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29/11/2013 07:00

Com saudade do Facebook, jovem de apenas 20 anos é eleita miss penitenciária

Campo Grande News
Favorita entre as detentas, quem levou o título de Miss Penitenciária deste ano foi Helen Moraes (Foto: Cleber Gellio)Favorita entre as detentas, quem levou o título de Miss Penitenciária deste ano foi Helen Moraes (Foto: Cleber Gellio)

Favorita entre as detentas, quem levou o título de Miss Penitenciária deste ano foi Helen Moraes, de Sidrolândia. Há cinco meses, ela passa os dias atrás das grades, na Penitenciária Feminina de Campo Grande.

Aos 20 anos, Hellen foi presa por tráfico de drogas, no aeroporto da Capital, tentando levar 8 kg de maconha para Manaus, no Amazonas, e como estava acompanhada de uma amiga adolescente, também foi acusada de aliciamento de menor.

Helen conta que veio sozinha para Campo Grande, querendo estudar e trabalhar e que, por causa de amigos, caiu na cilada do tráfico de drogas, crime responsável pela pena da maioria das detentas hoje em Mato Grosso do Sul.

O dia a dia aprisionada tem suas dificuldades. Além da saudade da família, para a jovem a ausência das redes sociais pesa. “Vivia grudada com o celular, sinto falta, era um vício”, comenta.

Tentando conter o choro para não borrar a maquiagem, ela diz o que mais quer da vida: “Quero estudar, ser enfermeira, me arrependo de não ter feito isso”. Helen ainda não terminou o Ensino Médio.

Em um dos pulsos, a tatuagem com o nome do namorado, chamado “Eduardo”, feita um dia antes de ser presa. De dentro da cela, o relacionamento, que completou três meses, não teve futuro.

Com 61 quilos, em 1,73 de altura, ela comenta que não teve um preparo, como em grandes concursos. A única mudança foi fechar a boca. “Agora não posso mais malhar, então como bem pouco”.

Caminhos opostos - Ela conta que uma das maiores surpresas foi reencontrar a amiga de infância, a atual miss Mato Grosso do Sul, Patricia Machry, de 20 anos, já que as duas são de Sidrolândia. “Fiquei com vergonha, enquanto ela está no glamour, estou aqui, na prisão”.

Patricia foi jurada do concurso e experimentou uma situação bem diferente da que teve com o Miss Brasil. “Não tem a mesma preparação, elas vem com a cara e coragem”, elogia. E sobre a amiga de infância, não esconde a tristeza “Espero que ela saia daqui e use a beleza dela para o bem”.

Para a produção do desfile, uma equipe de maquiadoras e cabeleireiras se voluntariaram e decidiram ajudar a levantar a autoestima das moças, deixando de lado o receio de entrar em um presídio.

Marinalva Rodrigues foi umas das responsáveis pela produção e assistiu ao desfile emocionada. “Foi gratificante, ver elas se olhando no espelho e sorrindo foi a minha recompensa”, afirma. Ela também conta que, diferente do que pensou, as detentas queriam o glamour das maquiagens das baladas, e por isso, colocou glitter e cores fortes.

Grávida de cinco meses, a maquiadora Leide Joyce, de 24 anos, revela que ao chegar ao presídio até passou mal, por conta do medo. “Fiquei receosa, minha pressão caiu”, lembra. Mas completa: “pensei que era como em filme, mas mudei minha visão, são meninas bonitas e que escolheram errado, mas são mulheres como qualquer uma”. Ela ainda critica as condições “desumanas” - nas palavras dela - que as detentas vivem.

Também foram eleitas a miss simpatia e a miss elegância. Segundo o jurado Carlos Gabriel de Freitas, de 21 anos, que recebeu neste ano a faixa de Mister Gay Mato Grosso do Sul, o julgamento não foi fácil.

Foram avaliadas a beleza, postura, elegância e simpatia, com notas de zero a dez. “É difícil julgar, eu passei por isso, mas todas são merecedoras e algumas até tem postura para serem modelos”, comenta.

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