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18/03/2007 15:13

China quer criar imposto do cachorro

Damásio.com.br

Um Deputado chinês propôs ao Parlamento, em 12 de março deste ano, a instituição de um imposto para os proprietários de cachorros, como forma de controlar a expansão desses animais domésticos e financiar o combate à raiva.

Jiang Deming, que é também vice-diretor do Centro de Pesquisas Tecnológicas Agrárias da China, argumenta que, no ano passado, 2 mil chineses morreram de hidrofobia e que, sem um imposto que contenha o número de animais, a incidência de raiva tende a aumentar. O projeto faz parte de um conjunto controvertido de políticas que a China tem adotado contra cães.

Desde novembro, vigora em Pequim lei que permite apenas um cão por família. Os moradores, porém, recusam-se a entregar o segundo animal à carrocinha, e 200 pessoas participaram de uma manifestação que qualificou a exigência de arbitrária.

Segundo a BBC, o Deputado Jiang também disse estar preocupado com a limpeza urbana e com a eliminação das fezes que sujam as calçadas.

Além do “imposto do cachorro”, ele quer proibir a criação nas cidades de cães excessivamente grandes ou de raças que tenham um comportamento mais agressivo. Um outro argumento dele é o de que o imposto desencorajaria pessoas mais pobres a criarem cães domésticos.

Meio milhão de vítimas

Em agosto do ano passado, depois da morte por raiva de 16 pessoas, as autoridades municipais de Jining, na Província de Shandong, a oeste do país, decidiram matar todos os cães na cidade e em aldeias num raio de cinco quilômetros.

Cerca de 500 mil animais foram mortos. Um grupo ocidental de defesa dos direitos animais, chamado Peta, lançou campanha pelo boicote a produtos chineses.

Jornalistas locais disseram que os proprietários dos animais se recusavam a entregá-los à carrocinha e tinham como alternativa envenená-los diante dos fiscais.

O jornal britânico The Guardian relata que, no distrito de Wanzhou, os proprietários de cães têm até o próximo dia 16 para entregá-los ou comprovar que eles foram mortos.

Uma outra entidade ocidental de proteção, a Humane Society, distribuiu nota em que acusava as autoridades chinesas de negligência por não vacinarem os animais.

O fato de ser ou não proprietário de cães domésticos foi por muito tempo na China uma questão privada, sem maiores ingerências do setor público.

O quadro mudou com a proliferação da hidrofobia e com a incompetência das campanhas de vacinação. Além disso, com a aparição de uma nova classe de ricos, ser proprietário de um cão de raça também passou a dar status social.

Divórcio

Em Nanquim, em maio de 2004, a mídia relatou o pedido de divórcio de um cidadão cujo cachorro, chamado Tigrinho Negro, foi morto por sua mulher. Ela não se conformava com a sujeira feita pelo cão em um apartamento luxuoso que eles compraram.

Na época, com estimados 700 casos de morte por hidrofobia a menos que hoje, a Universidade de Pequim publicou estudo afirmando que proprietários de cães tinham mais saúde e eram mais felizes que o restante da população.

Arqueólogos acreditam que a China foi o primeiro país, há cerca de 12 mil anos, em que os cães foram domesticados. Trata-se também do país em que cerca de 300 mil animais são criados especialmente para o corte. A carne de cachorro é bastante cara e é consumida por uma minoria.

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