Cassilândia, Segunda-feira, 16 de Julho de 2018

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14/01/2018 12:05

Com diploma e sem emprego: drama de 10 mil trabalhadores em MS

Campo Grande News

Os mais qualificados são os que mais sofrem com o crescimento do desemprego em Mato Grosso do Sul. São 10 mil sul-mato-grossenses com diploma e sem carteira de trabalho assinada. Essa quantidade equivale a 9,25% do total de desempregados no Estado; em 2012, esse índice era de 6,5%. No período, a desocupação entre trabalhadores com curso superior aumentou 150%.

Os números são da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e se referem ao terceiro trimestre do ano passado (dados mais recentes).

O IBGE considera desocupados os que estão na força de trabalho, mas não estão trabalhando. Trata-se de pessoas que perderam o emprego e/ou que estão tentando entrar no mercado de trabalho. Os demais – como estudantes que ainda não estão em busca de emprego – são classificados como “fora da força de trabalho”.

Em 2017 (terceiro trimestre), havia 2,103 milhões de sul-mato-grossenses com 14 anos ou mais, dos quais 1,367 milhão estavam na força de trabalho. Desse universo, 108 mil buscavam alguma vaga, incremento de 77% em cinco anos – no mesmo período de 2012, eram 61 mil sem ocupação.

O avanço do desemprego foi impulsionado, sobretudo, por pessoas com mais tempo de estudo. Os 10 mil desempregados com curso superior representam 3,9% dos 254 mil sul-mato-grossenses com esse nível de instrução e que estão na força de trabalho. Em 2012, a equivalência era de 2,5% (4 mil desempregados do total de 159 mil na força de trabalho, egressos de faculdades).

Situação ainda mais crítica é dos trabalhadores que estão fazendo faculdade. No ano passado, eram 90 mil universitários na força de trabalho em Mato Grosso do Sul, dos quais 9 mil estavam desempregados. Em 2012, do total de 159 mil acadêmicos no mercado, 3 mil eram atingidos pelo desemprego. A parcela à procura de uma vaga de emprego cresceu, assim, 200%, ou seja, triplicou.

Na prática, esses números se manifestam, por exemplo, na corrida acentuada de desempregados por oportunidades em diversos segmentos, independentemente de serem ou não ligados às suas áreas de formação. É o que ocorre com a disputa de vagas oferecidas pelo shopping Bosque dos Ipês, em Campo Grande.

Lojas do complexo comercial abriram 122 vagas, para colocação imediata ou em médio prazo. São seis para vendedor (três na Anita, duas na Magazine Luiza e uma na Santa Belleza), uma para consultor de vendas (na ¼ Colchões e Enxovais), sete para funções diversas (duas na Grilleto e cinco na Montana) e uma para pessoa com deficiência, oferecida pela administração do shopping.

Além dessas, há 107 vagas em lojas que serão inauguradas e, portanto, estão formando seu quadro de pessoal: são 50 oportunidades na Rock & Ribs e 57, na Forever 21. Entre os cargos disponíveis na Rock & Ribs, está o de gerente geral.

Chuva de currículos – As vagas foram anunciadas recentemente e o shopping já recebeu 50 currículos impressos e 180 por e-mail, totalizando 230 documentos. Fora esses, há os que foram entregues diretamente nas lojas. “Temos um mural, que se chama ‘Oportunidades no Bosque’. Esse mural está mais movimentado, com pessoas anotando informações e tirando fotos”, acrescentou a assessoria de imprensa.

Dos que enviaram currículos por e-mail, 43% têm curso superior completo ou estão cursando alguma faculdade. Em números absolutos, são, respectivamente, 22 e 56 trabalhadores. Os 102 restantes têm nível médio completo.

A superintendente do Bosque dos Ipês, Adriana Flores, acredita que o número de procura aumentará ainda mais. Ela nota que ocorre uma mudança no pensamento quanto ao emprego no comércio varejista. “Antes, era visto como a última opção. Hoje, essa visão está mudando”, comentou, justificando que isso ocorre, porque o setor comercial está mais qualificado e oferece mais oportunidades de crescimento profissional. “A pessoa pode crescer, construir carreira no comércio”, afirmou.

Isso tem estimulado novo perfil dos profissionais que se destacam no setor. “Quem gosta e sabe trabalhar com gente, os mais talentosos, que se comunicam melhor, têm mais chance de se destacar e de crescer rapidamente”, observa a gerente. Nesse sentido, de acordo com ela, pessoas com níveis de escolaridade mais altos podem fazer a diferença.

Entre os candidatos com curso superior, está a administradora de empresas, Talita Rosa da Silva Santos, 27 anos. “Eu me formei o ano passado. Fiquei algum tempo em Minas Gerais, trabalhando como auxiliar administrativo e como secretária. Em dezembro, voltei para Campo Grande”, contou.

Desde que retornou, Talita segue a mesma rotina: acordar cedo, consultar sites de emprego, verificar vagas em redes sociais, entregar currículos, fazer ligações... Ela também está na expectativa de ser contratada por uma das lojas do shopping Bosque dos Ipês.

“Enviei meu currículo por e-mail e caso seja chamada para qualquer vaga, eu vou aceitar”, disse. “Se for na minha área, é claro que é melhor, mas não importa qual seja o cargo”, acrescentou. Talita acredita, assim, como afirmou a gerente Adriana Flores, independentemente da função, o profissional pode crescer em uma empresa.

Outro lugar que Talita procurou vagas foi na Funsat (Fundação Social do Trabalho), em Campo Grande. Ela está entre os 85.046 pessoas que buscaram o local em 2017 na tentativa de entrar ou retornar ao mercado de trabalho, de acordo com balanço informado pela entidade.

Do total de trabalhadores que procuraram a Funsat durante o ano passado, 17.355 tinham nível de instrução acima da média. Esse número corresponde a 20,4% do total de pessoas que buscaram alguma vaga através da Fundação. Da parcela com tempo maior de estudo, 9.830 cursavam uma faculdade, 7.278 tinham curso superior, 202 eram especialistas, 38 eram mestres.

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