Cassilândia, Sexta-feira, 02 de Dezembro de 2016

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15/05/2015 09:00

Cid Moreira concede entrevista em Campo Grande

Flávia Lima, Campo Grande News
Cid Moreira fala sobre a carreira e participa de eventos da Igreja Adventista do Sétimo Dia. (Foto:Marcelo Calazans)Cid Moreira fala sobre a carreira e participa de eventos da Igreja Adventista do Sétimo Dia. (Foto:Marcelo Calazans)

As novas gerações lembram dele como a “voz misteriosa” que narrava os quadros do famoso mágico “Mister M”, no Fantástico, da Rede Globo, nos anos 90.

Como não mostrava o rosto, muitos jovens diziam brincando que aquela voz grave, com efeito de eco, não tinha dono e era fabricada. Mas eis que no final de abril, em comemoração aos 50 anos da TV Globo, “a voz”, deu às caras após 19 anos longe da bancada do principal telejornal da emissora, o Jornal Nacional e provou que ela está mais forte do que nunca, tanto que sua aparição, ao lado do colega Sérgio Chapelin, na edição especial do jornal, bateu recorde de postagens e comentários nas redes sociais.

Foi então que pela primeira vez, os jovens nascidos a partir de 1996 viram o locutor e apresentador Cid Moreira, 87, voltar ao posto que ocupou por 27 anos. Com 70 anos de carreira, 46 só de Rede Globo e prestes a completar 88 anos, Cid está em Campo Grande participando das comemorações dos 100 anos da Igreja Adventista do Sétimo Dia, em Mato Grosso do Sul.

À vontade e bem humorado durante a conversa com jornalistas, o apresentador mostrou uma faceta diferente daquela que os telespectadores que acompanharam sua carreira na TV conhecem, quando ele fazia um semblante sério, especialmente quando noticiava as manchetes de política ou economia.

Descontraído e lembrando momentos irônicos de sua trajetória, ele faz questão de dizer que nunca deu ênfase aos títulos de “mito” ou de “ícone” do jornalismo. “Me sinto honrado com os elogios e o carinho do público, mas creio que não mereço tanto", destaca.

Mesmo avesso aos elogios exacerbados, é inegável o reconhecimento pela voz emblemática, tanto que ele sempre procurou adotar uma vida saudável e recorrer a alguns truques para não perder o precioso instrumento. “No meu tempo era moda fumar e eu cheguei a ter esse hábito, mas não suportava o cheiro e parei”, conta.

No início da carreira, quando atuava na extinta Rádio Mayrink Veiga, chegou a mascar gravo, ideia sugerida pela cantora Elizeth Cardoso. A voz não melhorou mas Cid acabou desenvolvendo uma gengivite que o fez mudar para o gengibre, hábito que mantém até hoje. Aliás,durante a entrevista ele mastigava uma pedaço e fez questão de mostrar, arrancando risos do público.

Filho de um bibliotecário, que chegou a ser condecorado como o “número 1” de São Paulo, Cid Moreira, nunca cursou faculdade de jornalismo, mas sempre foi um profissional atualizado, já que devido a profissão do pai, tinha rico acervo de livros em casa.

Voltando a fita - A carreira na Globo começou em 1969, quando ele foi apresentar o Jornal Nacional ao lado de Hilton Gomes e depois com o até hoje colega Sérgio Chapelin, que continua no vídeo apresentando o Globo Repórter.

Ele lembra que a associação de sua imagem ao telejornal demorou um pouco. No início da carreira, o apresentador lembra que as pessoas o apontavam na rua e diziam “olha lá o moço do jornal”, mas quando se aproximavam, geralmente o confundiam com Sérgio Chapelin. “Eu estufava o peito feliz com o reconhecimento, mas ele logo murchava”, lembra rindo.

Em outra situação, uma senhora o elogiou, mas pediu que ele lesse as notícias mais rápido porque queria assistir a novela. Já na bancada do Jornal Nacional, de onde saiu em 1996, as histórias são inúmeras e é impossível lembrar de todas. Alguns dos momentos marcantes foi quando ele apresentou uma edição com bermudas e em outra situação chegou a espantar uma mosca ao vivo (essa eu lembro). O ato deixou as pessoas espantadas, já que era uma época em que não havia qualquer tipo de descontração nos jornais.

Com a carreira consolidada basicamente no período de Ditadura, Cid Moreira vê com bons olhos as inovações do jornalismo, especialmente com a internet, que ele chama de “animal ainda a ser domado”. Para ele, há espaço para todo tipo de profissional, o importante é manter o profissionalismo para garantir a credibilidade.

“As mudanças são sempre bem vindas”, ressalta. Porém, ele observa que é preciso respeitar a linha editorial da empresa que atua. “Se você exagerar acaba levando o canal para o brejo e perde o emprego”, avisa. Para sua esposa, a jornalista Fátima Moreira, que o acompanha há 15 anos, há um certo exagero atualmente. “É importante dar opiniões, mas precisa haver um meio termo para não cair na vulgaridade”, afirma.

O fato de nunca se posicionar ou levantar bandeiras rendeu a Cid Moreira muitas críticas, especialmente no período pós-ditadura, quando o público passou a cobrar da imprensa uma atitude mais crítica, principalmente da Rede Globo e quem sai em defesa do apresentador, é a esposa Fátima. “O Cid era um locutor, não tinha formação, tanto que uma época quiseram cassar seu registro e de outros profissionais. “A função dele era apenas ler o noticiário”, enfatiza.

Ela diz que o marido sempre preservou suas opiniões pessoais em respeito a linha editorial da emissora, mas sempre se posicionou em conversas com amigos. “Certa vez ele me disse que não existe governo melhor ou pior, existe o poder, que transforma as pessoas”, ressaltou.

Mesmo trabalhando em um formato engessado, o apresentador, em alguns momentos, buscou a descontração no jornal. Ele recorda, com orgulho, da sua despedida no jornal no dia em que o poeta Carlos Drummond de Andrade faleceu, em 1987. No final da edição, ele leu um trecho do poema “E agora, José”. Ao terminar, Cid Moreira perguntou: “José, e agora”, uma referência a então presidente da época, José Sarney.
A iniciativa rendeu aplausos e marcou a história do telejornal.

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