso. Após estudos técnicos e entendimentos com os políticos de Cuiabá, em 11 de outubro de 1977 o Presidente Ernesto Geisel assinou o Decreto-Lei nº 31, desmembrando Mato Grosso do Sul de Mato Grosso.


Gabriel Perboni é autodidata por natureza e músico por teimosia. Apaixonado pela História, pratica a pesquisa e a produção de conhecimento por hábito. É o fundador e editor-chefe do Histórica.

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