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26/09/2014 12:00

Com a lição do pai, de que surdez não problema, ele chegou ao mestrado

Campo Grande News
No mestrado, Adriano (centro) será orientado pelo professor Heitor (esquerda). A intérprete Priscila tem a missão de lhe dar voz. (Foto: Marcelo Calazans)No mestrado, Adriano (centro) será orientado pelo professor Heitor (esquerda). A intérprete Priscila tem a missão de lhe dar voz. (Foto: Marcelo Calazans)

Ao término da entrevista, Adriano de Oliveira Gianotto faz um pedido. Que não conste na reportagem a expressão surdo-mudo. A preocupação com o errôneo clichê faz sentido para quem desde muito cedo os deixou para trás.

Primeiro surdo a ingressar no mestrado em Mato Grosso do Sul, ele levanta nesta sexta-feira, Dia Nacional do Surdo, a bandeira de uma lição que aprendeu em casa. Exigente, o pai de Adriano ensinou que surdez não era problema e que objetivo dependia de esforço para ser alcançado.

Como prova, é possível citar os números ainda pequenos, mas crescente, de deficientes auditivos que conseguiram chegar longe nos estudos. No Brasil, são 319 surdos com mestrado, 59 doutores e dois com pós-doutorados.

A vida escolar de quem agora se prepara para ter mestrado começou com esforço dobrado. Adriano tinha aulas com surdos e com ouvintes. Para tanto, estudava o dia todo. A partir do quinto ano, passou a contar com intérprete, o que facilitou o caminho pelo conhecimento.

O pai não sabia Libras, mas o filho aprendeu a ler e escrever. Logo, a escrita se tornou o canal de comunicação. Dentro em breve, o bate papo deve ser na língua de sinais, pois seu pai vai aprender Libras aos 60 anos.

Com quatro irmãos, Adriano foi o primeiro da família a cursar faculdade. Aos 32 anos, com graduação em Pedagogia e professor de Libras, Adriano planeja fazer estudo na área de acessibilidade.

Por meio da intérprete, os gestos e expressões ganham voz para contar que sim, ele sempre acreditou que seria possível ter uma vida “normal”. “Sonhava com isso. Mesmo quando diziam você é louco. Algumas pessoas da família me tratavam como se fosse autista”, afirma.

Com um tio surdo, que sempre ficou aos cuidados de terceiros, ele quis ter uma história diferente. “Nasceu o Adriano e agora? Vai ser mais um coitadinho? Meu pai disse não, meu filho vai ser diferente”, relata o jovem, casado e pai de duas meninas.

Para o surdo que quer estudar, o intérprete tem função crucial. Há um mês, o ofício de dominar o vocabulário acadêmico e dar voz ao participativo aluno do mestrado de Desenvolvimento Local, na UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), cabe à Priscila Mendonça Fernandes.

Em busca de profissional capacitado, Adriano fez contato pelas redes sociais e indicou a intérprete para o setor de RH (Recursos Humanos) da universidade. É pela voz de Priscila que ele participa das aulas e faz questão de discutir os temas apresentados.

Orientador do mestrado, Heitor Romero Marques conta que ficou surpreso ao reencontrar o aluno. “O tempo passou, nunca mais tinha visto o Adriano. E ele me procurou no mestrado. E a pesquisa do dentro do Desenvolvimento Local tinha tudo a ver com o desenvolvimento das pessoas que pertencem à comunidade dos surdos. Ele fez a seleção e se saiu muito bem”, diz.

Segundo Heitor Marques, a universidade mantém condições de atender, surdo, cegos, cadeirantes e alunos com outras patologias. “Não é favor que a universidade está prestando, mas é um compromisso. São mais de dez alunos na graduação portadores de necessidades especiais”, afirma.

História – O 26 de setembro é celebrado como Dia do Surdo em alusão à data de inauguração da primeira escola para surdos no país ,em 1857, no Rio de Janeiro. À época, o Instituto era um asilo, onde só eram aceitos surdos do sexo masculino. Eles vinham de todos os pontos do país e muitos eram abandonados pelas famílias.

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