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29/11/2004 07:19

Câncer: 20 anos para aplicar descoberta em paciente

Agência Notisa

Thomas Tursz conta como andam as pesquisas oncológicas no mundo e explica que, apesar da pouca evolução no tratamento do câncer, muitos passos foram dados em descobertas na biologia celular. Criticando a mídia, o palestrante acha que a Europa está acreditando cada vez menos na pesquisa científica devido ao fato de os jornalistas, por desconhecerm os mecanismos da pesquisa científica, cobrarem resultados imediatos para a cura do câncer.


Às vésperas do Dia Internacional de Combate ao Câncer, no próximo dia 27, o 3º Congresso Franco Brasileiro de Oncologia, realizado no Rio de Janeiro, discutiu como integrar os novos tratamentos e novos medicamentos com a prática médica oncológica no Brasil e na França. O professor francês Thomas Tursz coordenou os trabalhos. Polêmico em algumas declarações, o professor Tursz não poupou críticas à mídia, que, segundo ele, "só vive perguntando quando as pesquisas vão beneficiar os pacientes". Vinte anos, de acordo com o francês, é o tempo que demora para uma pesquisa científica começar a trazer benefícios aos doentes.


Segundo o palestrante, a Europa, nos últimos anos, tem vivenciado um pessimismo científico alarmante. Os europeus , em geral, estariam acreditando cada vez menos nos hospitais, nas pesquisas científicas e até mesmo nas descobertas científicas, justamente pela demora entre a descoberta e a efetiva aplicação de um novo conhecimento. "E os jornais só fazem aumentar ainda mais esse descrédito. Os jornalistas vivem perguntando quando uma pesquisa vai beneficiar pacientes, qual o impacto real das descobertas e, na verdade, é muito difícil explicar essa conjuntura para a mídia e para o público", destacou.


Na opinião de Thomas Tursz, os profissionais deveriam é se aliar à indústria farmacêutica, grupo que mais estaria investindo em pesquisa científica. A maioria das pesquisas que têm trazido benefícios reais para os pacientes da oncologia, segundo o professor, seriam resultados de esforços da indústria farmacêutica. "Sabemos que os progressos existem e são infinitos", afirmou o pesquisador, que acabou contrastando sua afirmação com um dado preocupante: menos de 5% dos pacientes conseguem ter acesso aos benefícios das pesquisas financiadas pela indústria farmacêutica.


Tursz aproveitou ainda para criticar as opiniões que vêem os ensaios terapêuticos – estágio da pesquisa, onde o modelo é testado em humanos – como estudos em "cobaias humanas". "Precisamos mudar essa mentalidade. O ensaio terapêutico não vê um paciente como cobaia. Muitos desses pacientes jamais teriam acesso às modernas tecnologias de tratamento, não fossem os ensaios. O que se critica é que muitas vezes a pessoa se deixa levar por campanhas de marketing, que utilizam o paciente meramente para divulgar a imagem de algum produto, para influenciar de alguma forma a comunidade médica", opinou.


Sobre a demora entre a passagem de um conhecimento do laboratório para a clínica, Thomas Tursz comparou os avanços em oncologia com a descoberta dos micróbios, feita por Louis Pasteur. Segundo ele, Pasteur descobriu o micróbio, mas não como evitar seus malefícios e sua contaminação. "Mas ele descobriu que o microorganismo existia. Isso foi um avanço para os estudos epidemiológicos", destacou. Somente anos mais tarde, com Alexander Fleming, foram descobertos mecanismos de combate aos microorganismos, lembrou o palestrante.


"Essa seria a realidade da pesquisa em oncologia. Já descobrimos, como Pasteur, que existem oncogenes, por exemplo, que podem detonar um processo canceroso. Por outro lado, não estamos tão longe do estágio de Fleming, de descobrir uma cura para o câncer. Estamos mais pertos de Fleming do que de Pasteur, sem dúvida", disse Thomas.


Apesar de proporcionar poucos avanços no tratamento do paciente, a oncologia, segundo o palestrante, possibilitou muitos avanços nos estudos de biologia molecular. Hoje, de acordo com o francês, sabe-se muito mais sobre a célula e toda a sua forma de funcionamento, do que na década de 70. "Na década de 70, quando comecei a ensinar, sabíamos apenas que célula era uma unidade individualizada por membrana celular e que possuía um núcleo. Hoje, temos a sensação de conhecer todos os receptores de superfície, todas as cadeias protéicas, todas as trocas necessárias, as interações genéticas. Esse avanço, sem dúvida, deve-se em grande parte aos estudos da cancerologia", disse.


A situação mencionada, por outro lado, segundo ocientista francês, acaba denunciando um dos maiores paradoxos da oncologia no universo contemporâneo. "Tivemos muita evolução nos conhecimentos, mas pouca evolução no tratamento dos pacientes. Demorou 60 anos para que Fleming descobrisse uma forma de combater os micróbios, descobertos por Pasteur. Será que vamos demorar 60 anos para descobrir a cura para o câncer? Eu acho que não", concluiu.

(Agência Notisa – jornalismo científico - science journalism)



Pitanguy aconselha fazer a reconstrução de mama sempre em uma segunda cirurgia

Ele afirma que a paciente precisa ter tempo para se sentir sem a sua mama para depois poder aceitar bem os resultados de uma reconstrução que não vai lhe devolver a mama (igual à) original. O cirurgião plástico também critica a atual moda da cirurgia para aumentar as mamas: "pode prejudicar a saúde da mulher", disse.

No Congresso Franco Brasileiro de Oncologia, coube ao cirurgião plástico e professor Ivo Pitanguy falar sobre o que pode ser o sonho de mulheres que sobreviveram a um câncer de mama: a reconstrução pós-mutilação mamária. Abrindo a sessão, o presidente de honra do congresso, o professor francês Thomas Tursz, fez elogios públicos à figura de Ivo Pitanguy e, em especial, aos avanços na cirurgia plástica brasileira, apontada pelo francês como uma das melhores e mais avançadas do mundo. "Quando Pitanguy, já na década de 70, fazia reconstrução mamária, nós, na França, ainda nem pensávamos em fazer isso. A evolução do Brasil, nessa área, é realmente algo espantoso", observou.


Ivo Pitanguy proferiu sua palestra em frâncês e iniciou falando sobre a importância da reconstrução mamária para o aspecto psicológico da mulher. "O trauma de um câncer já é algo por demais severo para qualquer pessoa. Nas mulheres, se ele vem acompanhado por uma mutilação mamária e o trauma pode ser decisivo para a diminuição da qualidade de vida da pessoa", explicou acrescentando que "a evolução na reconstrução mamária aconteceu após o adventos das próteses de boa qualidade. Antes, o cirurgião poderia enfrentar muitos problemas para reconstruir uma mama. Quando me perguntam sobre a melhor técnica para reconstrução eu só respondo uma coisa: a melhor técnica é sempre a mais simples, que dê o melhor resultado", disse.


Mas, tão importante quanto o domínio da técnica, seria a disponibilização de amplas fontes de informação para a paciente. Informar a mulher sobre os resultados de uma reconstrução pode ser fundamental para que ela não se sinta frustrada ao se deparar com o resultado. "A paciente precisa saber que jamais terá uma mama igual à original. O que a gente tenta fazer é propiciar o maior grau de semelhança com a mama contralateral. É lógico que a mama reconstruída dificilmente vai ser idêntica à mama mutilada", orientou.


Após informar à paciente sobre a realidade da reconstrução, é chegada a hora de definir a técnica cirúrgica a ser adotada. Pitanguy lembra que essa é uma etapa fundamental para o sucesso do reparo, principalmente em termos de cicatrização e melhor estética. "Nos anos 50 e 60 havia um certo preconceito em relação à reconstrução mamária, daí os retalhos serem tubulares. Hoje, o cirurgião pode contar com retalhos abdominais e dorsais, por exemplo", disse.


Para definir o tipo de técnica a ser adotada, Pitanguy divide as pacientes em quatro grupos: grupo I (têm bom revestimento cutâneo e tiveram preservada a estrutura muscular depois da mutilação); grupo II (têm bom revestimento cutâneo, mas perderam a trama muscular na mutilação); grupo III (têm baixo revestimento cutâneo e perderam a trama muscular na mutilação) e grupo IV (perderam a cobertura cutânea e a musculatura na mutilação). "No grupo I, por exemplo, você pode usar um implante mamário simples. Já no grupo III, você vai ter que contar com um expansor mamário. No caso mais complexo, o grupo IV, o cirurgião vai ter que primeiro fazer uma reconstrução cutânea da área, para depois pensar na reconstrução mamária", disse.


O palestrante lembrou que, quanto menor o grau de mutilação mamária, maiores as chances de se conseguir um resultado esteticamente favorável. E, justamente, para evitar frustrações na paciente, Ivo Pitanguy recomenda que a reconstrução mamária seja feita somente após a completa recuperação da paciente. " Se for feito tudo junto, a paciente vai deitar numa mesa, ter sua mama mutilada para retirada de um câncer e vai acordar com uma mama nova, totalmente diferente da original. A reconstrução em um só tempo cirúrgico não dá tempo à mulher de se sentir sem a mama, o que pode fazer com que não aceite bem os resultados da reconstrução. Já em dois tempos, a referência mais ativa na sua memória vai ser a aparência da mutilação. Mesmo que o resultado estético da reconstrução não seja tão bom, acaba sendo melhor do que o impacto da mutilação", defendeu.


O cirurgião acabou falando da polêmica cirurgia de aumento mamário, que tem se tornado moda no Brasil. "Isso não é genético na brasileira. A mulher brasileira não tem mama grande, como as norte-americanas. Em muitos casos, a mulher pode se sentir melhor, o que pode até ser entendido. Mas em outros casos, mamas excessivamente grandes podem prejudicar a saúde da mulher, gerando problemas posturais e até desconforto físico", alertou.


Casos contrários, de mulheres que optam pela cirurgia plástica para redução mamária, também têm se tornado comuns. Pitanguy lembra o caso de uma paciente que nunca havia ido à praia por vergonha do tamanho das mamas. A paciente, após anos de agonia, resolveu procurar a clínica de cirurgia plástica da Santa Casa de Misericórdia (no Rio de Janeiro), que presta atendimento a pacientes previamente cadastradas. "Com a redução das mamas, a paciente passou a ir à praia, melhorando o seu convívio social e, consequentemente, a sua qualidade de vida. Essa é uma das funções da cirurgia plástica: dar mais qualidade de vida às pessoas", concluiu.


(Agência Notisa – jornalismo científico - science journalism)

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