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20/04/2008 11:49

Carreira militar atrai mulheres em busca de estabilidade

Alex Rodrigues/ABr

Brasília - Desde que passou a admitir mulheres entre seus quadros, em 1992, o Exército tem atraído cada vez mais profissionais do sexo feminino. Embora ainda sejam poucas, elas já estão inclusive nos pelotões responsáveis por vigiar e proteger as fronteiras.

Entre os 180 mil militares da ativa, há hoje 4.660 mulheres – 3.603 do quadro temporário e 1.057 de carreira. No ano passado, 25 delas chegaram à patente de major. Isentas do serviço obrigatório, elas podem servir voluntariamente, mas para chegar a sargento ou oficial é preciso prestar concurso público nacional e freqüentar uma das escolas de formação. As que não pretendem seguir a carreira militar devem fazer estágio de adaptação de 45 dias e o contrato dura sete anos, no máximo.

A tenente Glenda Farias Acácio é uma das oficiais temporárias que pensam em seguir carreira no Exército, onde ingressou em 2004, por meio de um convênio da Força com a universidade em que estudava. O interesse, diz ela, surgiu quando estagiou no setor de Odontologia do Hospital Geral de Belém (PA), administrado pelo Exército.

“Foi meu primeiro contato com os militares, mas restrito aos profissionais da minha área. Eu não imaginava que iria seguir carreira, embora já tivesse vontade”, conta a tenente, hoje no 34º Batalhão de Infantaria de Selva, em Macapá (AP).

Ao participar da seleção de candidatos, além da análise curricular e das entrevistas comuns a qualquer concurso público, Glenda teve de passar por um teste de aptidão física. Aprovada, ela foi designada para servir no Oiapoque (AP), onde passou um ano na 1ª Companhia de Fuzileiros da Selva de Clevelândia do Norte, a cerca de 15 minutos de barco da cidade. Além dela, só havia outra mulher entre os 225 homens responsáveis por vigiar a faixa de fronteira com a Guiana Francesa.

Admitindo o medo inicial de se mudar para um lugar tão remoto, Glenda garante ter se sentido protegida e respeitada pelos colegas homens. “O que me dava segurança era saber que o Exército me dava a estrutura e o apoio de uma instituição séria”, diz a tenente. “Não tive nenhum problema e sempre fui respeitada. No início ficam todos querendo saber como vamos agir, mas, com o tempo, tanto eu fui me adaptando como os homens também se adaptaram ao fato de ter duas mulheres no batalhão”.

A exemplo de outras mulheres, a tenente diz não ter sido poupada das obrigações militares. “Participamos de todas as atividades, inclusive das marchas pela selva. Lógico que cada um tem sua função e eu nunca fui cobrada a fazer nada que não coubesse as minhas atribuições”, explica.

Hoje, o consultório que já foi ocupado pela tenente Glenda serve para que a aspirante Renata Lepri Braga Reis atenda os militares de Clevelândia do Norte e seus dependentes, além de, em emergências, os civis das comunidades próximas.

A mineira diz que o trabalho é satisfatório e que pretende não só seguir na carreira militar como permanecer quanto tempo for possível em Clevelândia do Norte, para onde convenceu o marido, desempregado, a se mudar. A razão de ter escolhido o Exército, garante, não é financeira, já que acredita que poderia ganhar mais com o consultório particular que fechou ao entrar para a corporação.

Há menos de dois meses no quadro temporário do Exército, a aspirante confessa encontrar algumas dificuldades de adaptação. “Lógico que tem horas que a gente pensa, “meu Deus, o que eu estou fazendo aqui?”, mas eu recomendaria a outras mulheres. É uma experiência de vida. As vezes estamos muito acostumadas com uma vida confortável e eu acho que uma experiência como esta acrescenta muito na vida da gente. Amadurecemos muito.”

Outra que enxergou no Exército boas perspectivas profissionais foi a tenente Sofia Meirose Salles. Formada em Relações Públicas, ela soube do concurso para a Escola de Administração do Exército pelo próprio marido, também militar. Ele lhe explicou as vantagens da carreira e a incentivou a entrar para o Exército, o que ela fez em 2006, deixando para trás a agência de eventos que administrava com outras três pessoas.

Hoje, Sofia trabalha no Centro de Comunicação Social do Exército, em Brasília. Foi a única mulher a acompanhar durante toda a semana passada a viagem organizada pelo Exército para levar um grupo de jornalistas à Amazônia Oriental.

Perguntada se já sofreu preconceito ou foi desrespeitada, Sofia foi categórica. “Acredito que a primeira turma de mulheres tenha enfrentado um pouco mais de resistência. No meu caso, não há nenhuma dificuldade. Assumimos uma postura como militar - que tanto pode ser homem, como mulher - e desenvolvemos nossas funções.”



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