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29/09/2007 20:31

Ciro Gomes diz que revista "forçou a barra”

André Deak /Agência Brasil

Brasília - O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) distribuiu hoje (29) uma nota à imprensa negando qualquer interferência em operações do Banco do Nordeste. A nota é uma resposta à reportagem da revista Época que circula neste domingo (30) nas bancas.

Na matéria intitulada “O amigo problema de Ciro”, a revista relata que Victor Samuel Cavalcante da Ponte, diretor de administração do Banco do Nordeste está sendo investigado por suspeita de fraude.

"Querer vincular meu nome a este assunto é forçar notoriamente a barra, pelo fato de ser amigo de um funcionário do segundo escalão do Banco [Victor Samuel Cavalcante da Ponte]”, disse Ciro Gomes, que é ex-ministro da Integração Nacional.

Segundo a reportagem, “Victor Ponte é acusado de assinar, de maneira irregular, um acordo que reduziu – de R$ 65 milhões para R$ 6,6 milhões – uma dívida da empresa Frutas do Nordeste do Brasil S.A. (Frutan) com o Banco do Nordeste”. Ele teria assinado sozinho o acordo, sem ter competência funcional para isso.

“A redução da dívida desobedeceu a uma proibição expressa da Advocacia-Geral da União (AGU)”, diz a revista.

A ligação com o deputado é feita quando a publicação afirma que “em junho do ano passado, no mesmo período em que Ponte autorizou a redução da dívida da Frutan, Ciro mandou a empresários do Ceará uma carta com o seguinte conteúdo: 'Apresento-lhe meu amigo Victor Samuel, que lhe falará em meu nome, de Cid Gomes e de nosso partido político, o PSB, acerca de uma contribuição para a campanha que o partido desenvolverá nas eleições próximas, de outubro do corrente ano'”.

Ciro Gomes inicia a carta à imprensa contestando o título da reportagem: “Não tenho nenhum amigo problema. Amigo problema, sob o ponto de vista ético, para mim, é ex-amigo”.

Ele diz ter ficado “indignado” com a “forçada tentativa de vincular esse episódio à campanha eleitoral” do ano passado.

“O fato de ter escrito e assinado uma carta apresentando Victor Samuel a algumas pessoas, e dizendo claramente que ele falaria em meu nome acerca de uma contribuição para a campanha que meu partido desenvolveria, é uma tentativa de ser transparente e claro sobre um assunto a respeito do qual há muita controvérsia, que é a arrecadação de fundos para campanhas políticas”, explicou.

Ciro reclama de a revista não ter mencionado a seus leitores “o segundo parágrafo da citada carta, em que solicito formalmente contribuições de campanha para o partido e que diz que qualquer contribuição só será aceita se feita em obediência às normas legais e éticas com que sempre pautei minha vida pública. Época sabe que não se faz ilícitos eleitorais através de cartas nominais escritas, assinadas e públicas.”

O ex-ministro diz também que, quando recebeu do banco um pedido para autorizar, ou não, as condições em que o Banco poderia renegociar o pagamento das dívidas atrasadas de seus clientes, o ministério “limitou-se a encaminhar a consulta do Banco à Advocacia Geral da União (AGU), para que ela desse seu parecer”.

Ele lembra, ainda, que o Banco do Nordeste é subordinado ao Ministério da Fazenda, e não ao Ministério da Integração Nacional.

“Jamais, nem por exceção, pratiquei qualquer ingerência em qualquer operação do Banco do Nordeste”, diz o deputado na nota.

Segundo ele, assim que foi informado deste assunto pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, “recomendei a ele [Mantega] o que sempre fiz ao longo de minha vida pública: a abertura de um inquérito que apure tudo, aguardando o investigado, fora do cargo, as conclusões”.

“Minha posição sobre episódios dessa natureza é clara: se houve, da parte de quem quer que seja, algum erro ou irregularidade, esse alguém deve ser punido na forma da lei. Neste caso, o acusado alega ser absolutamente inocente de qualquer ilícito. Se não for verdade, que pague a mais severa punição. Para mim, sempre foi assim: quem errou, que pague”, afirmou.


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