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20/08/2008 05:32

Cassilândia chora a morte de mais um custodiense ilustre

*Rogério Tenório de Moura

São estranhos os caprichos que a vida mostra ter por algumas pessoas. Enquanto muitas parecem passar a vida em brancas nuvens, outras tem sua biografia repleta de conquistas, derrotas (afinal ambas são dois lados de uma mesma moeda), “causos” e muitas coincidências que parecem ter sido arquitetadas cuidadosamente.
Assim foi a vida de José Arlindo de Carvalho, mais conhecido simplesmente por Arlindo Carvalho, que curiosamente teve sua vida entrelaçada a de meu avô. Ambos naturais de Custódia, uma pacata e bela cidade do interior do Pernambuco, mas que outrora não fora tão acolhedora devido às intempéries do agreste nordestino. Embora fossem de gerações diferentes, tanto um quanto o outro se viram obrigados a deixar sua terra natal, pela qual sempre demonstraram nutrir imensa saudade e carinho, em busca de uma vida melhor e por um desses acasos do destino vieram parar em Cassilândia, ainda na época do Mato Grosso uno.
Na época em que Arlindo chegou a Cassilândia meu avô já estava bem estabelecido, era um próspero corretor de imóveis, produtor rural e uma das maiores lideranças políticas da região; foi simpatia à primeira vista, meu avô não se cansava em dizer nas reuniões de família que havia se visto novamente naquele audacioso jovem nordestino que havia deixado tudo para trás (que no caso eram só a família e os amigos) e se lançado ao mundo. Tendo tino como poucos para conhecer pessoas, meu avô não se enganou, fez o que pode para ajudar aquele jovem aventureiro em seu início de vida e este não desapontou, transformou-se em um dos comerciantes mais influentes da região, dono de uma rede de lojas de calçados; dirigente de partidos políticos, líder de clubes de serviços, presidente da Associação Comercial...
Infelizmente a história nos mostra que não só de vitórias se faz a vida de um homem, mesmo dos grandes homens. Há alguns anos os negócios de Arlindo deixaram de prosperar como antigamente e suas atividades resumiram-se a uma loja, bem mais modesta que a primeira, administrada pela família; enquanto ele, como nordestino aguerrido, saía de cidade em cidade vendendo de porta em porta, porém sem perder a postura de predestinado a vencer que sempre teve.
Mesmo enfrentando problemas de saúde e dificuldades financeiras manteve-se anos a fio a frente do tradicional leilão beneficente em prol do Hospital do Câncer de Barretos, leilão este idealizado por ele, mostrando-se um exemplo de determinação e consciência cidadã. O exemplo de Cassilândia e de Arlindo Carvalho serviu para inúmeras cidades atendidas por aquele hospital. O engajamento dele inspirou várias pessoas que deram continuidade a sua obra, quando de seu afastamento de líder das atividades há três anos, devido ao agravamento de seu quadro clínico.
Será estranho saber que ele não está mais entre nós, como já era estranho não encontrá-lo pelas ruas da cidade nos últimos tempos para um gostoso “dedo de prosa”, pois por uma dessas contingências caprichosas da vida havia voltado para Aparecida do Taboado, primeira cidade mato-grossense a acolhê-lo. Mais estranho ainda é saber que o corpo de um homem cuja história se confunde com algumas das páginas mais belas da história de Cassilândia não repousará entre nós. A família decidiu sepultá-lo na “terra dos sessenta dias apaixonado”, só nos resta respeitarmos e nos resignarmos.
No ano passado, logo após o sepultamento de minha avó, disse-me que iria a Custódia, que queria matar saudades, relembrar dos tempos de moço, rever parentes e amigos, que depois de tantos anos de desterro resumiam-se à família de seu padrinho, o ex-prefeito Ernesto Queiroz. Era sua despedida, mesmo sem ter consciência disso.
Bem ao seu estilo grandiloqüente fez a última despedida a minha avó, também custodiense, suas palavras ecoam em minha mente como se fosse hoje: “Há noventa anos Maria José de Oliveira chorou por deixar a proteção do ventre materno e vir ao mundo, hoje são inúmeros os que choram por sua partida, teve uma vida frutífera, repleta de realizações e benfeitorias ao próximo”. Faço minhas as palavras dele!


*Rogério Tenório de Moura é licenciado em Letras pela UEMS, especialista em Didática Geral e em Psicopedagogia pelas FIC; presidente em exercício do SISEC (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cassilândia).

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