Cassilândia, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

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14/08/2015 09:41

Cassilandense é líder em Dourados

Redação
Cleiton afirma que a nível nacional são 77 instituições paradas (Foto: Gizele Almeida)Cleiton afirma que a nível nacional são 77 instituições paradas (Foto: Gizele Almeida)

Cleiton Almeida é exemplo do cassilandense que deu certo. De uma família humilde, lutou muito para chegar ao cargo que ocupa na Universidade Federal da Grande Dourados. Filho do saudoso Almeida (funcionário da São Luiz que morreu vítima de acidente de trânsito) e Diná Rodrigues Almeida, ainda residente em Cassilândia.

Hoje, é um líder no seu trabalho.

Foi destaque da semana do site Douradosnews.

Leia a matéria publicada.

 

A entrevista desta semana do Dourados News é com Cleiton Almeida, 36, representante do Comando de Greve da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) e abordará sobre o movimento de paralisação que acontece na universidade e envolve técnicos administrativos, docentes e acadêmicos.

Cleiton trabalha no setor administrativo da universidade desde 2007 e no momento atua na Divisão de Controle e Estoque de Patrimônio. Ele é graduado em Administração e possui especialização em Gestão Estratégica de Recursos Humanos.

O representante já acompanhou quatro movimentos de greve dos técnicos administrativos da UFGD e destaca que o atual pode ser considerado o mais forte até o momento.

O profissional destaca que o movimento que ocorre a nível nacional busca impactar com o “Agosto Vermelho” que trará diversas ações diferentes para divulgar as reivindicações a população e também pressionar os representantes políticos por soluções as demandas da categoria.

A classe busca reajuste salarial, o reposicionamento dos aposentados e pensionistas na categoria, jornada de trabalho de 30 horas semanais, piso salarial para os iniciantes na carreira, entre outros. Para atenção a essas causas nesta semana a categoria realizou um bloqueio na avenida Guaicurus e de acordo com Cleiton, mais atos como esse estão previstos.

A expectativa é que haja um retorno do governo para estas reivindicações até dia 21 de agosto, data em que se encerram as definições para a questão orçamentária.

A categoria se posiciona também contra o corte de recursos para a universidade, que de acordo com Cleiton, pode gerar grandes prejuízos para a comunidade acadêmica. Quanto ao atraso das atividades para os alunos com o ato, o representante cita que haverá prejuízos, porém com a medida de suspender o calendário acadêmico isso é amenizado.

Ainda segundo ele, os estudantes tem apoiado e entendem a legitimidade do movimento.

Veja a entrevista na íntegra

Dourados News- Qual o atual cenário da paralisação em todo o país?

Cleinton Almeida- Esse mês de agosto foi deliberado a nível nacional o Agosto Vermelho para intensificar as manifestações que são contrárias a retirada de recursos do serviço público, cortes da educação e da saúde principalmente e a falta de negociação com as categorias em greve. A UFGD tem dez anos aqui e nunca tivemos um corte como o desse ano. Sempre tivemos expansão, novos cursos e atualmente o que temos é a manutenção basicamente da universidade. Temos construções que precisam ser feitas para os cursos que estão ainda em implantação e tecnicamente ficaremos sem verbas para os encaminharmos. Isso tudo motiva essa greve generalizada que está ocorrendo na UFGD. Nacionalmente são 77 instituições que participam do movimento entre universidades e institutos federais. Em Dourados o movimento dos técnicos começou no dia 29 de maio, dos docentes no dia 28. No mês passado conseguimos encaminhar a suspensão do calendário acadêmico, quando encerrar-se a greve vai ter que retomar o calendário acadêmico desde a data do início da greve.

D.N- Então nesse mês, as ações serão diferenciadas?

C.A- Tendo em vista que a questão orçamentária do governo fecha agora dia 21 de agosto, temos pressionado para que seja dado alguma posição as nossas reivindicações antes dessa data e embora exista sinalização que se coloque um valor estimativo no orçamento para ser fechado depois, só que não temos esse interesse e nem o de permanecer em greve. O interesse da categoria é ter as reivindicações atendidas e voltar ao atendimento normal o quanto antes.

D.N- Dá para se ter uma base de quantos profissionais estão de ‘braços cruzados’ em Dourados?

C.A- São cerca de 900 técnicos e a grande maioria está paralisada, isso no HU e na UFGD, fora que também há os terceirizados.

D.N -Como funciona o comando de greve?

C.A- Tenho participado mais ativamente das duas últimas greves no comando. Quando se delibera pela greve é montado um sistema para responder especificamente pelas ações durante esse movimento. Atualmente no comando de greve dos técnicos somos em oito pessoas que se dividem para acompanhar reuniões a nível regional e nacional.

D.N- Essa já pode ser considerada a maior greve da categoria?

C.A- Pelo menos na UFGD sim. Nos últimos anos a nível nacional também creio que tem sido um dos movimentos mais fortes que tem ocorrido que abrange mais pontos do que a nossa a nível regional, tais como se mostrar contra a terceirização, o que muito importante já que é uma precarização do serviço.

D.N- O que motivou a paralisação?

C.A- Os principais pontos que norteiam essa greve são: os cortes de investimentos como dito, a falta de negociação com os servidores e a questão da terceirização. Nossas reivindicações vão além do reajuste. Segundo o cálculo do Dieese estamos com uma perda de 25% do poder aquisitivo desde 2011, além disso tem a questão de planos de carreira, de benefícios, aposentadoria, uma série de outros detalhes que são demandas dos técnicos. Na pauta geral do serviço público como um todo, tem a questão da solicitação de carga horária de 30 horas, benefícios e isonomias, reajuste de vale alimentação que seja igual para todas as categorias.

D.N- Você acredita que o ato tenha sido influenciado por questões políticas?

Para Cleiton, suspensão do calendário acadêmico foi a melhor medida no momento
Para Cleiton, suspensão do calendário acadêmico foi a melhor medida no momento
C.A- Penso que não deixa de ser. Toda greve ocorre em função de uma política, nesse caso a que o governo colocou de não dar reajuste aos trabalhadores e estabelecer cortes em áreas essenciais como a saúde e a educação. Isso é uma desvalorização do serviço público, o governo por algum interesse político no momento prefere priorizar outras áreas. Não é que não tenha recurso, o mesmo existe mas as prioridades tem sido outras.

D.N- Você acredita que as negociações avançaram?

C.A- Tem avançado em alguns pontos, em pautas não financeiras como chamamos. Como regulamentações para estudos, as próprias questões de 30 horas, o governo tem mostrado interesse em atender esses tipos de reivindicações, só que não está definido como essas serão implementadas. Já a questão do reajuste, o governo não tem se apressado em atender e coloca inclusive que talvez isso não possa ser fechado antes de preparado o orçamento. Esse ano já foi colocado que irão estabelecer um valor estimativo para o orçamento e que o acordo pode ser fechado posteriormente, ou seja, não há interesse ou agilidade em resolver essa situação.

D.N- Quanto a greve de 2012 e a atual, qual a semelhança das reivindicações?

C.A- Boa parte da pauta das reivindicações de agora são as mesmas já cobradas em 2012 e há inclusive algumas que já estavam no acordo de 2012 e que não foram cumpridas. São itens semelhantes mais a questão da reposição salarial.

D.N- Acredita que as questões fossem melhores pontuadas em 2012, não tivesse uma nova greve atualmente?

C.A- Talvez tivesse sim mas, com menos intensidade e com menos pontos pendentes.

D.N- Na manhã do dia 11 os grevistas fizeram bloqueios do trânsito na Guaicurus, como o ato foi visto pela população?

C.A- Boa parte da população entende as reivindicações, mas sempre tem os que não gostam, pois, o ato causa ali um retardo no planejamento delas. Mas, isso faz parte, a gente tem que acirrar as vezes os atos de greve, porque se você fizer a paralisação e só ficar de braço cruzado, o alcance fica limitado. Com o movimento esse ano já conseguimos avanços na comunicação, divulgação, o MPF (Ministério Público Federal) solicitou informações sobre o andamento da greve principalmente em relação aos atendimentos do HU e o mesmo reconheceu que o movimento é de âmbito nacional, prestamos os esclarecimentos necessários e perceberam que temos tomado todos os cuidados necessários no sentido de não trazer prejuízos irreversíveis a população e constou na ata que vão provocar o Ministério do Planejamento para darem agilidade e solução aos problemas. Claro que não há como a população não ter prejuízos, mas, isso mostra que o movimento acontece, mas busca preservar também a vida das pessoas, mantendo serviços essenciais.

D.N- Quais as próximas ações previstas?

C.A- Tem algumas ações que estão sendo apontadas para serem desenvolvidas e vamos fechar no final desta semana junto a categoria.

D.N- Podem haver mais ações com bloqueio em algum trecho?

C.A- Há a possibilidade e talvez ocorram em outros pontos da cidade. A princípio a deliberação era para que fosse feito em rodovias federais mas, como nós já temos a situação da Avenida Guaicurus que é uma via que dá acesso as universidades e historicamente sempre necessitou de melhorias que embora estejam sendo realizadas, estão com bastante atraso, acabamos optando por fazer esse primeiro lá. Mas também poderemos ter outros atos junto a população e atos internos de discussão.

D.N- E quanto a previsão do término do movimento?

C.A- Temos a previsão de uma reunião com o governo no dia 17, onde ficou de apresentar um índice de reajuste e detalhes de outros pontos de reivindicações e dependendo do que for deliberado no comando nacional pode ser que a proposta venha para votação, mas dependendo do andamento isso ainda pode prolongar um pouco mais.

D.N- Quantos alunos ficaram sem aula na UFGD? Como será esse prejuízo?

C.A- A Universidade tem mais de 8 mil alunos. O atraso no momento se refere a cerca de um atraso de 45 dias do final do primeiro semestre, mas se demorar mais vai avançar no calendário do segundo semestre. Mas os acadêmicos, tem entendido e apoiado o movimento. É uma busca para eles também, tem cursos ali que possuem laboratórios que precisam ser concluídos e não tem previsão, eles entendem que a greve busca fortalecer o serviço oferecido pelas universidades federais.

D.N- Quanto a suspensão do calendário acadêmico, é a melhor opção no momento?

C.A- Penso que sim pois, suspende-se a aula que havia desde quando declarada a greve, e isso terá que ser repassado para os alunos que perderam as aulas, ou seja, por mais que o professor tenha dado aula nesse período, ele vai ter a obrigação de repor, o que não gera mais prejuízos aos alunos. Já para os técnicos e para os docentes isso é mais uma conquista política em termos de mostrar que a greve foi tão forte que inviabilizou qualquer possibilidade de continuar as aulas.

D.N- Em relação ao corte de repasses pelo governo a UFGD, como isso pode influenciar a comunidade acadêmica?

C.A- Basicamente a falta desses recursos para investimentos já tem ocorrido em especial os que são aplicados em obras, equipamentos e custeio. Corre-se o risco até de faltar produtos básicos para a aula de laboratório, bolsas de estudo e na questão de investimento há a previsão de um corte grande também. Não se sabe ao certo de quanto é o corte em valores exatos mas,é bastante prejudicial para a comunidade acadêmica em geral e por isso é parte importantíssima da luta do nosso movimento.

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