Cassilândia, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

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30/08/2015 12:00

Como é viver sem o olfato

Adep Saúde

Nick Johson se lembra bem do exato momento em que perdeu seu olfato. Era 9 de janeiro de 2014 e ele jogava hóquei com amigos em um lago congelado perto da casa de seus pais, em Collegeville, na Pensilvânia (EUA).

"Estava patinando para trás, devagar, mas tropecei. Bati o lado direito da minha cabeça no chão e desmaiei", conta. "Acordei na ambulância, com mil pessoas à minha volta e sangue saindo pela orelha."

Johnson, de 34 anos, sofreu uma perfuração no tímpano e fraturou o crânio em três lugares. Teve hemorragia cerebral e convulsões.

Após uma recuperação de seis semanas, ele voltou ao trabalho como gerente de vendas de uma grande cervejaria. Durante uma reunião de apresentação de um novo produto, Johnson percebeu que não conseguia distinguir os aromas dos quais seus colegas estavam falando. "Foi aí que a ficha caiu", diz.

O ser humano não costuma estar entre os melhores farejadores da natureza, principalmente em comparação com outros animais. Mas pesquisas mostram que os odores têm uma forte influência subconsicente em nossos pensamentos e comportamentos.

Pessoas que, como Johnson, perderam o olfato após um acidente ou uma doença contam sentir uma enorme perda, com impacto que eles nunca imaginaram.

Perder a capacidade de saborear alimentos e bebidas é uma das principais queixas desses pacientes. Os gostos doce, salgado, azedo e amargo são sentidos com a língua. Mas sabores mais complexos também dependem do olfato.

E, para Johnson e para outras pessoas como ele, há uma outra categoria de perda. Quando sofreu seu acidente, ele estava prestes a ser pai pela segunda vez, de uma menina. "Eu brinco que não sinto o cheiro da fralda da minha filha, mas a verdade é que não sinto nenhum cheiro dela. Não tenho a mesma sensação que tinha quando meu filho era bebê", conta.

Cientistas estimam que a porcentagem de pessoas incapazes de sentir odores é pequena. Uma causa comum para o problema é a sinusite crônica, principalmente entre os mais jovens. O fato de nossos neurônios olfativos chegarem até as narinas também é um complicador, pois eles estão mais expostos a danos por toxinas e infecções.

Outras pessoas costumam sentir uma perda temporária do olfato por causa de resfriados ou outras infecções virais. Mas, quando chegamos aos 70 ou 80, a maioria de nós experimenta uma deterioração significativa. Apesar de o sistema olfativo ter a capacidade de se regenerar, com a idade esse processo fica mais lento.

No caso de Johnson, a causa foi provavelmente um dano catastrófico a seus neurônios receptores olfativos. Essas células vão do nariz ao cérebro passando por uma fina estrutura óssea em forma de peneira.

Quando o americano bateu a cabeça no gelo, o movimento repentino de seu cérebro dentro do crânio pode ter esmagado ou rompido essa retícula, impedindo os sinais de serem transmitidos do nariz ao cérebro.

O mecanismo do olfato
Johnson aspira fundo seu copo de Nugget Nectar, que era sua cerveja favorita. As substâncias químicas voláteis presentes no líquido viajam pelas narinas até o teto da cavidade nasal, a parte especializada no olfato.

Ao sorver um gole, essas mesmas substâncias passam do fundo da boca para a mesma parte do nariz. Até aí, tudo bem.

A seguir, as moléculas são absorvidas no muco dentro do nariz. É nesse momento que se forma o odor: as moléculas precisam ser dissolvidas nesse muco para serem detectadas.

Para uma pessoa saudável, o que acontece em seguida é apenas parcialmente entendido pela ciência. As pontas dos receptores olfativos ficam à espreita nesse muco, ligando-se diretamente ao cérebro.

Temos milhões dessas céulas, mas elas são de apenas 400 tipos, cada um capaz de se ligar a uma molécula específica. Com base em um padrão de ativação desses receptores, ao cheirar a Nugget Nectar, uma pessoa é capaz de reconhecê-la como sendo "cerveja".

Johnson não sente nada porque seu cérebro não recebe as informações vindas de sua bebida.

Potencial pouco explorado
Até pouco tempo atrás, cientistas acreditavam que o ser humano poderia detectar apenas 10 mil odores diferentes. Mas, segundo Joel Mainland, do Monell Chemical Senses Centre, instituto especializado em pesquisas sobre olfato e paladar, hoje já se pensa de maneira diferente. Um artigo recente na revista Science mostra que poderíamos perceber mais de 1 trilhão de aromas.

Johnson agora está sendo tratado neste centro na Filadélfia, onde é submetido a um treinamento sensorial que busca melhorar seu olfato e seu paladar. Mainland acredita que todos nós temos um potencial para sermos melhores farejadores se formos devidamente treinados.

Um bom motivo para melhorar nosso olfato seria ajudar-nos a melhorar nossas relações. Segundo Mainland, algumas pessoas que nasceram sem a capacidade de sentir odores costumam ter problemas para identificar o estado emocional de outras.

Pesquisadores também descobriram que aromas podem mudar nosso humor e comportamento. George Preti, também do Monell, e seus colegas descobriram que extratos de odores da axila masculina alteram os níveis hormonais das mulheres e as ajudam a se sentir mais relaxadas, por exemplo.

Para pacientes como Johnson, ainda há muito a ser feito para que ele recobre seus sentidos. Uma das recomendações é de que ele cheire várias coisas diferentes algumas vezes por dia, pois há indícios de que isso estimula o sistema olfativo.

Mas, no futuro, é possível que casos como o dele sejam resolvidos mais rapidamente. Uma equipe do Monell está fazendo experiências com células-tronco nasais, na expectativa de que possam transformá-las em neurônios que possam substituir aqueles que foram danificados.

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