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01/10/2011 18:42

Cassilândia: juíza escreve sobre alcoolismo

Luciane Buriasco Isquerdo, Juíza de Direito em Cassilândia

Alcoolismo

O álcool é uma das drogas mais antigas da humanidade. Há quem diga que surgiu em 6000 AC, no Egito, mas já há descobertas de ser pré-histórico o uso dele. Já foi usado para facilitar o contato com os deuses, como dissipador de preocupações e dor, e, ainda, como elemento abortivo. O uísque, destilado, veio depois, com a Revolução Industrial, já com um grau etílico maior, tendência que foi acompanhada pelas bebidas fermentadas.

Não é só um estimulante: depois do efeito desinibitório, vem o de provocar a depressão. Aliás, o rol de efeitos negativos é grande: falta de coordenação motora, descontrole dos reflexos, descontrole emocional, agressividade. Isso sem contar problemas digestivos, vômitos, diarréia, dores de cabeça, sono, mal estar e mesmo coma. Num grau mais avançado de depressão, até mesmo suicídio. E, sempre, problemas na família e no trabalho.

Discute-se se é ou não doença e parece já consenso que o seja. Aos poucos, a capacidade mental é reduzida, com dificuldade de concentração, impontualidade, má apresentação. E não há propriamente cura, e sim um tratamento ininterrupto para que não haja uma volta ao consumo, o que não deve ser tarefa fácil numa sociedade que o mantém a bebida alcóolica associada a praticamente todo tipo de comida.

O álcool está presente também em quase toda comemoração, jantarzinho com os amigos, happy hour. Nas propagandas televisivas, a mensagem implícita é descontração. As mulheres são do tipo bonitas-objeto - aquelas que não exigem nada. O problema é que todo dia, ou quase, tem um momento de descontração que, associdado ao álcool, leva a pessoa, quase sem perceber, à dependência. Talvez um dia tais propagandas, como as de cigarro, sejam proibidas.

Não é fácil distinguir entre alguém que bebe bastante e um alcóolatra. Há um teste interessante no site do AA – Alcoólicos Anônimos, entitulado “O AA é pra você?”: http://www.alcoolicosanonimos.org.br

É certo que haja quem critique o AA que, vale lembrar, existe aqui em Cassilândia, na Rua Isaías Cândido Barbosa, n.º 1080 – ao lado da Pronav. Em março desse ano teve essa discussão na Folha de São Paulo e os psiquiatras saíram em defesa do AA. É, afinal, o tratamento de maior acesso no Brasil. Existe aqui desde 1948; tem cerca de 5 mil grupos, que atende 130 mil pessoas. O Brasil é o terceiro país com mais membros, perdendo apenas para os EUA e México. Concluiu-se que é uma terapia, tão boa quanto às outras. Para algumas pessoas não dá certo, mas como toda terapia. O ideal é associar coisas: ir ao médico, tomar medicação – geralmente antidepressivos, fazer um tratamento com psicólogo(a), se possível, ler sobre o assunto, seja depressão, seja alcoolismo, e, se tiver na cidade, frequentar o AA. Se a coisa já tiver meio avaçada, internar-se numa clínica pode ser o caminho.

Um bom sinal de alerta para o alcoolismo pode ser vir a ter problemas com a Justiça: ser preso dirigindo alcoolizado, especialmente se se envolveu num acidente e machucou alguém; agredir a esposa e sentir na pele a Lei Maria da Penha; um divórcio por tal motivo; perda da guarda dos filhos, isto para citar algumas hipóteses.

Cuidado, contudo, com o consumo de álcool, nunca é demais.

Como em outros setores da vida, se não descobrimos e traçamos nossos limites, hoje ou no futuro, a vida se encarregará disso, à nossa revelia.

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