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07/06/2017 18:00

Caso de professor esfaqueado expõe realidade de violência cotidiana nas escolas

Midiamax

Mato Grosso do Sul registrou um caso grave de violência contra um professor da rede pública na noite de terça-feira (6). Um diretor foi ferido pelas costas por um aluno com uma facada. Instantes antes, o estudante foi flagrado pelo docente fumando dentro da escola. O caso foi considerado isolado, mas mostra a fragilidade da relação de quem está dentro de uma escola pública.

“Toda semana tem algum caso de indisciplina, e por sorte não são tão graves que chegam a violência, mas dentro da sala de aula todos nós estamos suscetíveis”, relatou uma professora da Capital que preferiu não ser identificada. Lecionando há 20 anos nas escolas públicas da cidade, ela lembra que já teve o carro riscado e até foi perseguida por aluno. “Na escola pública a situação pode ser pior, e não é um rótulo. A maioria delas estão na periferia, nos bairros, e os problemas sociais entram em sala de aula e o professor se vira para conseguir lidar”.

Professor da rede pública em São Gabriel do Oeste, Marcos Paz, conhece bem as condições do ambiente escolar, assunto que foi levado adiante em sua tese de doutorado em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul em 2015. Ele entrevistou 891 professores de escolas estaduais para descobrir o que acontece atrás dos muros destas instituições, e acabou conhecendo um problema coletivo: a violência.

A pesquisa mostrou o seguinte panorama: 76% dos entrevistados afirmaram haver ocorrências de violência nas escolas onde atuam; 50% dos entrevistados responderam que a família é desagregadora ou desestruturada é uma das principais causas que levam o aluno a atos de violência; 35% dos entrevistados tem conhecimento de alunos que usam ilícitos (maconha, cocaína, crack, cola).

Em relação à violência em dentro das unidades, o relato dos professores é de que mais da metade dos casos envolvem a violência física e desrespeito ao professor, mas no dia-dia o que mais gera atrito é a falta de respeito entre os próprios alunos. Em 80% dos casos são de desrespeito aos colegas; 58% de xingamento e ofensas verbais; 54% agressões físicas. 

O crime aconteceu ao mesmo tempo em que a Lei Harfouche tenta ser aprovada pelo legislativo estadual, e gera conflito de opiniões por onde passa. Atualmente há leis que limitam a conduta de alunos, lembrou o professor. “Isso mostra que não é fabricando leis que se resolve o problema, tem até lei de detector de metais nas escolas”, lembrou.
No meio da violência, o professor defende que a solução é abrir espaço para o diálogo. “É trazer os pais para acompanhar a rotina dos filhos, porque tem pai que sequer sabe o nome do professor do filho e reduzir a distância traz o sentimento de pertencimento a aquele espaço, a escola”, defende.

As punições previstas nestes casos, de acordo com a secretaria de educação do governo, é de que a escola registre um Boletim de Ocorrência para que a polícia tome as medidas necessárias, mas a secretaria de educação ressaltou seu alvo é a prevenção. “Nosso foco está na prevenção, em ações que visam a formação de uma cultura de respeito à dignidade humana, da vivência dos valores da liberdade, justiça tolerância e paz, realizadas por meio do Programa Cultura, Arte e Paz (CAP).

Transtornos psiquiátricos

Uma série de dados recentes levantados pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), porém, mostra que o problema também é uma realidade entre professores universitários, intensificando o alerta para a necessidade de um planejamento preventivo também em relação à saúde mental de profissionais da educação superior.

Levantamento divulgado no ano passado revelou que entre 2011 e 2014, mais de 10% dos afastamentos de docentes efetivos foram motivados por transtornos desta natureza. A média de dias afastados do trabalho para cada servidor acometido por enfermidades desta natureza também preocupa: 39 dias. O longo período decorre principalmente da complexidade demandada pelo tratamento. A instituição tem mais de 600 professores.

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