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12/10/2009 09:47

Cassilândia: Acidente faz leitor anjo por um dia

Gabriel Wanderley de Mendonça
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O Cassilândianews recebeu e-mail de Gabriel Wanderley de Mendonça, prof°. Municipal de Ciências do Ensino Fundamental em Cassilândia e Graduado em Ciências Biologica, contando sobre um acidente que assistiu e se sentiu anjo por um dia. Vamos ao que narra:

No dia 26 de setembro de 2009, aproximadamente as 14:00 horas MS, eu mais um casal de amigos Marcelo e Sonia e sua filha Eloisa, saímos de Cassilândia – MS rumo Campo Grande – MS.

Na rodovia MS – 306, eu ultrapassei um UNO branco com placa de Campinas – SP, DXU-3942. Minutos mais tarde o mesmo UNO, me ultrapassa. Notamos que no carro havia seis pessoas, um veículo que a carga máxima é de cinco pessoas. Acredito que no momento da ultrapassagem, minha velocidade era de 100 Km/h. Percebi que o veículo me ultrapassara muito rápido. Pensei e falei: “Esse UNO está muito rápido. Deverá está com uma velocidade de mais ou menos 120 Km/h.” Marcelo ao meu lado concordou.

Questões de minutos mais tarde, vi o UNO, se deslocar para o lado direito da rodovia, acredito que foi desviar de algum buraco, apesar de não lembrar se naquele ponto existisse um. Não recordo, pois essa rodovia se encontra totalmente ruim e mal cuidada, trazendo riscos à vida de todos. Nesse trecho recordo está muito mal recapeada, tendo muitas ondulações, podendo ser um dos fatores para o acidente, além de excesso de velocidade empregada pelo veículo.

Voltando aos fatos, o veiculo que se dirigiu á direita, a pista não tendo acostamento, a roda traseira do veiculo, caiu fora da pista, fazendo subir poeira, pedrinhas, passando ainda sobre o mato, nesse momento eu parei de acelerar e fiquei observando. E rezávamos para que tudo desse certo.

O veiculo volta à pista, indo em direção da contra mão, colocando em risco outro veiculo um Gol preto que vinha em direção oposta ao UNO. Percebi que o motorista havia pisado no freio, pois subiu fumaça e sentimos cheiro de pneu queimado (A). Isso fez com que o veiculo derrapasse, fazendo a traseira ir à direção da pista contraria e a frente na direção normal (B). O motorista tentou corrigir e novamente a posição do UNO se modifica, à frente para contra mão e a traseira na posição da mão normal (C).

(o gráfico enviado não foi possível publicar)



Quando as rodas traseiras bateram na terra, onde há um bar, o veículo percorreu uma distância de aproximadamente 50 metros de distância, de lado fora da pista indo na direção a três eucaliptos. Parecia uma folha de papel colocado na frente de um ventilador e é solta, vai com velocidade e com muita facilidade.

Agora eu pensava, ”como nós estamos totalmente fora do controle das coisas, quando pensamos sermos capaz de tudo!” E todos nós pedimos que as pessoas nada sofressem.

No decorrer dos 50 metros o veículo se chocou com um eucalipto, de lado, fazendo o carro voltar e cair com as rodas para cima. Coração batia muito forte, Marcelo falava: “Para, para, para!”

Eu parei o carro na frente do bar, o gol preto parou do outro lado da pista, onde havia uma borracharia.

Agora eu, Marcelo, Sonia, dois rapazes do gol preto, uma garota, o senhor e uma senhora do bar, corremos para ajudar as pessoas. Pois éramos os únicos naquele momento que poderiam salvar as pessoas, se lá dentro havia alguém a se salvar. Mas o pensamento de todos era que havia pessoas para se salvar.

Quando cheguei ao carro vi pela janela, parte do corpo de uma garotinha, eu imaginei coisas terríveis, que prefiro não relatar. No mesmo instante, escutávamos gritos de dor, de medo e de agonia.

Uma senhora saiu do interior do veiculo, reclamando de dor e perguntando sobre o seu marido. Um garotinho, que acredito ter 6 anos, chorava e pedia a mãe. Fui ajudar a desvirar o veiculo, mas já havia 4 erguendo, nesse momento a garotinha roda para fora, graças à ação divina ela estava bem, mas com dores e o terrível não aconteceu.

Então corri até o carro onde estava Sonia, que tentava ligar para os bombeiros sem sucesso, pois no nosso estado telefones móveis não funcionam nas estradas. Tentei por vários momentos parar um caminhão, pois estes costumam ter rádio amador, podendo ser possível entrar em contato com outro em uma cidade, e esse poderia chamar os bombeiros. Bobeira minha, pois ninguém parou lá, acho que seria mais útil, se tivesse ajudado no UNO. Mas logo veio o pensamento que muita gente atrapalha, já havia 4 lá.

Depois de todos fora do UNO, descobri um vazamento de álcool, podendo causar um incêndio,
trazendo riscos de morte a todos no local. Eu e os dois rapazes desviramos o UNO, deixando na posição normal, e um dos rapazes do gol preto tirou o cabo da bateria, pois além do álcool, havia óleo para todo lado.

Agora descobrimos que tinha um telefone no bar, Marcelo que orientava a todos a não beber água e nem se movimentarem, foi telefonar dessa vez com sucesso.

Todas as vítimas apresentaram esta conscientes, mas todas estavam feridas, com exceção do garotinho que não apresentou nenhum tipo de machucado e nem dor. Apenas queria a mãe.

Fiquei na pista esperando o corpo de bombeiros que vinha de Chapadão do Sul – MS.

Chegados ao local, nos agradeceram e Marcelo passou todas as informações necessárias e começaram a tomar providencias.

Após a saída de todos os feridos e a chegada da policia de Chapadão do Sul – MS, as pessoas do gol preto foram embora e a Sonia foi com os bombeiros para o hospital municipal de Chapadão do Sul. Pois ela ficou com a criança que não parava de pedir a mãe.

Eu e Marcelo ficamos no local e relatamos o acontecido para a polícia, um dos policias perguntou: “Quantos morreram?” Eu respondi: “Nenhum morreu.” Ele perguntou de novo: “ Quantos morreram?” Eu respondi: “Ninguém.” Ele perguntou: “ Quantos haviam no carro?” Respondi: “Seis”. Ele falou: “Seis pessoas no carro e ninguém morreu?” Respondi: “É”.

Pelo visto ele já tinha visto muito acidentes como este e se admirou por todos terem saído vivos.

Afinal o risco de morte era muito grande ou então em acidentes como este é comum pessoas morrerem.

Agora acreditava que o nosso pedido foi realizado, todos vivos, eu já não sabia se chorava, meu corpo estava diferente, arrepiava toda hora. Entrei no carro e chamei Marcelo. Agora íamos para Chapadão do Sul.

Lembrava no caminho que a senhora que saiu do carro sozinha, tinha falado; “ No momento do acidente eu deitei sobre meu neto para protegê-lo.” Realmente deu resultado, lembrei do ato de sacrifício, doar a vida para que outra vida continue a viver. Um ato muito nobre.

Em Chapadão do Sul, Marcelo deu o cartão com o telefone dele para as vitimas, Sonia não queria continuar a viajem para Campo Grande, pois um dia antes de viajarmos ela tinha sonhado com um acidente, por ela nem tínhamos pegado estrada aquele dia. Mas falamos para ela: “ Se nós não tivéssemos lá essas pessoas talvez não teria tido ajuda suficiente.”

Em Campo Grande – MS, Marcelo recebeu um telefonema, era uma das senhoras do acidente, que agradecia o que fizemos e disse: “Vocês foram nossos anjos.”

Lembre-se, por mais que viajamos sempre pela mesma estrada, nunca sabemos como a estrada está, pois ela se modifica sempre, às vezes de uma hora para outra, trazendo risco a sua vida, a minha e a vida de qualquer um que as vezes está fazendo tudo certo. Viva com Amor.










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