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14/04/2006 08:15

Comitê volta a monitorar incidentes com tubarões

Márcia Wonghon/ABr

Recife - As ações de pesquisa, vigilância e educação ambiental do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões no litoral de Pernambuco, que estavam suspensas desde fevereiro por falta de recursos, começaram a ser retomadas ontem (13).

De acordo com o pesquisador Fábio Hazin, presidente do Comitê, a Empresa Pernambucana de Turismo (Empetur), sinalizou que vai liberar, até o próximo dia 20, uma parcela de R$ 170 mil, do convênio anual de R$ 435 mil, para que os trabalhos tenham prosseguimento.

Ontem o barco Sinuelo, da Universidade Rural, que em um ano e sete meses de atividades capturou no litoral pernambucano 22 tubarões perigosos para a espécie humana, volta ao mar com sete tripulantes, incluindo três pesquisadores. A intenção é capturar os animais marinhos para estudos científicos sobre seus hábitos e a biologia reprodutiva.

Além disso, estudantes universitários dos cursos de Ciências Biológicas e Engenharia de Pesca, da Universidade Federal Rural, estarão orientando os banhistas nos finais de semana, nas praias do Pina, Boa Viagem, Piedade e Candeias, sobre medidas preventivas que afastem o risco de ataques.

Os alertas são necessários uma vez que os tubarões continuam fazendo vítimas, nas proximidades da faixa de areia. O caso mais recente aconteceu no último domingo (9), por volta das 17 horas, em Jaboatão dos Guararapes, quando o motorista de caminhão de Santa Catarina José Ivair Pereira foi mordido por um tubarão na perna esquerda, no momento em que resolveu mergulhar no mar para tirar a areia do corpo. Com uma lesão profunda, que comprometeu vasos e músculos, o caminhoneiro passou por uma cirurgia e se recupera no Hospital Getúlio Vargas.

O presidente do Instituto Oceanário de Pernambuco, Alexandre Carvalho, explicou que os ataques, iniciados em 1992, que resultaram até agora em 17 mortes e 30 feridos, aconteceram principalmente em função da degradação ambiental e da poluição de estuários. Ele defendeu a massificação de informações à população local e aos turistas sobre áreas de risco e o aumento do efetivo de guardas vidas na orla marítima.

Segundo Carvalho, não se pode simplesmente dizimar os tubarões. "É preciso fazer um trabalho no sentido desmitificar a imagem negativa que se criou a respeito do tubarão, mostrando a importância que ele tem para assegurar a manutenção do equilíbrio do ecossistema marinho", observou. Ele lembrou que na Austrália a caça indiscriminada aos tubarões resultou na eclosão da população de polvos, que acabaram devorando as lagostas, causando prejuízos à economia local.

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